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Sobre um certo 8 de julho

Brasil x Alemanha Felipão 087xxx

Não é uma lembrança agradável, mas tanto se está falando do 8 de julho de 2014 que resolvi desenterrar – e, em dia de luto, não há palavra mais adequada – alguns pitacos postados naquele época na coluna que escrevia no site Migalhas.

Afinal, pouco ou nada mudou no futebol brasileiro desde aqueles  7 a 1.

Se você tiver curiosidade e paciência, pode acessar as colunas na íntegra clicando aqui.

Se a impaciência com o tema não for grande o bastante para procurar mais o fazer do que ler memórias tão desagradáveis, basta ir rolando a página e conferir os pitacos que escolhi rememorar sobre o 8 de julho e os dias seguintes. Vamos lá:

♦ O jogo que a FIFA viu

Observadores técnicos e estatísticos da FIFA viram assim o jogo Brasil 1 x 7 Alemanha:

Chances de gol – Brasil 55 x 34 Alemanha

Finalizações – Brasil 18 x 14 Alemanha

Passes dentro da área – Brasil 19 x 11 Alemanha

Posse de bola – Brasil 52% x 48% Alemanha

Chutes certos – Brasil 13 x 12 Alemanha

E o mais curioso é que, segundo as estatísticas da entidade, o jogo teve 56min9 de bola corrida. Ou seja: a cada 38 segundos, um dos dois times criava uma chance de gol.

♦ Jovem é a Alemanha, Felipão!

Aparentemente sereno na entrevista coletiva após o vexame brasileiro da terça-feira, Luiz Felipe Scolari invocou o tempo de trabalho e a continuidade como exemplos para o sucesso da seleção alemã na Copa e acenou com um futuro igualmente luminoso para o Brasil, afirmando que “teremos 12, 13 ou 14 jogadores deste grupo preparados para a Copa de 2018”.

Na verdade, dos 23 jogadores de Felipão, somente Neymar, Oscar e Bernard terão menos de 30 anos na Copa que será disputada na Rússia. Farão 30 anos em 2018 o lateral Marcelo, o volante Paulinho e o meia Willian. O zagueiro David Luiz, destaque de 2014 apesar da atuação atabalhoada contra a Alemanha e candidato a líder da nova geração, e os volantes Luiz Gustavo e Ramires já terão feito 31 anos.

♦ Renovação é com a Alemanha

Não terão ainda 30 anos na Copa de 2018 os titulares Boateng, Hummels, Ozil, Muller, Kroos. Quase sempre titular agora, Goetze terá 26 anos. Hoewedes, se for à Rússia, lá desembarcará com 30 anos. Khedira terá feito 31 dois meses antes da abertura. Reservas que foram utilizados por Joachim Low no Brasil, o zagueiro Shkodran Mustafi terá 26 anos, o volante Christoph Kramer terá 27 e o meia Julian Draxler ainda não terá completado 25. O goleiro Ron-Robert Zieler chegará à Copa com 29 anos, mas muito dificilmente tomará o lugar do excepcional Neuer, que terá então 32 anos e três meses – ou seja, dois anos e meio a menos do que tem hoje o nosso Júlio César.

Toni Kroos, o meia de 24 anos que foi o grande destaque dos 7 a 1, completou contra o Brasil seu décimo jogo numa Copa do Mundo – quatro e m 2010, seis agora em 2014. Thomas Muller, que vai fazer 25 anos em setembro, já tem 12 jogos em Copas – seis na última seis nesta. Mesut Ozil tem 13 – os sete de 2010 e os seis de 2014.

Neymar, Oscar e Bernard, somados, participaram de 14 partidas da Copa.

♦ Que vergonha, gente!

É verdade: o árbitro argelino Djamel Haimuidi presenteou os holandeses, aos dois minutos de jogo, ao transformar em pênalti a falta cometida por Thiago Silva em Robben fora da área.

É verdade: De Guzmán estava impedido ao receber a bola de Robben e cruzar para David Luiz dar uma preciosa assistência que Blind agradeceu para fazer 2 a 0 aos 16 minutos.

É verdade: aos 34 minutos, o cegueta argelino também não viu o agarrão de Vlaar em David Luiz dentro da área e, portanto, roubou ao Brasil a chance de fazer 1 a 2. E, aos 20 do segundo tempo, não viu o zagueiro holandês usar o braço para cortar uma bola na área.

É igualmente verdade que o quarto lugar em 2014 é uma posição melhor do que o Brasil alcançou nas Copas de 1966 (com Pelé, Garrincha, Gerson, Tostão e Jairzinho, entre outros, no grupo), 1982 (com Edinho, Junior, Falcão, Zico e Sócrates), 1986 (com Edinho, Junior, Sócrates, Zico, Careca, Muller e Casagrande), 1990 (com Taffarel, Jorginho, Ricardo Rocha, Ricardo Gomes, Dunga, Muller, Careca e Romário), 2006 (com Cafu, Roberto Carlos, Juninho Pernambucano, Robinho, Ricardinho, Ronaldinho Gaúcho, Fred e Ronaldo) e 2010 (com Julio Cesar, Daniel Alves, Maicon, Ramires, Kaká, Luís Fabiano e Robinho). E é a mesma colocação alcançada pelo Brasil de Leão, Carpegiani, Rivellino, Paulo César Caju e Jairzinho na Copa de 1974.

