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E vai começar o grande espetáculo

A grande festa de lançamento da Copa do Mundo de 2018 acontecerá neste sábado, 25 de julho, em São Petersburgo, mas a bola já está rolando desde março na Ásia e em parte das Américas para peneirar um pouco as dezenas de seleções que entraram no baile sabendo que sairiam do salão antes que a orquestra começasse a tocar.

No total, 206 seleções disputam o título mundial de 2018. Mal comparando: a ONU tem 193 Países-membros.

Disputam é modo de dizer, pois só 31 chegarão à Rússia para brigar de verdade, entre 14 de junho e 15 de julho, pela Copa do Mundo.

A 32ª vaga está reservada à anfitriã, claro.

Hoje, serão sorteados os grupos e a ordem dos jogos das Eliminatórias que realmente valem nos seis continentes governados pela Fifa.

Cada confederação continental tem direito a um determinado número de vagas na fase final. Na Rússia, estarão 14 seleções da Europa, cinco da África, quatro ou cinco da Conmebol, quatro ou cinco da Ásia, três ou quatro da Concacaf e uma ou nenhuma da Oceania.

Até que se definam as seleções da fase final, aquela que é universalmente tratada como a Copa do Mundo, terão sido disputadas 851 partidas eliminatórias durante dois anos e oito meses.

Se acontecer mais uma vez o que vem acontecendo desde a Copa de 1990, sete seleções se juntarão à Rússia em junho de 2018: Alemanha, Argentina, Brasil, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos e Itália.

Em tempos de tanta descrença em nosso futebol, é o que muita gente quer.

A bola rola pouco no Brasileirão

O levantamento é da própria CBF: nas 13 primeiras rodadas do Campeonato Basileiro, o tempo médio de bola em movimento foi de 55,05 minutos por jogo.

São três minutos a mais em comparação com o Brasileirão de 2014, mas quase cinco minutos menos do que o mínimo recomendado pela Fifa.

Hulk não vai mais à festa da Fifa em São Petersburgo

Hulk não vai mais participar amanhã do sorteio de grupos e jogos das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018.

Informa a Fifa que “compromissos do brasileiro com o FC Zenit” impedirão sua presença na festa em São  Petersburgo.

Jornalistas que já estão na cidade acham, porém, que Hulk saiu da lista de convidados ilustres porque andou criticando as frequentes manifestações racistas nos  estádios russos.

Esqueça, portanto, a  nota Hulk vai à festa que não terá Del Nero, postada aqui no dia 22.

Esqueça em parte, pois a festa realmente não terá  a presença de Marco Polo Del Nero.

Que autoridade tem a Uefa para censurar a torcida?

A Uefa resolveu multar em 30 mil euros o Barcelona por conta das manifestações de seus torcedores favoráveis à independência da Catalunha durante a final da Liga dos Campeões da Europa em Berlim no dia 6 de junho.

Será que vai multar também o treinador  Pep Guardiola, que há dois dias assinou uma lista em apoio à independência da Catalunha?

É inadmissível que entidades esportivas censurem manifestações pacíficas de torcedores e esportistas.

Aliás, a Uefa deveria estar mais preocupada com as frequentes manifestações racistas em estádios europeus e com o que se anda revelando em federações e confederações de futebol, inclusive na Fifa, depois que o FBI resolveu entrar em campo.

O futebol brasileiro está na prisão

Marin e Del Nero: um, lá; outro, cá

Marin e Del Nero: um, lá; outro, cá

José Maria Marin, vice-presidente em inatividade, não pode representar a CBF na reunião que, agora de manhã, marcou as próximas eleições da Fifa para fevereiro de 2016. Está preso na Suíça.

O presidente Marco Polo Del Nero também não pode representar a CBF em Zurique. Está preso a compromissos no Brasil – é o que alega.

Presidente da CBF diz à Fifa que fica… aqui!

Logo agora que a Câmara dos Deputados e o Senado entrarão em recesso, Marcos Polo Del Nero comunicou à Fifa que não poderá comparecer à reunião extraordinária da próxima semana em Zurique para definir, entre outras coisas, a data da eleição do substituto de Joseph Blatter.

É que, segundo o presidente da CBF, ele tem de ficar no Brasil à disposição da CPI do Futebol.

Isso é que é respeito ao Congresso Nacional. Emoticon 187

EUA investigam empresas que se dão bem com a bola

Parece que os EUA estão querendo escarafunchar de verdade o mercado do futebol, posto sob suspeita desde que o FBI desencadeou as investigações que já resultaram na prisão de vários dirigentes e agentes ligados à Fifa.

A Comissão de Valores Mobiliários norte-americana (Securities and Exchange Commission, SEC em inglês) estaria examinando contratos de grandes empresas de capital aberto que cultivam um bom relacionamento com o mundo da bola.

