Futuro versus passado num encontro de campeões

Dunga e  Deschamps: descontração antes de França x BrasilFoto: Rafael Ribeiro/CBF

O que estará passando pela cabeça sempre centrada do gaúcho Carlos Caetano Bledorn Verri quando entrar no Stade de France na noite parisiense desta quinta-feira para comandar a Seleção no amistoso contra Les Bleus que, aqui no Brasil, vamos acompanhar a partir das 17 horas?

Se já não bastasse o cenário em que, no dia 12 de julho de 1998, se desfez a primeira versão do sonho do penta, o capitão daquela Seleção vai reencontrar, tão logo desça ao gramado, o homem que capitaneou monsieur Zidane e companhia menos ilustre nos 3 a 0 que deram o primeiro, até agora único, título mundial à França.

É impossível que não passem pela cabeça do nosso Dunga, ao rever Didier Deschamps no Stade de France, as preocupações e decepções vividas naquele domingo inesquecível de 1998. São outros os tempos, são outras as circunstâncias, mas o reencontro dos dois capitães de campanhas memoráveis das seleções que agora treinam será mais do que um embate técnico e tático.

Dunga e Deschamps trabalham hoje para devolver suas seleções ao primeiríssimo nível do futebol mundial, mesclando jovens e veteranos para as batalhas realmente importantes que têm pela frente – a Copa do Mundo de 2018, mais do que tudo, mas, antes de mais nada, a Copa América de daqui a pouco, para o brasileiro, e a Eurocopa do ano que vem, para o francês.

É este ensaio do futuro que veremos hoje em Saint-Denis. Nem por isso a cabeça de Dunga deixará de visitar o passado.

Talvez até recorde um lance que não quis discutir naquele 12 de julho: o empurrão que levou de Zidane no segundo gol francês, já nos descontos do primeiro tempo, e foi solenemente ignorado pelo árbitro marroquino Said Belqola. Confira aqui, a partir de 2min45 do vídeo.

Ainda no Stade de France, perguntei ao nosso capitão:

– O Zidane não fez falta em você antes de cabecear a bola do segundo gol?

E ele me fez outra pergunta:

– Você acha que eu vou comentar isso depois que a gente perdeu por 3 a 0?

Meninada pode salvar ou afundar o Vasco

Com muitos desfalques, o Vasco se vê obrigado a escalar boa parte de sua meninada contra o Boavista, hoje à tarde, em jogo que lhe pode devolver a liderança da Taça Guanabara em caso de uma vitória por, no mínimo, quatro gols de diferença.

Exceção feita aos 2 a 1 do Flamengo sobre o Bangu, os resultados dos jogos da quarta-feira pela 12ª rodada beneficiam o time de Doriva: o Botafogo, que tinha virado líder no fim de semana, empatou com o Barra Mansa por 1 a 1 e o Madureira também ficou no 1 a 1 com o Bonsucesso.

Se Jordi, Lorran, Jhon Cley, Mosquito e Thalles não derem conta do recado em Saquarema, o Vasco passa a correr sério risco de sair do G-4, dependendo do que o Fluminense, agora sob o comando de Ricardo Drubscky, consiga diante da Cabofriense no Maracanã e, claro, do clássico de domingo com o Botafogo.

Agora, é pensar na Libertadores

a a ha ha A provocação dos torcedores são-paulinos nas redes sociais não resistiu a três minutos de jogo no Allianz Parque. O #Mito falhou em dose dupla: apertado pela marcação ao tentar sair da área com a bola dominada, Rogério Ceni acabou dando a bola na medida para Robinho e voltou devagar demais para tentar a defesa no chute por cobertura do palmeirense. A bola quase raspou no travessão para cair dentro do gol.

Estava desenhado o que seriam os 87 minutos restantes. O Palmeiras se sentiu aliviado, esqueceu o tabu de mais de um ano sem vencer um grande rival paulista e continuou dominando o meio de campo e o jogo desta quarta-feira. Era nitidamente superior com 11 contra 11 em campo. Aos sete minutos, as coisas ficaram ainda mais fáceis: Rafael Toloi chutou Dudu em lance longe da bola e foi expulso.

Daí em diante, o jogo virou um baile verde, mais ao estilo Iron Maiden do que Beatles, como é do gosto de Oswaldo de Oliveira. Muricy Ramalho teve de tirar Pato para cobrir com Edson Silva o rombo na zaga tricolor e o que era fácil ficou facílimo para os palmeirenses. Rafael Marques fez 2 a 0 pouco depois e 3 a 0 no comecinho do segundo tempo.

