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Futebol faz lobby no Congresso para não pagar impostos

O Congresso Nacional decide, nesta terça-feira, se mantém ou reverte o veto da presidente Dilma Rousseff ao artigo do Profut que dá tratamento fiscal escandalosamente generoso aos clubes que se transformarem em empresas – cobrando-lhes apenas uma contribuição única de 5% sobre o faturamento mensal, abrangendo todas as receitas, inclusive financeiras.

Estes 5% saldariam IRPJ, PIS/PASEP, CSLL, COFINS et cetera, etc. e bota etc. nisso.

A pressão de cartolas e lobistas sobre deputados e senadores é enorme.

O Profut, sigla de Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro, beira a irresponsabilidade ao perdoar boa parte das dívidas acumuladas pelos clubes nos últimos anos e lhes dar 20 anos de prazo para saldar o que não foi perdoado.

Os clubes querem mais. Era só o que faltava!

Consultor de marketing e gestão esportiva, Amir Somoggi define, em entrevista recente   a Hiltor Mombach, editor de esportes  e blogueiro do Correio do Povo, o que está acontecendo no mundo da bola enquanto os cidadãos e as empresas do mundo real convivem com a expectativa de pagar mais impostos:

– O certo seria os clubes pagarem por mês ao longo de 20 anos e quitarem sua dívida como qualquer empresa. Os clubes conseguiram uma oportunidade única de pagar com regras bem vantajosas. No início, o pagamento será mais baixo; mais para frente, mais alto. É sempre bom lembrar que os clubes devem porque não recolhem impostos e contribuições sociais há décadas. Pagam salários fora da realidade e não pagam o que devem ao governo, sempre esperando ajuda. A ajuda mais uma vez chegou.

O especialista acha que o Profut pode ter resultados positivos para o futebol brasileiro se os clubes finalmente quitarem as dívidas e adotarem um projeto de reestruturação administrativa-financeira, mas critica os “muitos descontos para os maus pagadores e nenhum benefício para os que pagaram em dia” e adverte:

– Para voltar a ter equilíbrio e pagar as parcelas mensais corrigidas pela Selic, precisarão cortar custos e/ou aumentar receitas. Se não fizerem isso, podem em alguns anos entrar em desacordo com a Lei que fala em redução progressiva dos déficits e pagamento em dia das dívidas.

Ou seja: daqui a não muito tempo, podem estar pedindo uma nova lei com os velhos descontos.

Atualização

O Congresso manteve o veto da presidente Dilma Rousseff ao artigo do Profut que dava uma enorme colher de chá aos clubes que viessem a se transformar em empresa.

O futebol continua igual às outras atividades perante o Fisco. Nada mais justo.

Que história é essa de falar a verdade?

Informa o blogueiro  Daniel Brito, no UOL: os cartolas Reinaldo Carneiro Bastos, da Federação Paulista de Futebol; Mauro Carmélio Costa Júnior, do Cesará; André Luiz Pitta Pires, de Goiás; Evandro Carvalho, de Pernambuco; Gustavo Vieira, do do Espírito Santo; e Heitor Luiz da Costa Junior, de Rondônia, “se recusaram a assinar o termo de compromisso de falar somente a verdade” ao depor hoje na CPI do Futebol no Senado.

Faz sentido.

CBF, um exemplo de utilidade pública

O site da CBF traz uma notícia, postada às 22 horas da quinta-feira, 20 de agosto, que vai mudar a história do futebol e, certamente por isso, ganhou chamada, com direito a foto, na primeira página:

O presidente Federação Bahiana de Futebol, Ednaldo Rodrigues, recebeu nesta quinta-feira (20), uma camisa da Seleção Brasileira Feminina – campeã dos Jogos Pan-Americanos de Toronto 2015 – das mãos do coordenador de Futebol Feminino da CBF, Marco Aurélio Cunha.

A informação é acompanhada por quatro fotos e um vídeo que registram o encontro histórico.