A informação é da repórter Sarah N. Lynch, da agência Reuters, colhida em off e não confirmada oficialmente pela SEC. Nem desmentida.

A Nike, por exemplo, já avisou preventivamente que “está comprometida em cooperar com qualquer investigação do governo sobre o assunto Fifa”.

Sobre um certo 8 de julho

Brasil x Alemanha Felipão 087xxx

Não é uma lembrança agradável, mas tanto se está falando do 8 de julho de 2014 que resolvi desenterrar – e, em dia de luto, não há palavra mais adequada – alguns pitacos postados naquele época na coluna que escrevia no site Migalhas.

Afinal, pouco ou nada mudou no futebol brasileiro desde aqueles  7 a 1.

Se você tiver curiosidade e paciência, pode acessar as colunas na íntegra clicando aqui.

Se a impaciência com o tema não for grande o bastante para procurar mais o fazer do que ler memórias tão desagradáveis, basta ir rolando a página e conferir os pitacos que escolhi rememorar sobre o 8 de julho e os dias seguintes. Vamos lá:

♦ O jogo que a FIFA viu

Observadores técnicos e estatísticos da FIFA viram assim o jogo Brasil 1 x 7 Alemanha:

Chances de gol – Brasil 55 x 34 Alemanha

Finalizações – Brasil 18 x 14 Alemanha

Passes dentro da área – Brasil 19 x 11 Alemanha

Posse de bola – Brasil 52% x 48% Alemanha

Chutes certos – Brasil 13 x 12 Alemanha

E o mais curioso é que, segundo as estatísticas da entidade, o jogo teve 56min9 de bola corrida. Ou seja: a cada 38 segundos, um dos dois times criava uma chance de gol.

♦ Jovem é a Alemanha, Felipão!

Aparentemente sereno na entrevista coletiva após o vexame brasileiro da terça-feira, Luiz Felipe Scolari invocou o tempo de trabalho e a continuidade como exemplos para o sucesso da seleção alemã na Copa e acenou com um futuro igualmente luminoso para o Brasil, afirmando que “teremos 12, 13 ou 14 jogadores deste grupo preparados para a Copa de 2018”.

Na verdade, dos 23 jogadores de Felipão, somente Neymar, Oscar e Bernard terão menos de 30 anos na Copa que será disputada na Rússia. Farão 30 anos em 2018 o lateral Marcelo, o volante Paulinho e o meia Willian. O zagueiro David Luiz, destaque de 2014 apesar da atuação atabalhoada contra a Alemanha e candidato a líder da nova geração, e os volantes Luiz Gustavo e Ramires já terão feito 31 anos.

♦ Renovação é com a Alemanha

Não terão ainda 30 anos na Copa de 2018 os titulares Boateng, Hummels, Ozil, Muller, Kroos. Quase sempre titular agora, Goetze terá 26 anos. Hoewedes, se for à Rússia, lá desembarcará com 30 anos. Khedira terá feito 31 dois meses antes da abertura. Reservas que foram utilizados por Joachim Low no Brasil, o zagueiro Shkodran Mustafi terá 26 anos, o volante Christoph Kramer terá 27 e o meia Julian Draxler ainda não terá completado 25. O goleiro Ron-Robert Zieler chegará à Copa com 29 anos, mas muito dificilmente tomará o lugar do excepcional Neuer, que terá então 32 anos e três meses – ou seja, dois anos e meio a menos do que tem hoje o nosso Júlio César.

Toni Kroos, o meia de 24 anos que foi o grande destaque dos 7 a 1, completou contra o Brasil seu décimo jogo numa Copa do Mundo – quatro e m 2010, seis agora em 2014. Thomas Muller, que vai fazer 25 anos em setembro, já tem 12 jogos em Copas – seis na última seis nesta. Mesut Ozil tem 13 – os sete de 2010 e os seis de 2014.

Neymar, Oscar e Bernard, somados, participaram de 14 partidas da Copa.

♦ Que vergonha, gente!

É verdade: o árbitro argelino Djamel Haimuidi presenteou os holandeses, aos dois minutos de jogo, ao transformar em pênalti a falta cometida por Thiago Silva em Robben fora da área.

É verdade: De Guzmán estava impedido ao receber a bola de Robben e cruzar para David Luiz dar uma preciosa assistência que Blind agradeceu para fazer 2 a 0 aos 16 minutos.

É verdade: aos 34 minutos, o cegueta argelino também não viu o agarrão de Vlaar em David Luiz dentro da área e, portanto, roubou ao Brasil a chance de fazer 1 a 2. E, aos 20 do segundo tempo, não viu o zagueiro holandês usar o braço para cortar uma bola na área.

