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Vamos navegar em novas águas

Uma boa notícia para quem acompanha este blog, nascido em 8 de março: estamos em nova e grandiosa embarcação para navegar os mares da internet – o portal R7.

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Venha com a gente.

Flamengo de Muricy é a esperança do futebol carioca

Muricy Ramalho no Fla: "O clube está pronto para crescer"

Muricy Ramalho no Fla: “O clube está pronto para crescer”

Não se pode dizer que a primeira gestão de Eduardo Bandeira de Mello tenha feito sucesso no futebol: 12º colocado no Brasileirão de 2015, décimo em 2014, 16º em 2013, o Flamengo patina na mediocridade geral em que se afundou o futebol carioca nas últimas temporadas.

Tendo perdido o apoio do ídolo Zico ao longo do primeiro mandato, Bandeira se reelegeu nesta segunda-feira com a promessa de que vai recolocar o Flamengo no topo do futebol brasileiro. Começou bem ao confirmar o que todo mundo já sabia: Muricy Ramalho vai comandar o trabalho de ressurreição do futebol rubro-negro.

Com as contas em dia e as dívidas devidamente equacionadas, pelo menos segundo os seus dirigentes, o Flamengo teria fôlego para montar um time mais forte em 2016, construir finalmente um centro de treinamento, modernizar a precária estrutura do departamento de futebol e voltar a sonhar com títulos.

Muricy Ramalho está animado, talvez até demais:

– O Flamengo não atrasou salário nenhum dia esse ano. A parte administrativa está estruturada, a parte da dívida está estruturada. O clube está pronto para crescer. Me falaram que a estrutura do CT não é boa, mas nós vamos melhorar isso. Com certeza, o Flamengo em pouco tempo será fortíssimo em termos de estrutura e títulos. O Flamengo é grande, quem não quer dirigir o Flamengo? Por isso aceitei esse desafio. É um gigante do futebol mundial, tem uma gestão profissional e muito séria.

Se conseguir tempo e tranquilidade para realizar os sonhos do clube que demitiu três treinadores na atual temporada, Muricy estará ajudando todo o futebol carioca, que chega ao fim de 2015 com o Vasco rebaixado, o Flamengo e o Fluminense colocados na metade inferior da tabela de classificação do Campeonato Brasileiro, abaixo de todos os seus concorrentes de São Paulo, Minas e Rio Grande do Sul.

O quadro esportivo é tão grave que a melhor notícia do ano é botafoguense: a conquista do título da Segundona.

A crise técnica se reflete fora de campo, claro.

A torcida do Flamengo não tem negado força do time, tanto que, em casa, é responsável pela segunda melhor média de público no Brasileirão: 30.962 pagantes por jogo, apenas 3.187 a menos do que o campeão Corinthians. Acontece, porém, que o Corinthians faturou quase R$ 39 milhões nas bilheterias; o Fla, pouquinho mais de R$ 26 milhões. Os jogos do Corinthians têm 73% dos assentos vendidos; os do Flamengo, 41%.

Bem mais grave é a situação do Fluminense, com média de 16.351 pagantes por jogo em casa, e do Vasco, com apenas 12.874.

Ou Muricy muda as coisas no Flamengo e o Flamengo dá partida numa mudança radical na gestão dos clubes do Rio ou o futebol carioca vai virar logo, logo uma mera referência histórica.

Ou Muricy salva o Fla ou o futebol carioca vai pro beleléu.

Desta vez, Eurico Miranda acertou

Eurico Miranda: "O responsável pelo rebaixamento sou eu"

Eurico Miranda: “O responsável pelo rebaixamento sou eu”

Na entrevista coletiva em que está deitando falação e jogando pedras em Roberto Dinamite,  realmente tão culpado quanto ele pelos repetidos vexames do Vasco nos últimos sete anos, o cartola Eurico Miranda disse pelo menos uma verdade:

– Eu não passo a responsabilidade por essa queda do Vasco para ninguém. A responsabilidade é minha.O único e exclusivo responsável pelo rebaixamento sou eu.

O site Netvasco exibe uma enquete, neste momento com quase 10 mil votos que comprovam o quanto Eurico Miranda está certo no que acaba de reconhecer aos jornalistas em São Januário:

De quem é a culpa pelo rebaixamento do Vasco no Brasileiro?

