Arquivo mensal: maio 2015

Fred detona Flamengo e agradece ao garoto Gerson

Após marcar terceiro gol, Fred reverencia Gerson

Após marcar terceiro gol, Fred reverencia Gerson

Alguma coisa está acontecendo no futebol brasileiro além da tradicional troca de treinadores: pela segunda vez consecutiva, o Flamengo é prejudicado pela arbitragem.

Na terceira rodada do Brasileirão, o Fla de Vanderlei Luxemburgo foi derrotado pelo Avaí com um gol ilegal; agora há pouco, pela quarta rodada, o Fla de Cristóvão Borges perdeu por 3 a 2 para o Fluminense, que abriu o placar com um pênalti inventado por Sandro Meira Ricci.

Foram dois gols de Fred e um, contra, de Pará  num clássico marcado por mais uma bela atuação do garoto Gerson, que, contundido, teve de sair de campo aos 6 minutos do segundo tempo, bem na hora em que o árbitro, como se quisesse compensar o pênalti mal marcado, tinha expulsado erradamente o lateral Giovanni.

Antes de sair, ainda na comemoração do terceiro gol tricolor, Gerson foi reverenciado por Fred, que se ajoelhou no gramado do Maracanã para beijar seus pés em agradecimento à bola redondinha que dele recebeu.

O garoto que fez 18 anos no dia 20 deixou o Flu vencendo por 3 a 1, mas o Fla ainda conseguiu diminuir para 3 a 2 aos 40 minutos.

A vitória deixa o Flu em oitavo lugar, a um pontinho só do G-4, e afunda o Flamengo na zona de rebaixamento, uma posição à frente do lanterninha Joinville, mas atrás de Cruzeiro, que perdeu por 2 a 1 para o Figueirense no outro jogo da noite, e Vasco, que já tinha sido trucidado à tarde pelo Atlético Mineiro.

Anúncios

Brasileirão derruba os profetas

Zé Roberto e Valdivia festejam vitoria palmeirense

Zé Roberto e Valdivia festejam vitoria palmeirense

Se o Campeonato Brasileiro terminasse hoje, seria a falência dos videntes, profetas e palpiteiros.

Ainda faltam o Fla-Flu e Figueirense x Cruzeiro, mas os resultados não influirão no G-4, que assim está desenhado: em primeiro, com nove pontos, o Atlético Paranaense; pela ordem, seguem-se Sport, Ponte Preta e Goiás, todos com oito.

No Z-4 é que a ordem pode ser mexida depois dos jogos da noite.

O Brasileirão vai fechar a quarta rodada mais ou menos embolado, com uma diferença de oito pontos entre o líder Atlético Paranaense e o lanterninha Joinville, mas já põe em risco a renovação que Tite vem sendo forçado a fazer no Corinthians, que perdeu em casa para o Palmeiras de Zé Roberto e Valdivia por 2 a 0. Outros grandes também começam a ser pressionados a reagir imediatamente se não quiserem ficar para trás na briga pelo título e até pelas vagas na Libertadores de 2016.

Os jogos da manhã e da tarde melhoraram estatisticamente o desempenho dos visitantes, que, depois de duas vitórias no sábado, conquistaram mais uma neste domingo, que registrou outros três empates – Santos 2 x 2 Sport, Internacional 0 x 0 São Paulo e Goiás 1 x 1 Grêmio.

O Inter ainda está com a cabeça na Libertadores, que só voltará após a Copa América, mas o Atlético Mineiro voltou com força ao Brasileirão e trucidou o Vasco no Independência fazendo 3 a 0 logo no primeiro tempo para se resguardar no segundo.

Seria demais querer que o fraquinho Vasco limpasse a barra dos visitantes no Independência.

Rei Pelé não vai mais ver o Mogi

Rivaldo demite Edinho - Foto: Geraldo Bertanha/Mogi Mirim

Rivaldo demite Edinho – Foto: Geraldo Bertanha/Mogi Mirim

Após o empate de ontem com o Oeste por 0 a 0 pela quarta rodada da Segundona, o técnico Edinho Nascimento, filho Dele, foi demitido pelo presidente Rivaldo Ferreira, ainda no vestiário do Mogi Mirim,  com uma explicação bem manjada:

– Infelizmente, o futebol profissional vive de resultados.