É igualmente verdade que o quarto lugar em 2014 é uma posição melhor do que o Brasil alcançou nas Copas de 1966 (com Pelé, Garrincha, Gerson, Tostão e Jairzinho, entre outros, no grupo), 1982 (com Edinho, Junior, Falcão, Zico e Sócrates), 1986 (com Edinho, Junior, Sócrates, Zico, Careca, Muller e Casagrande), 1990 (com Taffarel, Jorginho, Ricardo Rocha, Ricardo Gomes, Dunga, Muller, Careca e Romário), 2006 (com Cafu, Roberto Carlos, Juninho Pernambucano, Robinho, Ricardinho, Ronaldinho Gaúcho, Fred e Ronaldo) e 2010 (com Julio Cesar, Daniel Alves, Maicon, Ramires, Kaká, Luís Fabiano e Robinho). E é a mesma colocação alcançada pelo Brasil de Leão, Carpegiani, Rivellino, Paulo César Caju e Jairzinho na Copa de 1974.

Nenhuma destas verdades apaga, porém, a vergonha de termos perdido em casa por 3 a 0 para a Holanda no sábado, 12, oito dias depois de sermos goleados por 7 a 1 pela Alemanha. Vergonha maior o futebol brasileiro jamais viveu. Nem igual. É a pura verdade.

♦ Mistério

Acaba a Copa do Mundo, ficará a dúvida: onde ficou o futebol instigante e intenso da Seleção na Copa das Confederações? Como aquele Brasil compacto, organizado e insistente no ataque virou este bando dividido em linhas estanques, nervoso e cheio de pressa para se livrar da bola, como vimos em tantos momentos dos cinco primeiros jogos e quase sempre no duplo vexame diante da Alemanha e da Holanda?

Por que diabos a Seleção não conseguiu resgatar aquele futebol de um ano atrás que nos deu, mais do que a esperança, a convicção de que éramos favoritos ao título mundial, mesmo sabendo que a Alemanha viria ao Brasil com um time tecnicamente superior a todos os adversários?

♦ O que fazer?

São tantas as análises, os meros palpites, as boas e más intenções, os interesses dissimulados ou ostensivos publicados nos últimos dias sobre o que fazer com o futebol brasileiro nos próximos tempos que mal consigo digeri-los e processá-los.

Esta é uma discussão e uma tarefa de todos os brasileiros que se interessam pelo futebol. Foi a sociedade que o criou e tantas vezes o reinventou pelos campos do Brasil afora. É, portanto, a nação que pode salvá-lo mais uma vez – e não cartolas ou os governantes.

Agora que se deu a tragédia, poupo você de mais pitacos.

De qualquer maneira, se quiser ler uma palhinha do que penso sobre o assunto, dê uma olhadinha na coluna A Copa do Mundo é nossa. E daí?, publicada em 14 de abril. Para lê-la, clique aqui. Se lhe sobrar paciência, clique aqui para ler também a última coluna escrita em 2010 – A Copa do Mundo é nossa.

♦ Fim de papo

Se alguém tivesse dito que ganharíamos por 7 a 1, eu não teria acreditado, mas achei que fomos incríveis, é tudo o que posso dizer. Viemos aqui para ser campeões, estamos felizes e aliviados por seguir adiante, mas ainda falta um jogo. Ninguém ganhou a Copa do Mundo numa semifinal. 

TONI KROOS, protagonista da Alemanha que impôs à Seleção Brasileira o maior vexame em um século de história

A gente pode até dizer que sai meio perdido, né?

RAMIRES, camisa 16 do Brasil, perdidinho da silva após a derrota por 3 a 0 para a Holanda, em entrevista a Mauro Naves, da Globo.

Blatter quer uma vaguinha no time do céu

Em entrevista exclusiva à revista alemã Bunte, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, que se expressa com fluência em dez línguas, fala do inferno figurado em que está vivendo desde que o FBI resolveu entrar no mundo da bola:

– A minha fé me deu força nos últimos tempos. Sou uma pessoa religiosa e rezo também. Eu tenho um crucifixo dourado abençoado pelo Papa Francisco. Acredito que vou para o céu um dia, mas também acho que não há inferno. Discordo do Papa nesse ponto.

Além de desacreditar no inferno dos católicos, Blatter diz que não vai à final do Mundial Feminino no Canadá “por razões pessoais”. É o que já tinha dito também o seu advogado.

Para ler no original a entrevista, cujo título é Eu não sou corrupto ou, em bom alemão, Ich bin nicht korrupt, clique aqui.

O papa e a polícia estão fugindo da Fifa

O Vaticano comunicou à Fifa que não quer mais receber doações da entidade para a Scholas Occurrentes, instituição criada pelo papa Francisco há dois anos para estimular a troca de experiências entre escolas de todo o mundo.

E a Interpol também dispensou oficialmente a ajuda de mais de 20 milhões de dólares que a Fifa lhe daria para custear ações de combate às apostas ilegais e à combinação de resultados nos jogos de futebol.