Arquivo da categoria: Futebol

Quase o Real dança no Bernabéu

Por essa poucos esperavam: o Schalke 04, que tinha perdido o primeiro jogo em casa por 0 a 2, acaba de bater o Real Madrid no Santiago Bernabéu por 4 a 3 e, assim, ficou a um golzinho da vaga nas quartas de final da Liga dos Campeões da Europa.

Foi um jogo emocionante, de ótima qualidade técnica e muita disposição no primeiro tempo, de mais disposição do que qualidade no segundo, em que o Schalke superpovoou o meio de campo, mostrou mais organização durante todos os 90 minutos e contou com a ajuda do veterano Casillas nos dois primeiros gols – o do 1 a 0 e o do 2 a 1. No terceiro, um belo chute de fora da área do alemão Leroy Sané, o goleiro espanhol não ajudou nem atrabalhou. Apenas assistiu, embevecido.

Cristiano Ronaldo não chegou a ser brilhante, mas salvou o atual campeão europeu de um vexame maior, marcando de cabeça os dois gols que fecharam em empate o primeiro tempo.

Detalhe que revela a distância enorme que separa hoje o melhor futebol europeu daquele que os brasileiros andam praticando por aqui: houve 11 faltas em toda a partida.

Relembrando: o São Paulo 0 x 1 Corinthians do domingo, pelo Paulistão, teve 50 faltas.

O Corinthians desafina fora de campo

O ex-presidente Andrés Sanchez, nomeado “superintendente de futebol” pela nova administração corintiana, avisa que o clube vai reduzir a folha de pagamentos do elenco e, para tal, tão logo feche sua participação na Libertadores, dispensará jogadores que ganham muito.

Reservadamente, outros dirigentes corintianos, no entanto, se mostra cada vez mais animados com a possibilidade de trazer da Ucrânia o atacante Bernard, que seria emprestado ao Corinthians pelo Shakhtar Donetsk.

O ex-atleticano, em baixa no clube ucraniano, recebe por mês algo equivalente a R$ 1 milhão mensais.

Ou seja: o afinado Corinthians que se tem visto em campo vai desafinando do lado de fora.

Alguém duvida do prestígio de Neymar no Barça?

E não é que o Barcelona deu quatro dias de folga a Neymar para que ele viesse ao Brasil? “O jogador tem uma permissão nossa por motivos pessoais” – informou o técnico Luis Enrique, cobrado por jornalistas espanhois em entrevista coletiva.

O motivo, personalíssimo, foi a animadíssima festa de aniversário de 19 anos anos da irmã Rafaella, na noite desta segunda-feira em badalada casa noturna da Vila Olímpia paulistana.

Não pode haver prova mais eloquente do prestígio atual do craque brasileiro em Barcelona. Folga deste tipo nem Messi tinha arrancado do clube catalão até hoje.

E por falar em Guga…

Era 8 de junho 1997, dia em que Guga conquistaria pela primeira vez o título em Roland Garros. Rolava na mesma época o Torneio da França, ensaio para a Copa do Mundo do ano seguinte. Ainda não havia a Copa das Confederações.  Estávamos em Lyon para acompanhar o Brasil x Itália que acabaria em 3 a 3. Imagine-se a balbúrdia de uns cinqüenta jornalistas brasileiros em torno do televisor que, na sala de imprensa do Estádio Gerland, exibia a vitória de Guga sobre o espanhol Sergi Bruguera em Roland Garros. Foi quando um coleguinha francês se aproximou e, impressionado com a animação dos brasileiros, quis saber:

– Há muito interesse pelo tênis no Brasil?

Sempre ligado em tudo, mas pouco íntimo da língua francesa, Oldemário Touguinhó, um dos maiores repórteres esportivos de nossa história, perguntou o que o francês havia perguntado e mandou a resposta, imediatamente traduzida para o interessado:

– Há um interesse enorme. Meu filho não pode sair de tênis novo no Rio que sempre o afanam.

Basta de intermediário

Embora seja o time com maior número de pontos no Paulistão, 20 em oito jogos, e só tenha um índice de aproveitamento menor do que o Corinthians, o Santos está sem técnico.

Enderson Moreira não escalava Gabigol e foi demitido pelo presidente Modesto Roma Júnior.

No ano passado, em pleno Brasileirão, Oswaldo Oliveira, que não escalava Leandro Damião, fora trocado por Enderson. O então presidente Odílio Rodrigues assinou a demissão.

Agora, Modesto Roma quer contratar Vagner Mancini ou Dorival Junior, curiosamente demitidos pelo Santos há poucos anos.

Por que a presidência do Santos não incorpora logo as funções de técnico do time de futebol?