Arbitragem (981 votos – 10,29%)
Celso Roth (2225 votos – 23,35%)
Doriva (159 votos – 1,67%)
Eurico (5675 votos – 59,56%)
Fatalidade (199 votos – 2,09%)
Jogadores (253 votos – 2,66%)
Jorginho (37 votos – 0,39%)

No final de 2008, a mesma enquete teve as seguintes respostas:

Arbitragem (253 votos – 1,93%)
Dinamite (1779 votos – 13,59%)
Eurico (8972 votos – 68,54%)
Fatalidade (206 votos – 1,57%)
Jogadores (1026 votos – 7,84%)
Lopes (92 votos – 0,70%)
Renato (87 votos – 0,66%)
Tita (676 votos – 5,16%)

No final de 2013, foram estas as respostas:

Arbitragem (235 votos – 1,87%)
Dinamite (10510 votos – 83,82%)
Fatalidade (203 votos – 1,62%)
Jogadores (889 votos – 7,09%)
Paulo Autuori (264 votos – 2,11%)
Dorival Jr. (340 votos – 2,71%)
Adílson Batista (98 votos – 0,78%)

A torcida está certa. Realmente, o rebaixamento para a Série B em 2016 é obra de Eurico, como o rebaixamento em 2014 foi obra de Dinamite e o de 2009 foi obra conjunta da dupla.

Eurico, que não para de falar, já disse também que não vai cumprir a promessa de se mudar para a Sibéria. Ou seja: o Vasco continuará correndo perigo.

Um prêmio de consolação para os colorados

Como dizem os gaúchos, o Internacional andou costeando o G-4, mas ficou de fora por dois pontos.

O quinto lugar do Brasileirão, embora frustrante, lhe reserva um prêmio de consolação além da cota de R$ 2,2 milhões que lhe pagará a CBF: a entrada diretamente na fase de oitavas de final da Copa do Brasil de 2016, livrando-o dos jogos cansativos e deficitários das fases iniciais.

Se não tivesse vencido o Cruzeiro neste domingo, o Inter perderia tais benesses para o Sport.

O novo mapa da elite

A única região que não emplacou nenhum time no Brasileirão de 2015 foi o Norte. Em 2016, com o rebaixamento do Goiás, o Centro-Oeste também ficará fora da mais importante competição do futebol brasileiro.

O Nordeste, representado exclusivamente pelo Sport em 2015, terá o reforço de Santa Cruz e Vitória, vindo da Série B.

O Sul, que participou de 2015 com oito representantes, perderá duas vagas – as dos rebaixados Figueirense e Joinville.

O Sudeste perderá o Vasco em 2016, mas terá de volta o Botafogo e ganhará mais um representante vindo da Série B, o América Mineiro.

Assim, de Sul a Nordeste, o  Brasileirão de 2016 terá dois times gaúchos, dois catarinenses, dois paranaenses, cinco paulistas, três cariocas, três mineiros, um baiano e dois pernambucanos

É o fim

Vascaínos choram no Couto Pereira @0612@

Encerra-se assim o domingo:

♦ Em vários jogos, antes que a bola começasse a rolar de verdade, os jogadores cruzaram os braços pedindo a renúncia do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, que espertamente está de licença.

♦ Nunca houve campeão como o Corinthians desde que o Brasileirão dos pontos corridos é disputado por 20 times.

♦ O Atlético Mineiro é o vice-campeão de 2015, repetindo o que fizera em 1977, 1980, 1999 e 2012.

♦ O São Paulo vai disputar a Libertadores de 2016, direito que Corinthians, Atlético Mineiro e Grêmio já tinham assegurado no Brasileirão e o Palmeiras na Copa do Brasil.

♦ Figueirense, Vasco e Goiás se juntam ao Joinville para disputar em 2016 a Segundona.

♦ Eurico Miranda está de mudança para a Sibéria.

Um domingo para entrar na história do Brasileirão

Além de definir o vice-campeão de 2015 e os três times que vão fazer companha ao Joinville na Segunda Divisão no ano que vem, os jogos da última rodada do Campeonato Brasileiro carregam a possibilidade de alguns feitos históricos:

♦ Bastará o empate com o Avaí para transformar o Corinthians no mais bem sucedido campeão brasileiro desde que o título por pontos corridos passou a ser disputado por 20 times em 2006. Hoje, o Corinthians tem 80 pontos, como o Cruzeiro campeão do ano passado.

