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Futebol x Novela: os números do Ibope

Nos últimos tempos, executivos da Globo, sempre em off, têm falado insistentemente mal da audiência dos jogos de futebol.

Pois bem: no final da tarde da quinta-feira, o amistoso França 1 x 3 Brasil rendeu 20 pontos de audiência na Grande São Paulo – o que, segundo o Ibope, significa que televisores de 1.340.000 domicílios estavam sintonizados na Globo.

Sabe quanto rendeu de audiência o capítulo da novela Babilônia no horário nobre da Globo? 25 pontos.

Imagine se o jogo do Brasil fosse transmitido às 21 horas e a novela às 17!

E o Brasil de Dunga vence pela sétima vez

Brasil x França - Stade de France Neymar festeja virada brasileira no Stade de FranceFoto: Rafael Ribeiro/CBF

Logo aos 7 minutos, o Brasil levou um susto pelo alto, relembrando 1998, e pelo alto levou o primeiro gol aos 21 em cabeçada certeira do zagueiro Varane.  Não que a França fosse melhor em campo, mas as jogadas de bola levantada na área, claramente ensaiadas, são sempre perigosas.

Aos 40, após uma boa troca de bola com Firmino, Oscar invadiu a área francesa e, de biquinho, decretou o empate. O 1 a 1 era o mínimo que a Seleção merecia. Embora sem brilho, em jornada muito discreta de Neymar, procurou mais o jogo e o gol do que Les Bleus, muito organizados na defesa, mas pouco criativos no ataque.

Acontece que Neymar sempre pode ser Neymar. Aos 11 minutos do segundo tempo, uma saída rápida da defesa, com precisa troca de passes entre os jogadores do meio de campo, encerrou-se com a bola enfiada por Willian para Neymar, de dentro da área, bombardear o goleiro Mandanda e fazer 2 a 1 para o Brasil.

A França acordou, perdeu duas oportunidades seguidas de empatar o jogo, mas insistiu demais nas bolas altas e acabou entregando o contra-ataque aos brasileiros. Num deles, mandou para escanteio um chute de Oscar. Escanteio cobrado, aos 23 minutos, Luiz Gustavo foi lá em cima e, de cabeça, fez 3 a 1. Não é pelo alto que estes franceses gostam de jogar?

Em seguida, pelo chão, quase Willian faz o quarto. Seria um exagero.

E assim já são sete vitórias do Brasil em sete jogos na nova era Dunga.

Sete? Desde a Copa, não é número que a gente deva ficar remoendo, né?

Futuro versus passado num encontro de campeões

Dunga e  Deschamps: descontração antes de França x BrasilFoto: Rafael Ribeiro/CBF

O que estará passando pela cabeça sempre centrada do gaúcho Carlos Caetano Bledorn Verri quando entrar no Stade de France na noite parisiense desta quinta-feira para comandar a Seleção no amistoso contra Les Bleus que, aqui no Brasil, vamos acompanhar a partir das 17 horas?

Se já não bastasse o cenário em que, no dia 12 de julho de 1998, se desfez a primeira versão do sonho do penta, o capitão daquela Seleção vai reencontrar, tão logo desça ao gramado, o homem que capitaneou monsieur Zidane e companhia menos ilustre nos 3 a 0 que deram o primeiro, até agora único, título mundial à França.

É impossível que não passem pela cabeça do nosso Dunga, ao rever Didier Deschamps no Stade de France, as preocupações e decepções vividas naquele domingo inesquecível de 1998. São outros os tempos, são outras as circunstâncias, mas o reencontro dos dois capitães de campanhas memoráveis das seleções que agora treinam será mais do que um embate técnico e tático.

Dunga e Deschamps trabalham hoje para devolver suas seleções ao primeiríssimo nível do futebol mundial, mesclando jovens e veteranos para as batalhas realmente importantes que têm pela frente – a Copa do Mundo de 2018, mais do que tudo, mas, antes de mais nada, a Copa América de daqui a pouco, para o brasileiro, e a Eurocopa do ano que vem, para o francês.

É este ensaio do futuro que veremos hoje em Saint-Denis. Nem por isso a cabeça de Dunga deixará de visitar o passado.

Talvez até recorde um lance que não quis discutir naquele 12 de julho: o empurrão que levou de Zidane no segundo gol francês, já nos descontos do primeiro tempo, e foi solenemente ignorado pelo árbitro marroquino Said Belqola. Confira aqui, a partir de 2min45 do vídeo.

