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E os craques brasileiros apostam no Chile

El Mercurio publica hoje, em duas páginas, uma ampla enquete com estrelas do futebol mundial que, em sua maioria, apontam a Argentina como favorita no confronto com o Chile pelo título da Copa América.

Há uma unânime exceção: os quatro brasileiros ouvidos pelo jornal chileno estão com o Chile.

Vamos aos palpites do ilustre quarteto:

♦ Cafu: “Está em casa, com sua torcida, e será muito difícil que perca a oportunidade de ganhar a Copa pela primeira vez”.

♦ Jairzinho: “Merece ser campeão pelo futebol que mostrou até agora. Não pode perder em casa esta oportunidade histórica”.

♦ Zetti: “É uma equipe muito coesa, bem posicionada no campo de ataque e joga em casa”.

♦ Mauro Galvão: “O time do Chile trabalha junto há mais tempo. O conjunto vai se dar melhor do que as individualidades argentinas”.

A unanimidade transparece mais torcida do que prognóstico.

Hoje é dia de todos os Messi

Messi colagem final CALionel Messi: o grande trunfo da Argentina para encerrar o  jejum de exatos  22 anos 

Se ainda estivesse em campo, o vascaíno Carlos Drummond de Andrade diria que hoje jogarão Messi.

A concordância poética traduz melhor do que o rigor gramatical a multiplicidade do craque que pode conquistar o título da Copa América no Estádio Nacional de Santiago e, assim, encerrar o jejum de mais de duas décadas anos vivido pela seleção argentina.

Lionel Messi era um garotinho de seis anos quando a seleção principal da Argentina conquistou um título pela última vez, coincidentemente num 4 de julho, derrotando o México por 2 a 1 na final da Copa América de 1993 em Guayaquil.

Outro torcedor ilustre e bom conhecedor dos caminhos e descaminhos do mundo da bola, o botafoguense Neném Prancha dizia, nunca se sabe o quanto copidescado por João Saldanha ou Sandro Moreyra: um craque é “que nem sorveteria, tem várias qualidades”.

Estava falando de Messi, é claro, embora tenha morrido no Rio 11 anos antes do nascimento do craque em Rosário.

Mais do que Mascherano, Pastore, Agüero e Di Maria, estrelas de primeira grandeza da trupe comandada por Tata Martino, é o múltiplo Messi que carregará, a partir das 17 horas, o peso de repetir o feito de Fernando Redondo, Diego Simeone e Gabriel Batistuta há exatos 22 anos.

O peso jamais encolhe o futebol do melhor jogador do mundo, uma cracaço que enxerga o jogo em 360 graus, povoa todas as faixas do campo de ataque, rouba a bola ao adversário com incrível precisão, alterna a arrancada irresistível e o toque refinado, distribui assistências como se estivesse chupando um chicabom do sorveteiro Nelson Rodrigues.

E faz gols, muitos gols, embora nesta Copa América tenha feito apenas um, e de pênalti, no 2 a 2 da estreia contra o Paraguai.

Os chilenos devem imaginar o risco que estarão correndo se ele resolver se reencarnar novamente em artilheiro logo hoje que a Argentina precisa tanto de gols.

E não vamos falar do Chile, anfitrião que jamais conquistou o título da Copa América e adversário da Argentina logo mais? Ora, o Chile não tem Messi.

Messi só existe um.

Ramón Díaz, sobre a final: “O Chile não tem chance”

Ramón Díaz aposta na Argentina: 'um dos melhores times dos últimos tempos'

Ramón Díaz aposta na Argentina

Se o jogo pelo terceiro lugar na Copa do Mundo já é um espetáculo deprimente, imagine-se o que será este Peru x Paraguai de hoje na Copa América até agora salva pelo bom futebol dos chilenos e dos argentinos que amanhã brigarão pelo título.

O jogo das 20h30 em Concepción é tão desinteressante que, na entrevista coletiva de ontem, o argentino Ramón Díaz, treinador da seleção paraguaia, preferiu falar de seus compatriotas. E, depois de perder para eles por 6 a 1 nas semifinais, palpitou sobre a final:

– Se a Argentina jogar como jogou contra nós, o Chile não tem chance. Pela qualidade dos jogadores, pelo tempo de trabalho, acredito que o resultado será amplo para a Argentina. Respeitando o campeonato que fez o Chile, eles vão enfrentar um dos melhores times que vi nos últimos tempos.