♦ Se vencer em casa, como é provável, o Corinthians se tornará o campeão de melhor aproveitamento na era dos pontos corridos, com 72,8%, novamente superando o Cruzeiro, que em 2003 obteve 72,5% dos pontos que disputou em 46 rodadas.

♦ A vitória sobre a Chapecoense fará do Atlético Mineiro vice-campeão brasileiro pela quinta vez. As outras foram em 1977, 1980, 1999 e 2012.

♦ Sem os ídolos Rogério Ceni e Luís Fabiano, forçados por contusão a se despedir da camisa tricolor de fora dos campos, o São Paulo tem de pelo menos empatar com o Goiás para completar com o Corinthians e o Palmeiras o Trio de Ferro paulistano na Libertadores de 2016.

♦ Se derrotar o Coritiba e o Figueirense não vencer o Flu nem Avaí vencer o Corinthians, o Vasco escapará do terceiro rebaixamento para a Segunda Divisão depois de ter vivido 34 rodadas no Z-4.

♦ No ano em que perdeu um GreNal por 5 a 0 e venceu o Vasco por 6 a 0, o Internacional precisará  – precisaria, é melhor dizer – golear o Cruzeiro no Beira-Rio por 7 a 0 para garantir a classificação à Libertadores se der empate no jogo Goiás x São Paulo.

♦ Tendo vencido fora de casa apenas o Palmeiras, o Sport pode subir para o quinto lugar se derrotar a Ponte Preta em Campinas e o Inter não vencer o Cruzeiro. É a melhor classificação de uma equipe do Nordeste no Brasileirão disputado em pontos corridos, só alcançada uma vez – pelo Vitória, em 2013, com os mesmos 59 pontos que o Sport teria agora.

Prepare-se para viver emoções históricas a partir das 17 horas.

Maria Antonieta cola a fé na parede do Benebol

Vasco e Palmeiras coincidências @@Maria Antonieta, nossa copeira mais vascaína do que a Camila Pitanga, perde a hora, mas não perde a esperança. Depois de chegar atrasada para o expediente do sábado na redação, ainda se demorou um pouco para pregar na parede pôster que montou com um meme que circula nas redes sociais sem que nem ela saiba a fonte. Se alguém souber e passar para a gente, o blog imediatamente dará o nome do autor. Maria Antonieta não quer nem saber:

– Só sei que o Vasco vai escapar – garante.

Minha porção vascaína, vasta porção, também está cada vez mais otimista, não pelas coincidências que tanto animaram nossa Maria Antonieta, mas por ter lido o palpite do Milton Neves em seu blog  no UOL:

Coritiba 1 x 0 Vasco. Impossível o Coxa não ganhar do Vasco no Couto Pereira! Pois é, Vascão na Série B em 2016…

O Milton não costuma acertar.

Foi no primeiro turno que se decidiu (quase) tudo

Os seis times com pior campanha neste Brasileirão, quaisquer que sejam os resultados da última rodada, são exatamente os que fecharam o primeiro turno na rabeira. Só muda a ordem de classificação entre eles.

Hoje, o fundão está assim desenhado:

15° – Coritiba: 43 pontos, 11 vitórias

16° – Avaí: 41 pontos, 11vitórias

17º – Figueirense: 40 pontos, 10 vitórias

18º – Vasco: 40 pontos, 10 vitórias

19º – Goiás: 38 pontos, 10 vitórias

20º – Joinville: 31 pontos, 7 vitórias

O primeiro turno acabou assim:

15° – Figueirense: 20 pontos, 5 vitórias

16° – Avaí: 20 pontos, 5 vitórias

17º – Goiás: 19 pontos, 4 vitórias

18º – Coritiba: 18 pontos, 4 vitórias

19º – Joinville: 16 pontos, 4 vitórias

20º – Vasco: 13 pontos, 3 vitórias

Nem todos foram tão mal no returno, porém.  Contando apenas os seus 18 jogos, o Vasco é o oitavo colocado, com 27 pontos; o Coritiba é o 12º, com 25; e o Avaí é o 13º, com 21.