Ainda no Stade de France, perguntei ao nosso capitão:

– O Zidane não fez falta em você antes de cabecear a bola do segundo gol?

E ele me fez outra pergunta:

– Você acha que eu vou comentar isso depois que a gente perdeu por 3 a 0?

Thiago Silva não pode mais chorar

 

A entrevista coletiva de Dunga, antes do treino da Seleção no Stade de France, confirma: o prestígio internacional de Thiago Silva, mais do que justificado pela incomparável qualidade técnica do seu futebol, não bastará para lhe garantir vaga entre os titulares – talvez, nem mesmo no grupo de 23 jogadores convocados para as próximas competições oficiais.

O zagueiraço do PSG vai ter de provar em campo, a partir do França x Brasil de amanhã, que comanda categoricamente não apenas a grande área, mas também os próprios nervos.

Dunga não disse, mas, nas entrelinhas, deixa transparecer que não esquece o chororô do capitão Thiago no jogo com o Chile pelas oitavas de final da Copa do Mundo – 1 a 1 nos 120 minutos de bola em movimento, 3 a 2 para o Brasil na cobrança de pênaltis. O zagueiro não quis participar das cobranças e caiu no choro quando viu garantida a classificação brasileira para as quartas.

Foto: Rafael Ribeiro / CBF

Dunga já tem o time para pegar a França

Jefferson; Danilo, Thiago Silva, Miranda e Filipe Luís; Luiz Gustavo, Fernandinho, Willian e Oscar; Firmino e Neymar.

Estes são os titulares que Dunga escalou no treino de hoje em Paris e devem pegar a seleção francesa no amistoso da quinta-feira.

A novidade é o companheiro de Neymar no ataque: Firmino ganhou a vaga que seria de Diego Tardelli, cortado dos jogos  com a  França e Chile por contusão.

Alagoano de Maceió, Roberto Firmino Barbosa de Oliveira tem 23 anos, atua geralmente como meia no Hoffenheim, da Alemanha, e vestiu pela primeira vez a camisa da Seleção em Istambul no dia 12 de novembro do ano passado. Jogou apenas 18 minutos nos 4 a 0 sobre a Turquia, substituindo Luiz Adriano. Seis dias depois, em Viena, entrou aos 17 do segundo tempo, novamente em lugar de Luiz Adriano, e, 20 minutos depois, marcou o gol que deu ao Brasil a vitória sobre a Áustria por 2 a 1.

Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Ele chegou

Já se pode dizer que a Seleçao está completa. Neymar desembarcou nesta manhã em Paris e fez questão de lembrar aos muitos jornalistas que o assediaram na chegada: tinha apenas seis anos naquele 12 de julho de 1998 em que a França derrotou o Brasil por 3 a 0 e conquistou pela primeira vez o título mundial.

Eu me lembro de alguns lances do jogo, e muito dos três gols da França. Ficou todo mundo triste lá em casa.

E tratou de avisar que está pronto para o amistoso da quinta-feira, no Stade de France, palco daquela derrota para os franceses há quase 15 anos. Enfrentar a França, lá, é um desafio que anima o craque brasileiro:

– Gosto de jogar partidas assim. Duas grandes seleções, estádio lotado, na casa do adversário. Vai ser um jogão, mas não tem nada a ver com 1998. Essa história já foi superada. O Brasil é pentacampeão.

Foto: Rafael Ribeiro / CBF

Robinho defende o Santos antes de viajar com a Seleção

Quem atua no futebol brasileiro já embarca para Paris na noite deste sábado, em companhia do técnico Dunga.

Assim, amanhã, pelo Paulistão, o Corinthians não terá Gil e Elias contra o Capivariano e o São Paulo não contará com Souza contra o Marília; o Botafogo enfrentará a Cabofriense sem o goleiro Jefferson, pelo Campeonato Carioca; e o Grêmio jogará sem Marcelo Grohe contra o Lajeadense, pelo Campeonato Gaúcho.

Estão todos convocados para a Seleção que tem dois amistosos pela frente: com a França, em Paris, no dia 26; com o Chile, em Londres, no dia 29.

Quem for daqui a pouco ao Pacaembu, no entanto, verá Robinho defender o líder Santos, único time já matematicamente classificado para as quartas de final do Paulistão, contra o Audax. O jogo começa às 16 horas.

Robinho irá diretamente do Pacaembu para Cumbica. Às 23h05, voará para Paris. A Seleção treinará na segunda, na terça e na quarta. Na quinta-feira, enfrentará a França.