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Osorio diz que só lhe interessa quem busca a glória

Juan Carlos Osorio, em entrevista ao site da Fifa, manda um recado claro aos jogadores que queiram jogar sob o seu comando na seleção mexicana que começará, em dez dias, a disputar as Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2016::

– Só me interessam os jogadores que buscam a glória. É algo que aprendi com Alex Ferguson. Eles devem entender que o mais importante de tudo é o futebol, o jogo em si, não a fama nem a festa nem o dinheiro. Quero jogadores que consideram uma honra estar na seleção. Isso é algo que, a esta altura, já não se pode mudar na cabeça de cada um. Por isso, quero conhecê-los, conversar com todos e identificar aqueles que têm este sonho.

Ele mesmo, segundo diz, dedica ao futebol 80% do tempo fora de campo. Os outros 20% são da família.

A novela continua: um homem cheio de dúvidas

Juan Carlos Osorio ainda não sabe se fica no São Paulo, se vai imediatamente para o México ou se espera o final do Brasileirão para assumir de vez o comando técnico da seleção mexicana.

Dá para entender por que é tão bipolar o comportamento do São Paulo em campo.

Diminuiu bastante no Morumbi o contingente dos que acreditam na permanência do treinador colombiano.

Osorio promete o próximo capítulo da novela para quarta-feira, quando os jogadores do São Paulo voltam às gravações, perdão, aos treinos.

Nem a Globo, nos tempos em que dava grande audiência, espichava tanto suas novelas.

Uma promessa de cada vez

Osorio: "Vou tomar uma decisão" - Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net

Osorio: promessas – Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net

Como gostam de alardear os cartolas são-paulinos, que nem sempre cumprem o que prometem, o treinador Juan Carlos Osorio é um homem de palavra.

Na semana passada, prometeu que não mais falaria de sair do comando técnico do São Paulo até que se decidissem os jogos com o Palmeiras pelo Brasileirão (1 a 1, domingo, no Morumbi) e com o Vasco pela Copa do Brasil (1 a 1, ontem, no Maracanã). Prometeu e cumpriu.

Depois de garantir a classificação tricolor para as semifinais da Copa do Brasil, Osorio voltou a prometer: não mais falará sobre a ideia de trocar o São Paulo pela seleção do México até o jogo do sábado, dia 3, contra o Atlético Paranaense pela 29ª rodada do Brasileirão.

Depois do jogo de sábado no Morumbi, a história pode mudar. Osorio é um homem de palavras, uma de cada vez, às vezes em espanhol, às vezes em português. Antes de voltar a treinar o time, ele prometeu:

– Vou tomar uma decisão e todos conhecerão.

Um colombiano dividido entre o São Paulo e o México

Juan Carlos Osorio: admiração e tolerância da torcida

Juan Carlos Osorio: admiração e tolerância da torcida

Já há são-paulino lamentando que Juan Carlos Osorio, na entrevista coletiva após a vitória sobre o Vasco pela Copa do Brasil, tenha confessado que pode aceitar o convite para comandar a seleção mexicana:

– Uma possibilidade de Copa do Mundo é algo diferente. Tenho objetivos como qualquer um. Meu coração e minha mente estão aqui, mas não posso falar o que vai acontecer amanhã.

Simpático, embora franco, carismático a seu modo, o treinador colombiano tem angariado fãs na torcida tricolor e na mídia brasileira em proporção que não se casa com o desempenho do time sob seu comando no Campeonato Brasileiro.

Em 22 jogos, o São Paulo de Osorio conquistou 32 pontos – 48,5% dos 66 disputados. Este percentual o colocaria atrás do Santos, que hoje é o oitavo colocado no Brasileirão com um rendimento de 49,4%.

Quando Osorio assumiu o comando técnico, na sexta rodada, o São Paulo já tinha vencido o Flamengo, o Joinville e o Santos, empatado com o Internacional e perdido para a Ponte Preta. Somava dez pontos – 66,6% dos 15 disputados. Tal aproveitamento lhe valeria hoje a vice-liderança do Brasileirão.

Em sua coluna na Folha desta quarta-feira (para assinantes do jornal ou do UOL), depois de analisar o trabalho de Osorio com a serena lucidez de sempre, o craque Tostão registra: “Há também uma excessiva tolerância com o técnico colombiano, por ser estrangeiro, como se todos fossem mais bem preparados e mais modernos, e também porque estamos carentes de um treinador diferente”.

A simpatia e a franqueza de Juan Carlos Osorio explicam a admiração mais ou menos generalizada por um trabalho de resultado apenas mediano. Se ganhar a Copa do Brasil, o colombiano será idolatrado no Morumbi. Se não conquistar o caneco, não haverá carente que o segure no emprego.

– Todos aqui sabem da realidade do futebol brasileiro: três ou quatro maus resultados, e eu seguramente não estarei aqui.

Osorio já sabe como a bola rola pelos campos de cá. Talvez seja diferente no México.