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Bastou meia hora de futebol

Firmino marca em LondresFirmino dribla Bravo e faz Brasil 1 x 0 Chile no Emirates Stadium – Foto: Rafael Ribeiro / CBF

Dunga mudou seis figurinhas do álbum e consequentemente mudou o figurino do Brasil que entrou no Emirates Stadium para enfrentar o organizado e combativo Chile do argentino Jorge Sampaoli.

Nada deu certo no primeiro tempo. O meio de campo, todo renovado, muito combateu, mas nada criou. Luiz Adriano, com a emblemática camisa 9, engessou mais uma vez o ataque, obrigando Neymar a abusar do individualismo. Em vão.

Joguinho duro de encarar no primeiro tempo. Mais parecia uma disputa entre gangues por espaço nas ruas. Muita briga e pouco futebol. Neymar levou e bateu. Foram cinco faltas nele, seis dele.

Deve ser por isso que botaram um policial inglês para apitar o jogo.

No segundo tempo, batendo menos e jogando mais, o Chile continuou ligeiramente superior ao Brasil. Como no primeiro, o Brasil empacava diante da marcação dura e incansável dos chilenos em todo o campo.

Dunga resolveu, então, recompor o figurino que lhe valeu as sete vitórias nos sete amistosos anteriores, incluindo uma sobre a Argentina e a da semana passada sobre a França.

Entre os 14 e os 17 minutos, tirou Souza, Philippe Coutinho, Luiz Adriano e Douglas Costa, substituindo-os por Elias, Robinho, Firmino e Willian.

O Brasil recuperou a fluência de outros jogos, voltou a jogar bola e, aos 27, Danilo enfiou da intermediária uma bola perfeita para Firmino, que driblou o goleiro Bravo e tocou para as redes.

Pela última meia hora de jogo, talvez a Seleção tenha merecido este 1 a 0, a oitava vitória em oito jogos da nova era Dunga.

Hoje é o dia da Pátria

Às 11 horas, a Seleção jogará em Londres contra o Chile o último amistoso antes de Dunga anunciar os convocados para a Copa América.

Às 17 horas, em São Luís, a seleção sub-23, que se prepara para a Olimpíada do Rio, recebe o México. O time terá Jean; João Pedro, Bressan, Gustavo Henrique e Douglas Santos; Filipe Augusto, Fred, Talisca e Erik; Vinícius Araújo e Marcos Guilherme.

Às 22 horas, na cidade paraguaia de Luque, o Brasil Sub-17 precisará, no máximo, de um empate  com a Colômbia para conquistar o título sul-americano da categoria. Dependendo dos resultados anteriores da Argentina e do Uruguai, pode entrar em campo como campeão. O técnico Caio Zanardi só anunciará o time à tarde.

O domingo virou o dia da Pátria – pátria de chuteiras, evidentemente.

Firmino precisa jogar

Firmino: um novo parceiro para Neymar - Foto: Rafael Ribeiro/CBFFirmino: um novo parceiro para NeymarFoto: Rafael Ribeiro/CBF

Ainda em Paris, embora sem muita ênfase, Dunga chegou a dizer que escalará hoje um time bem diferente daquele que venceu a França por 3 a 1.

Já em Londres, após o treino de ontem no Emirates Stadium, disse apenas que ainda está estudando as mudanças na escalação e se recusou a anunciar o time que enfrentará o Chile logo mais.

Há razões, principalmente de ordem física, para mexer no time. Afinal, o intervalo entre os dois amistosos é de apenas 64 horas.

Isso não deveria impedir, porém, a repetição em Londres de uma experiência que deu certo em Paris.

Ao reassumir o comando técnico da Seleção, Dunga trocou Fred por Diego Tardelli como parceiro de Neymar no ataque. O Brasil passou a jogar sem um típico camisa 9, como tão bem faz a Alemanha quando escala Thomas Muller. E ganhou, nos amistosos disputados até agora, fluência e maior volume de jogo do meio de campo em diante.

A escalação de um típico centroavante como referência no ataque é um modelo ofensivo que se justifica cada vez menos no futebol de nossos dias, a não ser que o técnico disponha de fenômenos da área como Ronaldo ou Romário.

O centroavante é uma espécie em extinção, como prenunciavam a Hungria de Hidegkuti em 1954, o Brasil de Tostão em 1970 e as várias Holandas que antecederam o fenômeno Van Basten.

Na Copa do Mundo de 2014, por exemplo,  seleções como a holandesa e a alemã também mostraram que mais vale a versatilidade do que e a especialização no arremate a gol.

O futebol é criação. A finalização não pode ser uma especialidade. É um fundamento técnico que se deve cobrar de todos que se aproximam do gol adversário.

A Seleção de Felipão não se preparou para tal realidade e o modelo que tinha funcionado na Copa das Confederações acabou não dando certo nos jogos do Mundial. Às vezes, o Brasil passava a impressão de entrar em campo com um jogador a menos, tal era o isolamento de Fred na linha de frente.

Dunga acertou ao mudar o figurino ofensivo da Seleção, optando pela versatilidade de Tardelli. Sem poder contar com ele contra a França e logo mais contra o Chile, acertou de novo ao escolher como substituto o meia Roberto Firmino, que tem faro de gol e finaliza com precisão, mas também se movimenta por todo o ataque e troca naturalmente de posição com Neymar, Willian e Oscar.