Antes que a bole role amanhã, os times de pior campanha no segundo turno são:

15° – Figueirense: 20 pontos, 5 vitórias

16º – Goiás: 19 pontos, 6 vitórias

17° – Palmeiras: 19 pontos, 5 vitórias

18º – Chapecoense: 19 pontos, 4 vitórias

19º – Joinville: 15 pontos, 3 vitórias

20º – Fluminense: 14 pontos, 4 vitórias

Duas observações:

♦ O Figueirense está fazendo uma campanha tão equilibrada quanto o campeão Corinthians – repetindo no returno o número de pontos e de vitórias que obteve no turno.

♦ O que salva o Fluminense do rebaixamento é a campanha no primeiro turno – com 33 pontos e dez vitórias, Fred e companhia estavam no G-4.

A felicidade verde vai custar caro ao Santos

Dorival e Marcelo: finalíssima da Copa do Brasil valeu mais do que o título

Dorival e Marcelo: final da Copa do Brasil valeu mais do que o título

O Palmeiras ganhou na madrugada desta quinta-feira mais do que o título de campeão da Copa do Brasil.

Provavelmente ganhou um grande técnico, pois, num futebol tão imediatista e apegado apenas aos resultados, não era de estranhar que o perdesse se não tivesse conquistado o caneco.

Sim, ele já está lá. É Marcelo Oliveira, campeão brasileiro em 2013 e 2014 com o Cruzeiro e agora campeão do Brasil com o Palmeiras.

Marcelo também ganhou mais do que o título que, em três oportunidades anteriores, deixara escapar na finalíssima. Ganhou a chance de fazer um Palmeiras mais ao seu feitio, que goste da bola aos pés e saiba variar o ritmo ao longo das partidas.

Chegou-se a vislumbrar um Palmeiras com tais características em alguns poucos jogos desta temporada, mas foi ilusão passageira que logo se desfez nas etapas mais duras do Brasileirão e da Copa do Brasil.

O jogo apressado, de bolas longas e muitos cruzamentos, ganhará variações na próxima temporada, pois certamente o Palmeiras se reforçará para disputar o título da Libertadores com jogadores capazes de dar mais estabilidade à defesa,  consciência ao meio de campo e opções ao técnico no banco.

Campeão da Copa do Brasil, com a perspectiva de faturar bem com os jogos da Libertadores e até – por que não? – de chegar ao Mundial de Clubes no final de 2016,  o Palmeiras ganhou fôlego para fazer novos investimentos.

Um Lucas Lima seria o suficiente para refigurar criativamente o time.

Não adianta, porém, sonhar o impossível. Marcelo Oliveira e Alexandre Mattos que tratem de encontrar soluções no campo do possível.

Ficou muito difícil até para o Santos segurar o craque no Brasil.

O Santos perdeu no Allianz Parque mais do que o título.

Disputar a Libertadores seria a chance de manter um mínimo de viabilidade econômica no próximo exercício. Muito provavelmente o clube vai ter de se desfazer de seu maior craque para salvar o caixa em 2016.

Parte do obrigatório voto de pobreza será debitando na conta de Dorival Júnior, que optou por poupar os titulares nas últimas rodadas do Brasileirão e concentrar todas as forças na decisão da Copa do Brasil.

É verdade que o Santos estaria no G-4 do Brasileirão se tivesse vencido os jogos contra o Coritiba e o Vasco que seus reservas perderam, mas ficou também claro na derrota para o Palmeiras que o time titular já não tinha força para dar conta dos compromissos nas duas frentes – tanto que David Braz,  Gabigol e Thiago Maia, sem condições físicas, não suportaram ficar em campo até o fim.

Talvez Dorival e sua comissão técnica devessem ter optado por mesclar titulares e reservas mais cedo no Brasileirão, como fizeram outras equipes, mas agora é fácil palpitar. O que faltou ao Santos nesta temporada foi um elenco mais numeroso.

Falta investimento no futebol profissional ao clube que toca com tanta competência as divisões de base.

É incrível como, graças a um trabalho persistente e bem feito, o clube tem facilidade para revelar talentos e enorme dificuldade para administrar o futebol como negócio, arrecada pouco na bilheteria, não amplia a base pagante de sócios torcedores e não motiva eventuais patrocinadores.

Por tudo isso, mais uma vez o Santos vai ser obrigado a desmontar uma equipe que em campo se mostrou capaz de fazer a felicidade de seus torcedores nos próximos tempos. Não será fácil o ano de 2016 para os santistas.

Hoje a felicidade é verde.