Arquivo diário: 12 de maio de 2015

Um caso de amor com a bola

Neymar e a bola

Ele gosta da bola tanto quanto a bola gosta dele.

Dele, bem se poderia dizer o que Armando Nogueira disse do Rei Pelé, que é seu íolo e também seu fã: “Se não tivesse nascido homem, teria nascido bola”.

Tem dificuldade para se desgrudar dela. Trata-a com requinte de amante, apaixonadamente, como se tivesse lido o francês Jean Giraudoux, que escreveu certa vez: “A bola não admite truques, só efeitos sublimes”.

Em campo, reinventa a geometria: depois de embalá-la sinuosamente, dá-lhe curso em linha reta para fazê-la adormecer nas redes do goleiro adversário.

É sempre surpreendente, menos para parceiros tão especiais quanto Lionel Messi e, especialmente neste histórico 2 a 3 diante do Bayern, Luis Suárez. Afinal, os três desenham o futebol na mesma prancheta.

Neymar da Silva Santos Júnior é o nome dele.

Escreve nos campos uma bela história desde que estreou como profissional pelo Santos em 2009, com apenas 17 anos, é campeão da Libertadores, da Copa do Brasil, tricampeão paulista, e agora está iniciando uma nova série de títulos com a camisa do Barcelona.

Pouca importa a derrota desta terça-feira em Munique. Neymar bancou a ida do Barça à final da Liga dos Campeões da Europa no dia 6 de junho em Munique, contra o vencedor do Real Madrid x Juventus de amanhã.

O Bayern chegou a ensaiar um milagre, marcando logo aos sete um dos três gols necessários para não morrer nos 90 minutos, mas ele tratou logo desfazer a alegria alemã. Aos 15, empatou; aos 29, virou.

Agora a um gol do parceiro Messi na lista de artilheiros, Neymar é o primeiro jogador em toda a história do Barcelona a marcar gols nos dois jogos das semifinais da Liga dos Campeões da Europa.

Nada mais natural que, encerrado o primeiro tempo, tenha ficado mais um pouquinho em campo para dar à bola, com as mãos, o tratamento especial que nunca lhe nega com os pés.

Pouco importa que, no segundo tempo, o Bayern tenha virado o placar do jogo. A história do jogo levará para sempre a assinatura do brasileiro Neymar.

A Justiça entra em campo contra o racismo

Danilo Larangeira, atualmente na Udinese, vai ter de pagar 100 salários mínimos a Manoel Carvalho, do Cruzeiro, por tê-lo chamado de “macaco do caralho” e cuspido nele no jogo Palmeiras 1 x 0 Atlético Paranaense, pela Copa do Brasil, em 15 de abril de 2010.

A decisão da 8ª câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo foi publicada hoje no Migalhas, site que cobre com absoluta competência o dia a dia da Justiça.

Em primeira instância, a condenação do ex-palmeirense por injúria racial  tinha sido de um ano de reclusão, em regime aberto, “substituída por prestação pecuniária equivalente a 500 salários-mínimos”.

O tribunal reduziu o valor após o recurso do zagueiro, mas não aceitou sua alegação de que “a tal situação ocorreu após entraves normais de uma partida de futebol”.

O desembargador Lauro Mens de Mello, relator do processo, deixou claro o fato de a injúria ocorrer durante uma disputa de bola não afasta o crime:

– Muito fácil a prática de injúria racial e depois a alegação de que tudo não se passava de um impulso praticado durante partida de futebol.

Fica a lição para os racistas que infestam nossos campos de futebol – e até os salões do Superior Tribunal de Justiça Esportiva.

O presidente viajou à toa: Robinho está livre

Foto de Robinho: Ricardo Saibun/Santos FC

                                    Foto de Robinho: Ricardo Saibun/Santos FC

O presidente Modesto Roma poderia ter poupado o dinheiro da viagem à  Itália, com o propósito declarado de negociar com o Milan a liberação de Robinho, pois o jogador e o clube italiano “já assinaram a rescisão” do contrato que venceria no meio do ano que vem – informou, hoje cedo, sua advogada e representante, Marisa Alija, ao ESPN.com.br.

O problema é que agora as despesas com Robinho ficam totalmente por conta do Santos, que não lhe paga há algum tempo. Parte do salário do jogador ainda era paga pelo Milan.

Será que Robinho, agora livre para assinar com quem quiser, continuará no Santos?

A resposta interessa muito ao Flamengo e ao Cruzeiro.

O que os números não explicam

Messi, Neymar e Suárez dispensam explicações

Messi, Neymar e Suárez dispensam explicações

Segundo levantamento da Uefa, o Bayern tem mais posse de bola, troca mais passes, finaliza mais, acerta mais o gol, marca mais gols, comete mais faltas, leva mais cartões amarelos e vermelhos do que o Barcelona nos jogos da Liga dos Campeões.

Se você quiser conferir os números, clique aqui.

Os números explicam muito, mas não explicam tudo no futebol.

Um time com Messi, Neymar e Suárez dispensa explicações…

Números, números, números…

Não é impossível a tarefa que cabe hoje ao Bayern, em Munique, para chegar à final da Liga dos Campeões.

Em 2013, igualmente nas semifinais da mais importante competição de clubes do futebol mundial, o Bayern bateu duas vezes o Barça – na Alemanha, no dia 23 de abril, por 4 a 0; na Espanha, no dia 1º de maio, por 3 a 0.

Ou seja: se repetir o placar de Munique, risca Messi e companhia do mapa e vai para a final do dia 6 de junho em Berlim contra o vencedor do confronto Real Madrid x Juventus; se repetir nos 90 minutos o feito de Barcelona, vai para a prorrogação e, neste caso, continua em andamento o placar do jogo. Assim, mantido o 3 a 0, a vaga na final será decidida em cobrança de pênaltis; um 4 a 1 classifica o Barça.

Não é nada fácil a tarefa que cabe hoje ao Bayern, né?

Até porque o Barcelona não perde um jogo por diferença de três gols desde aquele vexame em dose dupla diante do próprio Bayern há dois anos.

Na atual temporada, o Barça não perdeu nenhum dos últimos 18 jogos que disputou em diferentes competições. Empatou um e venceu 17. Nos últimos sete, não sofreu um gol sequer.