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Hoje é o dia da Pátria

Às 11 horas, a Seleção jogará em Londres contra o Chile o último amistoso antes de Dunga anunciar os convocados para a Copa América.

Às 17 horas, em São Luís, a seleção sub-23, que se prepara para a Olimpíada do Rio, recebe o México. O time terá Jean; João Pedro, Bressan, Gustavo Henrique e Douglas Santos; Filipe Augusto, Fred, Talisca e Erik; Vinícius Araújo e Marcos Guilherme.

Às 22 horas, na cidade paraguaia de Luque, o Brasil Sub-17 precisará, no máximo, de um empate  com a Colômbia para conquistar o título sul-americano da categoria. Dependendo dos resultados anteriores da Argentina e do Uruguai, pode entrar em campo como campeão. O técnico Caio Zanardi só anunciará o time à tarde.

O domingo virou o dia da Pátria – pátria de chuteiras, evidentemente.

Firmino precisa jogar

Firmino: um novo parceiro para Neymar - Foto: Rafael Ribeiro/CBFFirmino: um novo parceiro para NeymarFoto: Rafael Ribeiro/CBF

Ainda em Paris, embora sem muita ênfase, Dunga chegou a dizer que escalará hoje um time bem diferente daquele que venceu a França por 3 a 1.

Já em Londres, após o treino de ontem no Emirates Stadium, disse apenas que ainda está estudando as mudanças na escalação e se recusou a anunciar o time que enfrentará o Chile logo mais.

Há razões, principalmente de ordem física, para mexer no time. Afinal, o intervalo entre os dois amistosos é de apenas 64 horas.

Isso não deveria impedir, porém, a repetição em Londres de uma experiência que deu certo em Paris.

Ao reassumir o comando técnico da Seleção, Dunga trocou Fred por Diego Tardelli como parceiro de Neymar no ataque. O Brasil passou a jogar sem um típico camisa 9, como tão bem faz a Alemanha quando escala Thomas Muller. E ganhou, nos amistosos disputados até agora, fluência e maior volume de jogo do meio de campo em diante.

A escalação de um típico centroavante como referência no ataque é um modelo ofensivo que se justifica cada vez menos no futebol de nossos dias, a não ser que o técnico disponha de fenômenos da área como Ronaldo ou Romário.

O centroavante é uma espécie em extinção, como prenunciavam a Hungria de Hidegkuti em 1954, o Brasil de Tostão em 1970 e as várias Holandas que antecederam o fenômeno Van Basten.

Na Copa do Mundo de 2014, por exemplo,  seleções como a holandesa e a alemã também mostraram que mais vale a versatilidade do que e a especialização no arremate a gol.

O futebol é criação. A finalização não pode ser uma especialidade. É um fundamento técnico que se deve cobrar de todos que se aproximam do gol adversário.

A Seleção de Felipão não se preparou para tal realidade e o modelo que tinha funcionado na Copa das Confederações acabou não dando certo nos jogos do Mundial. Às vezes, o Brasil passava a impressão de entrar em campo com um jogador a menos, tal era o isolamento de Fred na linha de frente.

Dunga acertou ao mudar o figurino ofensivo da Seleção, optando pela versatilidade de Tardelli. Sem poder contar com ele contra a França e logo mais contra o Chile, acertou de novo ao escolher como substituto o meia Roberto Firmino, que tem faro de gol e finaliza com precisão, mas também se movimenta por todo o ataque e troca naturalmente de posição com Neymar, Willian e Oscar.

Nos 3 a 1 sobre a França, Firmino se saiu muito bem e mostrou que pode ser mais do que o substituto de Tardelli. Pode até brigar com ele pela vaga de titular  na Copa América que será disputada no Chile a partir de 11 de junho, até porque tem 23 anos e Tardelli chegará aos 30 em maio.

Como a Seleção fará hoje em Londres o último jogo antes da convocação para a Copa América, nada mais indicado do que repetir a dupla que deu certo em Paris. Neymar quer jogar, Firmino precisa jogar.

