Arquivo mensal: março 2015

O Botafogo envergonha até o presidente

Se você ficou com vergonha dos anúncios e ofertas de produtos estampados na camisa do Botafogo nos jogos contra o Flamengo e o Fluminense pelo Campeonato Carioca, prepare-se para mais algumas sessões de horror: em, pelo menos, mais dois jogos marcados para o Engenhão, a marca da Casa & Vídeo continuará poluindo o uniforme que já vestiu deuses do futebol como Garrincha e Nilton Santos: contra o Tigres, na noite desta quarta, e contra o Resende, no domingo.

As ofertas de smartphones, secadores de cabelo e assemelhados não apenas poluem a camisa botafoguense, mais do que já se tornou habitual em nosso futebol, como viraram alvo do Procon, órgão de defesa do consumidor que as trata como propaganda enganosa e abriu processo administrativo contra o anunciante.

O mais curioso, porém, é constatar que até o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, tem vergonha do que está fazendo, tanto que, em entrevista à rádio Bradesco Esportes FM Rio, tentou se desculpar com a torcida:

– Eu pediria um pouco de compreensão àqueles botafoguenses mais tradicionalistas, e me incluo entre eles. Sei que não é fácil a gente ver a nossa camisa com muitos patrocinadores, mas eu peço essa paciência, peço até desculpas se se sentiram incomodados.

Nem por isso as coisas vão mudar, revelou o presidente:

– O País vive uma crise significativa, e no momento em que tomamos posse, nós já encontramos as grandes empresas com seus orçamentos fechados. O Botafogo entrou no ano sem patrocinador máster. Estamos ousando e arriscando ao mexer com um símbolo importantíssimo para os botafoguenses que é a nossa camisa, mas estamos correndo um risco calculado no sentido de que o clube precisa de recursos.

Quase o Real dança no Bernabéu

Por essa poucos esperavam: o Schalke 04, que tinha perdido o primeiro jogo em casa por 0 a 2, acaba de bater o Real Madrid no Santiago Bernabéu por 4 a 3 e, assim, ficou a um golzinho da vaga nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa.

Foi um jogo emocionante, de ótima qualidade técnica e muita disposição no primeiro tempo, de mais disposição do que qualidade no segundo, em que o Schalke superpovoou o meio de campo, mostrou mais organização durante todos os 90 minutos e contou com a ajuda do veterano Casillas nos dois primeiros gols – o do 1 a 0 e o do 2 a 1. No terceiro, um belo chute de fora da área do alemão Leroy Sané, o goleiro espanhol não ajudou nem atrabalhou. Apenas assistiu, embevecido.

Cristiano Ronaldo não chegou a ser brilhante, mas salvou o atual campeão europeu de um vexame maior, marcando de cabeça os dois gols que fecharam em empate o primeiro tempo.

Detalhe que revela a distância enorme que separa hoje o melhor futebol europeu daquele que os brasileiros andam praticando por aqui: houve 11 faltas em toda a partida.

Relembrando: o São Paulo 0 x 1 Corinthians do domingo, pelo Paulistão, teve 50 faltas.

O Corinthians desafina fora de campo

O ex-presidente Andrés Sanchez, nomeado “superintendente de futebol” pela nova administração corintiana, avisa que o clube vai reduzir a folha de pagamentos do elenco e, para tal, tão logo feche sua participação na Libertadores, dispensará jogadores que ganham muito.

Reservadamente, outros dirigentes corintianos, no entanto, se mostra cada vez mais animados com a possibilidade de trazer da Ucrânia o atacante Bernard, que seria emprestado ao Corinthians pelo Shakhtar Donetsk.

O ex-atleticano, em baixa no clube ucraniano, recebe por mês algo equivalente a R$ 1 milhão mensais.

Ou seja: o afinado Corinthians que se tem visto em campo vai desafinando do lado de fora.

Alguém duvida do prestígio de Neymar no Barça?

E não é que o Barcelona deu quatro dias de folga a Neymar para que ele viesse ao Brasil? “O jogador tem uma permissão nossa por motivos pessoais” – informou o técnico Luis Enrique, cobrado por jornalistas espanhois em entrevista coletiva.

O motivo, personalíssimo, foi a animadíssima festa de aniversário de 19 anos anos da irmã Rafaella, na noite desta segunda-feira em badalada casa noturna da Vila Olímpia paulistana.

Não pode haver prova mais eloquente do prestígio atual do craque brasileiro em Barcelona. Folga deste tipo nem Messi tinha arrancado do clube catalão até hoje.

Fofão lamenta falta de renovação no vôlei

De Hélia Rogério de Souza Pinto, a nossa Fofão, campeoníssima levantadora do Rio que,  nesta terça, comemorará em quadra o aniversário de 45 anos , enfrentando o Osasco pela Superliga Feminina de Vôlei:

– O Brasil não está ganhando mais nas divisões de base. Isso preocupa muito, porque sempre íamos bem nos Mundiais. Alguma coisa está errada. Não estamos sendo mais o melhor vôlei do mundo e temos de saber o porquê. Não pode deixar o vôlei regredir. Não dá para voltar a perder Sul-Americano para Argentina e Peru. Não dá para pensar só após 2016.