Nenhuma destas verdades apaga, porém, a vergonha de termos perdido em casa por 3 a 0 para a Holanda no sábado, 12, oito dias depois de sermos goleados por 7 a 1 pela Alemanha. Vergonha maior o futebol brasileiro jamais viveu. Nem igual. É a pura verdade.

♦ Mistério

Acaba a Copa do Mundo, ficará a dúvida: onde ficou o futebol instigante e intenso da Seleção na Copa das Confederações? Como aquele Brasil compacto, organizado e insistente no ataque virou este bando dividido em linhas estanques, nervoso e cheio de pressa para se livrar da bola, como vimos em tantos momentos dos cinco primeiros jogos e quase sempre no duplo vexame diante da Alemanha e da Holanda?

Por que diabos a Seleção não conseguiu resgatar aquele futebol de um ano atrás que nos deu, mais do que a esperança, a convicção de que éramos favoritos ao título mundial, mesmo sabendo que a Alemanha viria ao Brasil com um time tecnicamente superior a todos os adversários?

♦ O que fazer?

São tantas as análises, os meros palpites, as boas e más intenções, os interesses dissimulados ou ostensivos publicados nos últimos dias sobre o que fazer com o futebol brasileiro nos próximos tempos que mal consigo digeri-los e processá-los.

Esta é uma discussão e uma tarefa de todos os brasileiros que se interessam pelo futebol. Foi a sociedade que o criou e tantas vezes o reinventou pelos campos do Brasil afora. É, portanto, a nação que pode salvá-lo mais uma vez – e não cartolas ou os governantes.

Agora que se deu a tragédia, poupo você de mais pitacos.

De qualquer maneira, se quiser ler uma palhinha do que penso sobre o assunto, dê uma olhadinha na coluna A Copa do Mundo é nossa. E daí?, publicada em 14 de abril. Para lê-la, clique aqui. Se lhe sobrar paciência, clique aqui para ler também a última coluna escrita em 2010 – A Copa do Mundo é nossa.

♦ Fim de papo

Se alguém tivesse dito que ganharíamos por 7 a 1, eu não teria acreditado, mas achei que fomos incríveis, é tudo o que posso dizer. Viemos aqui para ser campeões, estamos felizes e aliviados por seguir adiante, mas ainda falta um jogo. Ninguém ganhou a Copa do Mundo numa semifinal. 

TONI KROOS, protagonista da Alemanha que impôs à Seleção Brasileira o maior vexame em um século de história

A gente pode até dizer que sai meio perdido, né?

RAMIRES, camisa 16 do Brasil, perdidinho da silva após a derrota por 3 a 0 para a Holanda, em entrevista a Mauro Naves, da Globo.

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Brasil quis pouco e ficou sem nada na Copa América

González: decisivo para o Paraguai

González: decisivo para a classificação do Paraguai

Não chegava a ser um domínio claro, até porque a bola ficava mais tempo em pés brasileiros, mas o Paraguai parecia mais disposto a ganhar o jogo até que, aos 14 minutos, Robinho fez 1 a 0 para o Brasil e ficou a impressão de que a maré ia mudar.

Foi um gol desenhado com as tintas que os brasileiros esperam quando a Seleção entra em campo. Robinho recebeu na intermediária paraguaia a bola passada por Felipe Luís, limpou o lance com um belo toque em torno do marcador, fez o passe para Elias, que encontrou Daniel Alves aberto na direita, de onde partiu o cruzamento na medida para Robinho fazer o gol.

É assim que se joga, mas não foi assim que o Brasil continuou jogando.

É verdade que, até o fim do primeiro tempo, o time manteve a superioridade que o 1 a 0 lhe assegurara, mas sem levar muito perigo ao gol de Villar. Mesmo assim, se tinha a impressão de que a qualquer momento o Brasil reencontraria o caminho do gol e decidiria de vez a classificação para a semifinal.

O Paraguai, porém, não se entrega facilmente. Já se tinha visto tal filme nesta Copa América. Contra a Argentina e contra o Uruguai, os paraguaios saíram perdendo e foram buscar o empate.

Foi o que fizeram novamente neste sábado em Concepción.

O Brasil de Dunga voltou para o segundo tempo menos disposto a atacar. Cedeu a iniciativa do jogo, esqueceu o toque de bola e a troca de passes, apelou insistentemente para os chutões e foi abrindo espaço para as manobras ofensivos dos paraguaios.

Este Brasil se satisfaz com pouco.

Um pênalti bobo de Thiago Silva, erguendo demasiadamente o braço numa disputa de bola pelo alto, deu a González a chance de empatar o jogo e transformar em pó o pouco que já satisfazia os brasileiros.