Garoto de 17 anos garante vitória do Fla

Foi a sexta vitória consecutiva do Flamengo, mas os 2 a 0 sobre o Bonsucesso talvez valham mais do que a liderança do Campeonato Carioca, pois o Botafogo pode retornar ao topo amanhã se vencer o Vasco: uma nova e muito jovem estrela começa a encantar os rubronegros.

Revelado pelo Desportivo Brasil e destaque dos juniores desde que chegou ao Flamengo no ano passado,  o meia Matheus Sávio ainda é menor de idade. Fará  18 anos  em 18 de abril, mas vai conquistando progressivamente a confiança de Vanderlei Luxemburgo e, com certeza, ganhará novas oportunidades entre os titulares.

– Ele é o mais jovem dos juniores, mas tem muito potencial – disse o treinador após o garoto estrear como profissional marcando um gol apenas seis minutos depois de entrar no amistoso em que Leo Moura se despediu da torcida.

Em seu primeiro jogo oficial, novamente Matheus Sávio entrou no time já com o segundo tempo em andamento e repetiu a façanha aos 32 minutos, fazendo em cobrança de falta o gol que fechou o placar. É uma pena que apenas 4.207 pagantes  tenham testemunhado no Maracanã o bis da nova promessa rubronegra.

Pouca gente, não é?

Pois saiba que, em Conselheiro Galvão, o vice-líder Madureira venceu o Macaé por 1 a 0 diante de 530 pagantes.

Benebol também é cultura

Este blog estará ofertando, como diria um diligente operador de telemarketing, valioso prêmio ao primeiro internauta que acertar os campeonatos disputados pelos seguintes times:

  • União Frederiquense
  • Boa Esporte Clube
  • Audax
  • Tigres Brasil

O prêmio: assinatura gratuita e perpétua do blog – perpétua, é claro, enquanto durar este Benebol.com

Futebol x Novela: os números do Ibope

Nos últimos tempos, executivos da Globo, sempre em off, têm falado insistentemente mal da audiência dos jogos de futebol.

Pois bem: no final da tarde da quinta-feira, o amistoso França 1 x 3 Brasil rendeu 20 pontos de audiência na Grande São Paulo – o que, segundo o Ibope, significa que televisores de 1.340.000 domicílios estavam sintonizados na Globo.

Sabe quanto rendeu de audiência o capítulo da novela Babilônia no horário nobre da Globo? 25 pontos.

Imagine se o jogo do Brasil fosse transmitido às 21 horas e a novela às 17!

Tudo bem com Talisca

Foto: Rafael Ribeiro/CBF

                                                     Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Ele jogou apenas cinco minutos nos 4 a 1 sobre o Paraguai, o suficiente para marcar o último gol brasileiro e dar um enorme susto na comissão técnica da seleção sub-23.

O baiano Anderson Talisca, meia ofensivo de 21 anos que se tem destacado no Benfica e já foi chamado por Dunga para a Seleção, substituiu Vitinho aos 14 minutos do amistoso da sexta-feira em Vitória e, aos 19, fez de cabeça o gol que assustou, mais do que alegrou, os companheiros.

Ao subir para aproveitar um cruzamento, Talisca acertou também a cabeça do marcador, caiu lesionado, foi imediatamente substituído e levado para um hospital de Vitória. Já de madrugada, após uma tomografia de crânio, foi liberado pelos médicos e viajou para São Luís, onde o Brasil jogará contra o México amanhã.

O adeus de um craque incomparável

Alex - 28.3.2015Imagem: Beneclick

Poucas horas depois da conquista do título brasileiro de 2003, perguntei ao maior craque do melhor Cruzeiro de todos os tempos:

– O Alex teria vaga naquele time?

E Tostão me respondeu, de pronto:

– Ele teria de jogar na minha posição ou na do Dirceu e acho que está no mesmo nível da gente. Como jogávamos com um volante, o Piazza, dois meias, o Dirceu Lopes e eu, dois pontas e um centroavante, poderíamos também tentar uma mudança tática para encaixar o Alex sem tirar um de nós dois.

