Arquivo mensal: março 2015

Rogério Ceni decidiu o jogo

O próprio Rogério Ceni admitiu, sem rodeios, ao fim do clássico vencido pelo Corinthians no Morumbi: se tivesse feito o gol na cobrança de pênalti aos 10 minutos do segundo tempo, o São Paulo poderia até reverter o 1 a 0 em vitória. O goleiro não se criticou, porém, pela lentidão na tentativa de defender o chute de direita do corintiano Danilo que definiu o placar logo aos 11 minutos do primeiro tempo. Já seria querer demais tanta autocrítica do goleirão tricolor.

Rogério foi, pois, o homem que decidiu o jogo, dando ao Corinthians a segunda vitória neste começo de temporada sobre o grande rival – a primeira, pela Libertadores, em Itaquera; esta de hoje, pelo Paulistão.

Os são-paulinos saíram menos frustrados do Morumbi. Afinal, o time jogou melhor do que o Corinthians, teve a posse de bola em uns dois terços da partida, fez Cássio trabalhar mais do que Rogério. Depois da fria performance diante dos corintianos no jogo da Libertadores, o São Paulo mostrou determinação e alguma força dentro de casa. Faltou-lhe, talvez, mais frieza para definir os lances de ataque.

Frieza é o que não falta a este Corinthians que Tite vai remontando com a competência defensiva de sempre e um renovado apetite no ataque. A esta altura do ano, talvez seja cedo para fazer tal aposta, mas o Corinthians tem dado sinais de que pode ser o melhor time do País em 2015.

A conferir em competições mais importantes do que este Paulistão tão espichado quanto insosso.

A única novidade são os estádios

Daqui a pouco mais de quatro meses, se completará um ano do mais estrondoso vexame vivido pelo futebol brasileiro desde que Charles Miller voltou de uma temporada de estudos na Inglaterra com duas bolas, um par de chuteiras, alguns uniformes e uma cópia das regras do jogo e começou o trabalho de difusão do novo esporte no País.

O aniversário da derrota por 7 a 1 para a Alemanha, nas semifinais da Copa do Mundo de 2014, será duplamente lamentado – tanto pelo vexame em si quanto pela situação de penúria em que continua afundado o nosso futebol doméstico.

Desde a tragédia do dia 8 de julho, testemunhada no Mineirão por 58.141 incrédulos torcedores de todo o mundo, cresceu a dívida dos grandes clubes, vários bons jogadores deram adeus aos campos do Brasil, desmontaram-se dois ou três bons times  ainda em formação, acumulam-se os atos de violência das torcidas ditas organizadas de Norte a Sul, fortificou-se o lobby da Globo contra o Brasileirão dos pontos corridos.

A única boa novidade pós-Copa são os modernos estádios que deveriam estar recebendo mais gente e jogos de melhor qualidade técnica.

Hoje, ninguém sabe o que será o futebol brasileiro de amanhã. Por quer diabos, então, voltar a publicar um blog sobre esportes, especialmente sobre o nosso futebol de cada dia? Desculpe repetir aqui o que escrevi na coluna Apito Legal, publicada no site Migalhas, no dia seguinte à conquista do título mundial pela Alemanha:

– São tantas as análises, os meros palpites, as boas e más intenções, os interesses dissimulados ou ostensivos publicados nos últimos dias sobre o que fazer com o futebol brasileiro nos próximos tempos que mal consigo digerí-los e processá-los. Esta é uma discussão e uma tarefa de todos os brasileiros que se interessam pelo futebol. Foi a sociedade que o criou e tantas vezes o reinventou pelos campos do Brasil afora. É, portanto, a nação que pode salvá-lo mais uma vez – e não cartolas ou governantes.

Na esperança, talvez vã, de dialogar com todos os brasileiros que se interessam pelo futebol, aqui estou de volta, pouco antes de São Paulo e Corinthians se enfrentarem pela segunda vez nesta temporada de 2015, que está apenas começando.

Neste domingo, nem o estádio é novidade. O jogo, pelo velho Paulistão, será no vetusto Morumbi.