Ainda restavam 25 minutos e até que o Brasil se reanimou um pouco, mas Robinho já não tinha o dinamismo do primeiro tempo e nem o meio de campo nem o ataque, com exceção de Philippe Coutinho, se acertavam no trato com a bola.

O jogo chegou ao fim com os paraguaios festejando o 1 a 1 que levou a decisão da vaga na semifinal para os pênaltis. Eles tinham razão. Resultado: Brasil 3 x 4 Paraguai.

Na terça, Concepción vai ver a reprise do jogo que La Serena viu na primeira rodada do Grupo B desta Copa América. Agora, Argentina x Paraguai valerá vaga na final. González fechou a série.

E por querer pouco, a Seleção perdeu muito: além de cair fora da Copa América,  não disputará a próxima Copa das Confederações nem contará com Neymar nos dois primeiros jogos das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018.

Imagem do dia: conjunto afinado

Seleção colagem 2Seleção colagem 1

Além da bola, o que é mesmo que une (ou separa) esta rapaziada convocada pelo regente Dunga para tocar em conjunto a banda brasileira na Copa América?

Willian, Elias, Daniel Alves, Robinho, Thiago Silva e Philippe Coutinho não são os únicos que raramente se separam dos fones de ouvido nas andanças da Seleção.

Fotos: Rafael Ribeiro/CBF

Brasil ainda tem muito o que melhorar

Thiago e Firmino gols 216Brasil 2 x 1 Venezuela: um gol de Thiago Silva, outro de Firmino – Foto: Rafael Ribeiro/CBF

O Brasil ensaiou novos passos, chegou a prometer uma noite de muita alegria, fez 1 a 0 logo aos 8 minutos, com um golaço de Thiago Silva, mostrou Robinho com vontade de ficar no time, movimentou-se por todo o primeiro tempo, encurralou a Venezuela em seu quintal e abriu o sorriso de Neymar em sua posição de ilustre torcedor na tribuna do Monumental de Santiago.

O segundo tempo começou mais dividido, mas Firmino tratou de definir as coisas aos 6 minutos, fazendo 2 a 0 na conclusão de uma belíssima jogada de Willian. Apareceu, então, uma certa acomodação que incentivou os venezuelanos a procurar o jogo e acabou por lhes dar a chance de diminuir o placar aos 38 minutos, quando Dunga já tinha trocado Philippe Coutinho e Firmino por David Luiz e Tardelli.

É preocupante que o gol venezuelano tenha saído em mais uma falha do goleiro Jefferson nesta Copa América. Ele rebateu para a frente o chute de Arango numa cobrança de falta e Miku, de peixinho, devolveu a bola para as redes.

Pelo que se viu de bom, pode-se esperar mais deste Brasil sem Neymar das quartas de final em diante. É preciso, porém, que o time não se acomode jamais.

A bola mostrada até agora nos campos chilenos não permite tal luxo – nem mesmo contra os aguerridos paraguaios no próximo sábado, em Concepción, e muito menos contra argentinos ou colombianos nas semifinais.

Ficam assim as quartas de final

♦ Quarta-feira, 24, em Santiago: Chile x Uruguai

♦ Quinta-feira, 25, em Temuco: Bolívia x Peru

♦ Sexta-feira, 26, em Viña del Mar: Argentina x Colômbia

♦ Sábado, 27, em Concepción: Brasil x Paraguai

Seleção de Dunga coleciona títulos na Europa

A Seleção convocada por Dunga para disputar a Copa América desembarcará no Chile com três campeões franceses: o PSG de David Luiz, Thiago Silva e Marquinhos venceu há pouco o Montpellier por 2 a 1 e, com uma rodada de antecedência, conquistou o terceiro título nacional consecutivo.

O trio francês terá a companhia em campos chilenos de Filipe Luís e Willian, campeões ingleses pelo Chelsea, e pode ganhar amanhã o reforço do capitão Neymar, que será campeão espanhol se o Barcelona bater o Atlético em Madri.

Thiago Silva não pode mais chorar

 

A entrevista coletiva de Dunga, antes do treino da Seleção no Stade de France, confirma: o prestígio internacional de Thiago Silva, mais do que justificado pela incomparável qualidade técnica do seu futebol, não bastará para lhe garantir vaga entre os titulares – talvez, nem mesmo no grupo de 23 jogadores convocados para as próximas competições oficiais.

O zagueiraço do PSG vai ter de provar em campo, a partir do França x Brasil de amanhã, que comanda categoricamente não apenas a grande área, mas também os próprios nervos.

Dunga não disse, mas, nas entrelinhas, deixa transparecer que não esquece o chororô do capitão Thiago no jogo com o Chile pelas oitavas de final da Copa do Mundo – 1 a 1 nos 120 minutos de bola em movimento, 3 a 2 para o Brasil na cobrança de pênaltis. O zagueiro não quis participar das cobranças e caiu no choro quando viu garantida a classificação brasileira para as quartas.

Foto: Rafael Ribeiro / CBF