Nos 3 a 1 sobre a França, Firmino se saiu muito bem e mostrou que pode ser mais do que o substituto de Tardelli. Pode até brigar com ele pela vaga de titular  na Copa América que será disputada no Chile a partir de 11 de junho, até porque tem 23 anos e Tardelli chegará aos 30 em maio.

Como a Seleção fará hoje em Londres o último jogo antes da convocação para a Copa América, nada mais indicado do que repetir a dupla que deu certo em Paris. Neymar quer jogar, Firmino precisa jogar.

E o Brasil de Dunga vence pela sétima vez

Brasil x França - Stade de France Neymar festeja virada brasileira no Stade de FranceFoto: Rafael Ribeiro/CBF

Logo aos 7 minutos, o Brasil levou um susto pelo alto, relembrando 1998, e pelo alto levou o primeiro gol aos 21 em cabeçada certeira do zagueiro Varane.  Não que a França fosse melhor em campo, mas as jogadas de bola levantada na área, claramente ensaiadas, são sempre perigosas.

Aos 40, após uma boa troca de bola com Firmino, Oscar invadiu a área francesa e, de biquinho, decretou o empate. O 1 a 1 era o mínimo que a Seleção merecia. Embora sem brilho, em jornada muito discreta de Neymar, procurou mais o jogo e o gol do que Les Bleus, muito organizados na defesa, mas pouco criativos no ataque.

Acontece que Neymar sempre pode ser Neymar. Aos 11 minutos do segundo tempo, uma saída rápida da defesa, com precisa troca de passes entre os jogadores do meio de campo, encerrou-se com a bola enfiada por Willian para Neymar, de dentro da área, bombardear o goleiro Mandanda e fazer 2 a 1 para o Brasil.

A França acordou, perdeu duas oportunidades seguidas de empatar o jogo, mas insistiu demais nas bolas altas e acabou entregando o contra-ataque aos brasileiros. Num deles, mandou para escanteio um chute de Oscar. Escanteio cobrado, aos 23 minutos, Luiz Gustavo foi lá em cima e, de cabeça, fez 3 a 1. Não é pelo alto que estes franceses gostam de jogar?

Em seguida, pelo chão, quase Willian faz o quarto. Seria um exagero.

E assim já são sete vitórias do Brasil em sete jogos na nova era Dunga.

Sete? Desde a Copa, não é número que a gente deva ficar remoendo, né?

Futuro versus passado num encontro de campeões

Dunga e  Deschamps: descontração antes de França x BrasilFoto: Rafael Ribeiro/CBF

O que estará passando pela cabeça sempre centrada do gaúcho Carlos Caetano Bledorn Verri quando entrar no Stade de France na noite parisiense desta quinta-feira para comandar a Seleção no amistoso contra Les Bleus que, aqui no Brasil, vamos acompanhar a partir das 17 horas?

Se já não bastasse o cenário em que, no dia 12 de julho de 1998, se desfez a primeira versão do sonho do penta, o capitão daquela Seleção vai reencontrar, tão logo desça ao gramado, o homem que capitaneou monsieur Zidane e companhia menos ilustre nos 3 a 0 que deram o primeiro, até agora único, título mundial à França.

É impossível que não passem pela cabeça do nosso Dunga, ao rever Didier Deschamps no Stade de France, as preocupações e decepções vividas naquele domingo inesquecível de 1998. São outros os tempos, são outras as circunstâncias, mas o reencontro dos dois capitães de campanhas memoráveis das seleções que agora treinam será mais do que um embate técnico e tático.

Dunga e Deschamps trabalham hoje para devolver suas seleções ao primeiríssimo nível do futebol mundial, mesclando jovens e veteranos para as batalhas realmente importantes que têm pela frente – a Copa do Mundo de 2018, mais do que tudo, mas, antes de mais nada, a Copa América de daqui a pouco, para o brasileiro, e a Eurocopa do ano que vem, para o francês.

É este ensaio do futuro que veremos hoje em Saint-Denis. Nem por isso a cabeça de Dunga deixará de visitar o passado.

Talvez até recorde um lance que não quis discutir naquele 12 de julho: o empurrão que levou de Zidane no segundo gol francês, já nos descontos do primeiro tempo, e foi solenemente ignorado pelo árbitro marroquino Said Belqola. Confira aqui, a partir de 2min45 do vídeo.

Ainda no Stade de France, perguntei ao nosso capitão:

– O Zidane não fez falta em você antes de cabecear a bola do segundo gol?

E ele me fez outra pergunta:

– Você acha que eu vou comentar isso depois que a gente perdeu por 3 a 0?

Thiago Silva não pode mais chorar

 

A entrevista coletiva de Dunga, antes do treino da Seleção no Stade de France, confirma: o prestígio internacional de Thiago Silva, mais do que justificado pela incomparável qualidade técnica do seu futebol, não bastará para lhe garantir vaga entre os titulares – talvez, nem mesmo no grupo de 23 jogadores convocados para as próximas competições oficiais.

O zagueiraço do PSG vai ter de provar em campo, a partir do França x Brasil de amanhã, que comanda categoricamente não apenas a grande área, mas também os próprios nervos.

Dunga não disse, mas, nas entrelinhas, deixa transparecer que não esquece o chororô do capitão Thiago no jogo com o Chile pelas oitavas de final da Copa do Mundo – 1 a 1 nos 120 minutos de bola em movimento, 3 a 2 para o Brasil na cobrança de pênaltis. O zagueiro não quis participar das cobranças e caiu no choro quando viu garantida a classificação brasileira para as quartas.

Foto: Rafael Ribeiro / CBF