Pouca gente para ver os clássicos

Com exceção do Cruzeiro 1 x 1 Atlético, que levou 35.390 pessoas ao Mineirão, os grandes clássicos regionais deste domingo mobilizaram um público decepcionante: 24.891 viram Fluminense 3 x 1 Botafogo no Maracanã e apenas 18.720 foram ver São Paulo 0 x 1 Corinthians no Morumbi.

Estamos falando de público total, não apenas de pagantes.

Enquanto isso, nos Estados Unidos, o  Orlando City de Kaká estreou na  Major League Soccer empatando por 1 a 1 com o New York City diante de 62.510 pagantes.

Rogério Ceni decidiu o jogo

O próprio Rogério Ceni admitiu, sem rodeios, ao fim do clássico vencido pelo Corinthians no Morumbi: se tivesse feito o gol na cobrança de pênalti aos 10 minutos do segundo tempo, o São Paulo poderia até reverter o 1 a 0 em vitória. O goleiro não se criticou, porém, pela lentidão na tentativa de defender o chute de direita do corintiano Danilo que definiu o placar logo aos 11 minutos do primeiro tempo. Já seria querer demais tanta autocrítica do goleirão tricolor.

Rogério foi, pois, o homem que decidiu o jogo, dando ao Corinthians a segunda vitória neste começo de temporada sobre o grande rival – a primeira, pela Libertadores, em Itaquera; esta de hoje, pelo Paulistão.

Os são-paulinos saíram menos frustrados do Morumbi. Afinal, o time jogou melhor do que o Corinthians, teve a posse de bola em uns dois terços da partida, fez Cássio trabalhar mais do que Rogério. Depois da fria performance diante dos corintianos no jogo da Libertadores, o São Paulo mostrou determinação e alguma força dentro de casa. Faltou-lhe, talvez, mais frieza para definir os lances de ataque.

Frieza é o que não falta a este Corinthians que Tite vai remontando com a competência defensiva de sempre e um renovado apetite no ataque. A esta altura do ano, talvez seja cedo para fazer tal aposta, mas o Corinthians tem dado sinais de que pode ser o melhor time do País em 2015.

A conferir em competições mais importantes do que este Paulistão tão espichado quanto insosso.

A única novidade são os estádios

Daqui a pouco mais de quatro meses, se completará um ano do mais estrondoso vexame vivido pelo futebol brasileiro desde que Charles Miller voltou de uma temporada de estudos na Inglaterra com duas bolas, um par de chuteiras, alguns uniformes e uma cópia das regras do jogo e começou o trabalho de difusão do novo esporte no País.

O aniversário da derrota por 7 a 1 para a Alemanha, nas semifinais da Copa do Mundo de 2014, será duplamente lamentado – tanto pelo vexame em si quanto pela situação de penúria em que continua afundado o nosso futebol doméstico.

Desde a tragédia do dia 8 de julho, testemunhada no Mineirão por 58.141 incrédulos torcedores de todo o mundo, cresceu a dívida dos grandes clubes, vários bons jogadores deram adeus aos campos do Brasil, desmontaram-se dois ou três bons times  ainda em formação, acumulam-se os atos de violência das torcidas ditas organizadas de Norte a Sul, fortificou-se o lobby da Globo contra o Brasileirão dos pontos corridos.

A única boa novidade pós-Copa são os modernos estádios que deveriam estar recebendo mais gente e jogos de melhor qualidade técnica.

Hoje, ninguém sabe o que será o futebol brasileiro de amanhã. Por quer diabos, então, voltar a publicar um blog sobre esportes, especialmente sobre o nosso futebol de cada dia? Desculpe repetir aqui o que escrevi na coluna Apito Legal, publicada no site Migalhas, no dia seguinte à conquista do título mundial pela Alemanha:

– São tantas as análises, os meros palpites, as boas e más intenções, os interesses dissimulados ou ostensivos publicados nos últimos dias sobre o que fazer com o futebol brasileiro nos próximos tempos que mal consigo digerí-los e processá-los. Esta é uma discussão e uma tarefa de todos os brasileiros que se interessam pelo futebol. Foi a sociedade que o criou e tantas vezes o reinventou pelos campos do Brasil afora. É, portanto, a nação que pode salvá-lo mais uma vez – e não cartolas ou governantes.

Na esperança, talvez vã, de dialogar com todos os brasileiros que se interessam pelo futebol, aqui estou de volta, pouco antes de São Paulo e Corinthians se enfrentarem pela segunda vez nesta temporada de 2015, que está apenas começando.

Neste domingo, nem o estádio é novidade. O jogo, pelo velho Paulistão, será no vetusto Morumbi.