Para ler a entrevista de Fofão ao repórter Marcel Merguizo na Folha de hoje, clique aqui.

E para conferir a extensa lista de conquistas da levantadora que vai se aposentar no Mundial de Clubes, em maio, clique aqui.

E por falar em Guga…

Era 8 de junho 1997, dia em que Guga conquistaria pela primeira vez o título em Roland Garros. Rolava na mesma época o Torneio da França, ensaio para a Copa do Mundo do ano seguinte. Ainda não havia a Copa das Confederações.  Estávamos em Lyon para acompanhar o Brasil x Itália que acabaria em 3 a 3. Imagine-se a balbúrdia de uns cinqüenta jornalistas brasileiros em torno do televisor que, na sala de imprensa do Estádio Gerland, exibia a vitória de Guga sobre o espanhol Sergi Bruguera em Roland Garros. Foi quando um coleguinha francês se aproximou e, impressionado com a animação dos brasileiros, quis saber:

– Há muito interesse pelo tênis no Brasil?

Sempre ligado em tudo, mas pouco íntimo da língua francesa, Oldemário Touguinhó, um dos maiores repórteres esportivos de nossa história, perguntou o que o francês havia perguntado e mandou a resposta, imediatamente traduzida para o interessado:

– Há um interesse enorme. Meu filho não pode sair de tênis novo no Rio que sempre o afanam.

Faltou Feijão nesta segunda-feira

João Souza, o Feijão, brilhou em Buenos Aires, mas Thomaz Bellucci, que já havia sido derrotado na estreia por Leonardo Mayer, perdeu mais uma vez nesta segunda-feira, agora para Federico Delbonis  por 3 sets a 1 (6-3, 3-6, 6-2 e 7-5), e, assim, o tênis brasileiro não conseguiu uma vaga nas quartas-de-final do Grupo Mundial da Copa Davis, sina que dura desde 2001, quando Guga Kuerten comandou a vitória sobre Marrocos nas oitavas.

A Argentina venceu o confronto com o Brasil por 3 a 2 e vai enfrentar a Sérvia em julho. O Brasil disputará a repescagem em setembro, contra um adversário que será definido em junho, para tentar seguir na elite da Davis em 2016.

Basta de intermediário

Embora seja o time com maior número de pontos no Paulistão, 20 em oito jogos, e só tenha um índice de aproveitamento menor do que o Corinthians, o Santos está sem técnico.

Enderson Moreira não escalava Gabigol e foi demitido pelo presidente Modesto Roma Júnior.

No ano passado, em pleno Brasileirão, Oswaldo Oliveira, que não escalava Leandro Damião, fora trocado por Enderson. O então presidente Odílio Rodrigues assinou a demissão.

Agora, Modesto Roma quer contratar Vagner Mancini ou Dorival Junior, curiosamente demitidos pelo Santos há poucos anos.

Por que a presidência do Santos não incorpora logo as funções de técnico do time de futebol?

Pouca gente para ver os clássicos

Com exceção do Cruzeiro 1 x 1 Atlético, que levou 35.390 pessoas ao Mineirão, os grandes clássicos regionais deste domingo mobilizaram um público decepcionante: 24.891 viram Fluminense 3 x 1 Botafogo no Maracanã e apenas 18.720 foram ver São Paulo 0 x 1 Corinthians no Morumbi.

Estamos falando de público total, não apenas de pagantes.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, o  Orlando City de Kaká estreou na  Major League Soccer empatando por 1 a 1 com o New York City diante de 62.510 pagantes.

Feijão entra para a história da Copa Davis

Feijão faz história na Copa Davis - 8.3.2015O brasileiro João Souza, o Feijão, acaba de ser derrotado pelo argentino Leonardo Mayer, em Buenos Aires, por 3 sets a 2 (7-6 [7-4], 7-6 [7-5], 5-7, 5-7 e 15-13) num jogo que entrará  para a história da Copa Davis por moritos nada esportivos. A partida durou 6 horas e 42 minutos.

A vitória garantiu à  Argentina o empate por 2 a 2 no confronto com o Brasil pela primeira rodada do Grupo Mundial da Copa Davis. A sobrevivência na competição será decidida no jogo entre Thomas Bellucci e Frederico Delbonis, que vai começar daqui a apouco e será mostrado pelo SporTV.

O tênis tem de repensar suas regras. Um jogo de mais de seis horas não é esporte, é tortura.

Foto: Cristiano Andujar/CBT

Atualização: após o argentino Frederico Delbonis vencer o brasileiro Thomaz Bellucci no primeiro set por  por 6 a 3, o jogo foi suspenso por falta de luz natural no Complexo Tecnópolis e será retomado nesta segunda-feira, às 11 horas.