Haverá elogio maior ao regente daquele Cruzeiro campeão de 2003?

Os craques sempre se rendem ao talento incomum deste meia que, em três passagens anteriores pelo Palmeiras, brilhara com igual intensidade e por isso será homenageado hoje à noite, em reconhecimento raro no nosso futebol, com um jogo oficial de despedida no Allianz Parque. Devidamente autorizado por Ademir da Guia, a quem se achou no dever de pedir permissão, Alex vestirá a camisa 10.

Basta conferir uma pequena parte da lista de craques que confirmaram presença na festa para entender a importância de Alex na história do nosso futebol: além do próprio Ademir, estarão lá Djalminha, Edmundo, Evair, Felipe, Gamarra, Júnior, Leonardo, Marcos, Rivaldo, Zico e Zinho.

Os muito palmeirenses que me perdoem, mas, dentre os vários textos que já escrevi sobre este craque marcado por certa aura intelectual, hoje acentuada pelo ar grave que lhe impõem os óculos de grau e pela lúcida atuação como um dos líderes do Bom Senso, reproduzo, a seguir, A bola pequenina do craque Alex, publicado no site NoMínimo uns quatro meses antes de ele se sagrar campeão brasileiro de 2003. Continuar lendo

É preciso ter saúde de ferro

A seleção brasileira sub-23, que se prepara para brigar pelo ouro olímpico na Rio-16 sob o comando técnico de Alexandre Gallo, acaba de golear o Paraguai por 4 a 1 em Vitória.

No domingo, às 17 horas, em São Luís, enfrentará o México.

São apenas de 42 duas horas de intervalo entre os dois jogos, disputados a 2.600 quilômetros um do outro.

 O que têm a dizer os fisiologistas?

Embromação Futebol Clube

Com exceção de Robinho, que ajudou o Santos a derrotar  o Marília por 4 a 1 no último sábado, os escolhidos de Dunga terão perdido três rodadas dos seus campeonatos estaduais quando retornarem ao Brasil após o amistoso com o Chile no domingo, em Londres.

E daí? Quase nada se alterou por aqui.

É certo que os campeonatos deveriam ter sido paralisados nas datas reservadas pela Fifa para jogos entre seleções, o que é feito em praticamente todo o mundo da bola, mas o futebol brasileiro não está nem aí para esses luxos da civilização.

No Brasil, a bola não para, embora nem sempre corra redondinha.

É fácil entender por que somente 4.907 torcedores pagaram ingresso ontem no Moisés Lucarelli para ver a Ponte Preta vencer por 3 a 1 e encerrar a invencibilidade do Santos na temporada.  Ou por que, também ontem à noite, apenas 2.781 pagantes prestigiaram no Maracanã o Flu 3 x 0 Cabofiiense, estreia  do técnico Ricardo Drubscky no comando técnico tricolor.

É o chamado futebol profissional administrado pela CBF e pelas federações, que faturam milhões com os prejuízos crescentes dos clubes.

Para os clubes, os campeonatos estaduais não funcionam mais nem como caça níqueis, principalmente nos centros futebolísticos mais importantes.

Se você se dispuser a conferir o topo da tabela de classificação das longuíssimas primeiras fases dos campeonatos de São Paulo, RioMinas  e Rio Grande do Sul, verá que, entre os 12 grandes times, se imiscuem hoje somente dois pequenos: o Madureira, no Rio; e a Caldense, em Minas.

No mais, é o óbvio de sempre, o que deveria dispensar tantos jogos. Os grandes ocupam as primeiras posições em todos eles.

Para que tantos jogos que não valem nada?

O futebol brasileiro, para sobreviver, precisa enxugar o calendário. É preciso treinar mais e jogar menos, melhorar a qualidade do espetáculo e o caixa dos clubes. Basta de embromação.