Foi o quarto jogo de Edinho no comando técnico do time e o segundo empate consecutivo, após duas derrotas.

Detalhe: no 0 a 0 com o Oeste, dois jogadores do Mogi foram expulsos na metade do segundo tempo por reclamação. Continuam empregados.

E o Rei Pelé, que havia prometido ir ao campo para ver um dos jogos do Mogi, está livre da obrigação.

Um brasileiro nas semifinais de Roland Garros

O brasileiro Bruno Soares e o austríaco Alexander Peya venceram, há pouco,  os argentinos Carlos Berlocq e Leonardo Mayer por 2 sets a 0 e vão enfrentar, nas quartas de final de Roland Garros,   o brasileiro Marcelo Melo e o croata Ivan Dodig,  que ontem derrotaram o francês Edouard Roger-Vasselin e o espanhol Guillermo Garcia-Lopez, também por  2 sets a 0.

Assim, o Brasil estará nas semifinais de duplas do torneio francês – com Soares ou com Melo.

O bailarino que desmonta o tic-tac dos espanhóis

Neymar ensaia carretilha diante de Bustinza

Neymar ensaia carretilha diante de Bustinza, do Athletic Bilbao

Imagine Garrincha jogando em campos espanhóis, parando diante de laterais e zagueiros com a bola aos pés para fingir que ia sair em disparada, deixando-os correr atrás da alucinação enquanto ele, parado, os esperava de volta para, então, entortá-los com um drible desmoralizante e arrancar rumo ao gol ou à linha de fundo para o cruzamento perfeito que um companheiro finalizaria em gol.

– Não me parece nada elegante e nada esportivo – diria um Juan daqueles tempos.

– Se eu fosse jogador do time deles, teria reagido igual ou pior, mas no Brasil isso é normal – diria o treinador de sua equipe, desculpando pontapés e safanões disparados contra ele pelos adversários.

Sim, o drible, o chapéu, a carretilha, o gol de letra, a firula são normais no Brasil, berço da mais vitoriosa e invejada escola do futebol em todo o vasto mundo da bola, menos nesta Espanha que cultiva o tic-tac como se fosse a verdade única de um esporte que é o que é porque une, como nenhum outro, espírito coletivo e criatividade individual.

É verdade que o tiqui-taca, consagrado pelo Barcelona de Pep Guardiola e assumido em feição menos objetiva pela seleção de Vicente del Bosque, deu ao futebol espanhol os títulos europeus e mundiais de clubes de 2009 e 2011 e fez da Espanha a campeã do mundo em 2010.

Convém lembrar, porém: o Barça tinha e tem Messi, a seleção faturou o caneco na África do Sul com uma derrota e seis vitórias, quatro delas por 1 a 0, marcando apenas oito golzinhos em sete jogos, recorde negativo na história das Copas.

Nem todos curtem o estilo excessivamente baseado no toque de bola, mas pouco inventivo e avaro em gols. O alemão Franz Beckenbauer, um dos maiores craques do futebol em todos os tempos, campeão do mundo como jogador  em 1974 e como técnico em 1990, presidente de honra do Bayern, parece sintetizar a opinião dos críticos quando debochou da contratação de Guardiola pelo clube:

– Provavelmente, terminaremos jogando como o Barcelona e ninguém vai querer nos ver.

O Barcelona mudou muito, hoje é bem mais esfuziante, privilegia o espetáculo, goleia, goleia, goleia e brilha nos pés de Messi, Suárez e Neymar.

Os espanhóis não perdoam, porém, que o jovem craque brasileiro abuse do talento no confronto direto com seus marcadores. Até Luis Enrique, o treinador atual do Barça, reagiu criticamente à carretilha com que Neymar ensaiou um chapéu em Bustinza no final dos 3 a 1 de ontem sobre o Athletic Bilbao e apoiou a reação histérica dos adversários:

– Se eu fosse jogador do Athletic teria reagido igual ou pior ao que fez o Neymar, mas no Brasil isso é normal.

Ainda bem que o moleque de 23 anos não está nem aí para tanta ranzinzice:

– É o meu jeito de jogar. Não vou mudar o meu futebol porque alguém ficou estressado. Foi um drible como qualquer outro.

