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O que diria Nelson Rodrigues?

Vágner Love: dez gols em 25 jogos

Vágner Love: dez gols em 25 jogos

Lucas Pratto: 12 gols em 29 jogos

Lucas Pratto: 12 gols em 29 jogos

Bastou o argentino Lucas Pratto dizer há alguns dias que pensa em se naturalizar brasileiro para que se multiplicassem na mídia e nas redes sociais manifestações de comentaristas e internautas querendo-o na Seleção.

Na contramão, muitos dos querem o argentino vestindo a camisa de Romário e de Ronaldo gostariam que Vagner Love fosse desterrado para a Argentina ou, melhor ainda, para um destino mais longínquo.

É curioso. Em 29 jogos no Brasileirão, o atleticano Lucas Pratto marcou 12 gols, cinco em cobrança de pênaltis; em 25 jogos, o corintiano Vágner Love fez dez, nenhum de pênalti.

Nelson Rodrigues diria que é ululante o complexo de vira-latas.

Gabriel Jesus contra o complexo de vira-latas

Gabriel Jesus: revelação do Palmeiras

Gabriel Jesus, 18 anos: revelação do Palmeiras enfrenta hoje o Joinville

Dizem por aí que o futebol brasileiro acabou. Não revela mais ninguém. É Neymar e nada mais.

Os palmeirenses não concordam e invocam o santo nome de Gabriel Jesus.

Poderiam invocar igualmente o tricolor Nelson Rodrigues, que escreveu em 1958, pensando na desacreditada Seleção Brasileira que ganharia a Copa do Mundo:

A pura, a santa verdade é a seguinte: qualquer jogador brasileiro, quando se desamarra de suas inibições e se põe em estado de graça, é algo de único em matéria de fantasia, de improvisação, de invenção. Em suma:  temos dons em excesso. E só uma coisa nos atrapalha e, por vezes, invalida as nossas qualidades. Quero aludir ao que eu poderia chamar de “complexo de vira-latas”. Estou a imaginar o espanto do leitor: “O que vem a ser isso?”

Eu explico. 

Por “complexo de vira-latas” entendo eu a inferioridade em que o brasileiro se coloca, voluntariamente, em face do resto do mundo. Isto em todos os setores e, sobretudo, no futebol. Dizer que nós nos julgamos “os maiores” é uma cínica inverdade.

Os acometidos pelo mal diagnosticado há mais de meio século pelo profeta Nelson Rodrigues não precisam de tratamento. Podem se curar com uma visita ao Allianz Parque às 16 horas deste domingo ou até mesmo em casa, diante de um aparelho de tevê, com os olhos postados no futebol sinuoso, tanto quanto incisivo, do garoto de 18 anos com nome de anjo e divindade.

Há muito tempo, a torcida do Palmeiras pede Gabriel Jesus no time. Em vão. No máximo, o implacável goleador das divisões de base ganhava uns poucos minutos em campo no final de alguns jogos já decididos. A história mudou com a chegada de Marcelo Oliveira, como revela Cosme Rímoli em seu blog  no R7.com:

Os empresários do garoto, Fabio Caran e Cristiano Simões, não se conformavam em ver Maikon Leite, Rafael Marques, Cristaldo e Leandro Pereira no ataque. Quando Alecsandro e Lucas Barrios foram contratados, chegaram à conclusão de que era melhor negociá-lo. Mas um homem evitou o desperdício.

 Marcelo Oliveira chamou Gabriel Jesus para uma longa conversa. O técnico trabalhou por anos na base do Atlético Mineiro. E sabe valorizar jovens talentos. Apesar de não estar no DNA do Palmeiras apostar nos seus garotos, o treinador deixou claro que, com ele, iria jogar. Desde que continuasse treinando tão bem, com tanta dedicação. Pouco importaria o dinheiro gasto por Paulo Nobre para buscar outros atacantes rodados.

E tudo indica que Gabriel Jesus entrou no time titular para não mais sair. Depois de estraçalhar o Cruzeiro nos 3 a 2 que garantiram o Palmeiras nas quartas de final da Copa do Brasil, com dois gols e uma assistência, enfrenta hoje o Joinville no jogo que pode até valer vaga no G-4 do Brasileirão.

Com certeza, vale a pena conferir.

Se você acredita que o futebol brasileiro continuará revelando craques por muitas e muitas temporadas, vai curtir. Se você acha que o futebol brasileiro já era, talvez comece a se curar do complexo de vira-latas.

Hoje é dia de todos os Messi

Messi colagem final CALionel Messi: o grande trunfo da Argentina para encerrar o  jejum de exatos  22 anos 

Se ainda estivesse em campo, o vascaíno Carlos Drummond de Andrade diria que hoje jogarão Messi.

A concordância poética traduz melhor do que o rigor gramatical a multiplicidade do craque que pode conquistar o título da Copa América no Estádio Nacional de Santiago e, assim, encerrar o jejum de mais de duas décadas anos vivido pela seleção argentina.

Lionel Messi era um garotinho de seis anos quando a seleção principal da Argentina conquistou um título pela última vez, coincidentemente num 4 de julho, derrotando o México por 2 a 1 na final da Copa América de 1993 em Guayaquil.

Outro torcedor ilustre e bom conhecedor dos caminhos e descaminhos do mundo da bola, o botafoguense Neném Prancha dizia, nunca se sabe o quanto copidescado por João Saldanha ou Sandro Moreyra: um craque é “que nem sorveteria, tem várias qualidades”.

Estava falando de Messi, é claro, embora tenha morrido no Rio 11 anos antes do nascimento do craque em Rosário.

Mais do que Mascherano, Pastore, Agüero e Di Maria, estrelas de primeira grandeza da trupe comandada por Tata Martino, é o múltiplo Messi que carregará, a partir das 17 horas, o peso de repetir o feito de Fernando Redondo, Diego Simeone e Gabriel Batistuta há exatos 22 anos.

O peso jamais encolhe o futebol do melhor jogador do mundo, uma cracaço que enxerga o jogo em 360 graus, povoa todas as faixas do campo de ataque, rouba a bola ao adversário com incrível precisão, alterna a arrancada irresistível e o toque refinado, distribui assistências como se estivesse chupando um chicabom do sorveteiro Nelson Rodrigues.

E faz gols, muitos gols, embora nesta Copa América tenha feito apenas um, e de pênalti, no 2 a 2 da estreia contra o Paraguai.

Os chilenos devem imaginar o risco que estarão correndo se ele resolver se reencarnar novamente em artilheiro logo hoje que a Argentina precisa tanto de gols.

E não vamos falar do Chile, anfitrião que jamais conquistou o título da Copa América e adversário da Argentina logo mais? Ora, o Chile não tem Messi.

Messi só existe um.