Por que tantos amam o coronel?

Alguns andam encantados com o catarinense Delfim de Pádua Peixoto Filho, que já é vice-presidente da CBF e preside a Federação de seu Estado há três décadas, mas a paixão recente da maioria é o coronel Antonio Carlos Nunes de Lima, que preside a Federação do Pará desde 1998, quando voltou ao cargo que já ocupara de 1982 a 1987,   e agora também quer ser vice-presidente da CBF.

Entre as muitas esquisitices da entidade que manda e desmanda – aliás, mais desmanda – em nosso futebol, uma é de caráter geográfico: o vice-presidente que representa a região centro-oeste é do Espírito Santo; o da região Norte é do Nordeste; e agora querem colocar o coronel do Pará para representar o Sudeste.

Por que será?

Você se recorda de um time do Pará na Primeira Divisão do futebol brasileiro desde que o coronel Antonio Carlos Nunes de Lima reassumiu o poder na Federação em 1998?

O Paysandu foi o último, no Brasileirão de 2005: ficou em penúltimo lugar, caiu para a Série B, de lá para a C e entre as duas vem oscilando.

Se você se der, porém, ao trabalho de conferir a lista de delegações que o coronel já chefiou em viagens ao exterior, verá como é importante o futebol paraense no âmbito da CBF.

Por que será?

Os que estão encantados com Delfim de Pádua Peixoto Filho, que conta com Delfim Pádua Peixoto Neto como assessor especial na condução da Federação Catarinense de Futebol, garantem que, brigado com Marco Polo Del Nero, ele vai modernizar a CBF e transferir aos clubes o poder de reorganizar nosso futebol.

Qualidades do modernizador: vai fazer 75 anos em janeiro e, portanto, será o sucessor natural do presidente licenciado tão logo ele seja definitivamente afastado do cargo. Afinal, as esquisitices da CBF não se limitam à geografia. Os mais velhos herdam estatutariamente os cargos vagos. E o moderníssimo genitor do assessor Delfim Pádua Peixoto Neto é o mais velho vice-presidente da CBF.

O encanto do coronel Antonio Carlos Nunes de Lima, que já tem 77 anos e portanto mais virtudes para presidir a CBF, é de outra ordem: a fidelidade absoluta ao modelo atual e ao chefão Del Nero, que, colocando-o na vice-presidência reservada à região Sudeste, assim poderá deixar oficialmente o comando da entidade sem deixar de comandá-la.

Com um ou com outro, ficará tudo como está, pelo menos até que os clubes brasileiros se toquem de que nunca houve oportunidade tão boa para explodir o viciado esquema de poder da CBF e das Federações para mudar as coisas em nosso futebol.

Ou será que a Polícia Federal terá de fazer por aqui o que o FBI começou a fazer em boa parte do mundo da bola?

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