Sobre Neymar, estes espanhóis ranzinzas deveriam ler o brasileiro Sérgio Rodrigues, autor de O Drible, que escreveu certa vez:

– Neymar é a mais rara das aves na fauna do futebol: um bailarino-artilheiro, um malabarista que esbanja invenção sem jamais perder de vista que, se a arte é bem-vinda no futebol, só costuma virar obra-prima quando a rede balança.

Brasileirão: será a rodada dos visitantes?

Se o futebol fosse um jogo de probabilidades, como gostariam alguns exagerados amantes da estatística, os jogos que abriram a quarta rodada do Brasileirão teriam resultados diferentes.

Nas 30 partidas anteriores, apenas dois visitantes tinham vencido, ambos por 1 a 0: o Goiás bateu o Palmeiras na terceira rodada, o Corinthians bateu os reservas do Cruzeiro, logo na primeira rodada, em campo neutro, a Arena Pantanal.

Nos três jogos de ontem, dia 30, tivemos duas vitórias dos visitantes, uma aberração estatística se levarmos em conta a amostragem anterior: por 2 a 1, o Avaí derrotou o Coritiba no Paraná, e o Atlético Paranaense derrotou o Joinville em Santa Catarina.

Tirando o Fla-Flu no neutro e mal conservado gramado do Maracanã, correrão em campos do Centro-Oeste, do Sudeste e do Sul outras possibilidades de chacoalhar as estatísticas neste domingo:

  • No Serra Dourada, Goiás x Grêmio
  • No Independência, Atlético Mineiro x Vasco
  • No Itaquerão, Corinthians x Palmeiras
  • Na Vila Belmiro, Santos x Sport
  • No Beira-Rio, Internacional x São Paulo
  • No Orlando Scarpelli, Figueirense x Cruzeiro

Curiosamente, são todos confrontos que valem, em si, a inversão da posição na tabela dos adversários. Em nenhum dos jogos, os times estão separados por mais de três pontos.

O futebol é um jogo de possibilidades. E, muitas vezes, dá o impossível entra na área.

Vamos, pois, às emoções do domingo.

Assim se conta a história da Copa do Rei

Messi Barça 305Foi bonita a festa no Camp Nou: Lionel Messi reinou soberanamente mais uma vez

Mais uma obra-prima de Messi, mais um gol de Neymar, mais um título do Barcelona, que acaba de bater o Athletic Bilbao no Camp Nou por 3 a 1 e conquistar o título da Copa do Rei.

Falta agora ao campeão espanhol o título da Liga dos Campões da Europa para fechar a temporada com a tríplice coroa.

Essa é uma conversa para o próximo sábado, 6 de junho, que envolve um adversário muito mais qualificado, que também quer chegar à tríplice coroa no encerramento da temporada europeia em Berlim, depois de conquistar os títulos do Campeonato Italiano e da Copa da Itália.

Em Barcelona, de onde pode ter se despedido o nosso Daniel Alves com direito a um penteado para sempre inesquecível, despediu-se mais uma vez o o inesquecível capitão Xavi, novamente homenageado pela torcida como um dos seus maiores craques em todos os tempos.

Foi bonita a festa que também consagrou o nosso Neymar como um dos artilheiros da Copa dos Reis e caprichoso encrenqueiro com a bola nos pés, cultor de firulas como o misto de carretilha e chapéu que procurava encurtar o caminho para o gol, mas apenas tirou do sério o lateral Bustinza e por pouco não transformou o espetáculo em batalha campal.

Durante muitas décadas, faltou talento ao futebol espanhol. Hoje lhe falta senso de humor. A criatividade alheia é tratada por alguns jogadores como ofensa pessoal. Os muito toscos que nos perdoem, mas a firula é fundamental – desde que tenha como objetivo a definição da jogada, claro.

O Barça ganhou neste sábado o menos importante dos três títulos que cobiça desde o começo da temporada, mas ninguém vai esquecer este jogo por muito tempo – e, acima de tudo, pelo primeiro dos dois gols assinados por Lionel Messi, aquele em que ele driblou meio mundo, no campo e nas arquibancadas, antes mandar a bola com jeito e com força no cantinho do goleiro Herrerín.

Assim se conta a história da Copa do Rei Lionel Messi 1º.  E único.