A uns 15 minutos do fim, o São Paulo ficou com dez: Michel Bastos deu um carrinho violento em Arouca e também foi expulso.

O Palmeiras quebrou em grande estilo o incômodo tabu e, mesmo em fase de formação, já pode pensar no título paulista. O São Paulo viverá dias acalorados até a próxima quarta-feira, quando enfrentará o San Lorenzo em Buenos Aires precisando, no mínimo, de um empate para continuar na briga por uma vaga nas oitavas de final da Liberdadores. É o que importa de verdade.

Traffic vende Estoril a grupo inglês

A Traffic Sports está negociando com investidores ingleses a venda do Estoril Praia, clube português comprado em 2009 e administrado competentemente pelo jovem executivo brasileiro Tiago Ribeiro nos últimos anos – tanto que, depois de sete temporadas na Segunda Divisão, retornou à elite da Liga Portuguesa em 2012 e, no ano passado, classificou-se pela primeira vez para a Liga Europa.

O Palmeiras de Oswaldo é grande ou não é?

Oswaldo de Oliveira: treinamento na Academia de Futebol - Foto; Cesar Greco/Fotoarena

Dependendo do resultado de Marília x Red Bull, que já terá acabado quando começar o clássico no Allianz Parque, o São Paulo poderá até perder e estará matematicamente classificados para as quartas de final do Paulistão. O Palmeiras entra em campo classificado, graças ao Corinthians, que ontem tirou a Portuguesa de seu encalço.

O clássico das 22 horas não vale nada, então? Vale, claro. Vale audiência para a Globo e, por isso, será disputado neste horário que afugenta torcedores e, contraditoriamente, até telespectadores que precisam madrugar para pegar no trampo amanhã. E vale mais ainda para o Palmeiras, que não sabe o que é vencer um grande paulista há mais de um ano.

Oswaldo de Oliveira tem no passivo apenas as derrotas desta temporada, para o Santos por 2 a 1 e para o Corinthians por 2 a 0, mas precisa mobilizar mentalmente o seu time para estancar o tabu que se arrasta há 11 jogos, com nove derrotas e dois empates contra São Paulo, Corinthians e Santos.

Como já se disse aqui, há poucos dias, não basta bater nos pequenos. É preciso ser grande em campo, como tem sido sempre a torcida palmeirense nas demais dependências do Allianz Parque. Afinal, o título paulista será disputado entre os grandes.

Para animar o seu time, pouco importa se ao som do Iran Maiden ou dos Beatles, Oswaldo pode lembrar que, neste Paulistão, o São Paulo também ainda não venceu um clássico: perdeu no Morumbi para o Corinthians por 1 a 0 e empatou na Vila Belmiro com o Santos por 0 a 0 em noite de muitos milagres de Rogério Ceni.

Foto: Cesar Greco/Fotoarena

Thiago Silva não pode mais chorar

 

A entrevista coletiva de Dunga, antes do treino da Seleção no Stade de France, confirma: o prestígio internacional de Thiago Silva, mais do que justificado pela incomparável qualidade técnica do seu futebol, não bastará para lhe garantir vaga entre os titulares – talvez, nem mesmo no grupo de 23 jogadores convocados para as próximas competições oficiais.

O zagueiraço do PSG vai ter de provar em campo, a partir do França x Brasil de amanhã, que comanda categoricamente não apenas a grande área, mas também os próprios nervos.

Dunga não disse, mas, nas entrelinhas, deixa transparecer que não esquece o chororô do capitão Thiago no jogo com o Chile pelas oitavas de final da Copa do Mundo – 1 a 1 nos 120 minutos de bola em movimento, 3 a 2 para o Brasil na cobrança de pênaltis. O zagueiro não quis participar das cobranças e caiu no choro quando viu garantida a classificação brasileira para as quartas.

Foto: Rafael Ribeiro / CBF

A bola rola nos campos do Senhor

Meu amigo Carlos Moraes – que já foi padre em outra encarnação, é jornalista brilhante desde os tempos da velha Realidade e será sempre gaúcho de Lavras do Sul, embora hoje se homizie num rancho em Boissucanga, dispensando diariamente fino trato à língua portuguesa na reinvenção de casos que renderão a coletânea 57 histórias de salvação pela bobagem – acaba de me enviar um texto que tenho de dividir com você.

Depois de ler, me diga se não há algo de divino no futebol. Continuar lendo

Lá e cá

O Atlético de Madrid anunciou ontem a renovação antecipada do contrato do treinador Diego Simeone até junho de 2020. É isto mesmo: até junho de 2020.

Simeone treina o time de Madri desde o final de 2011.

Por aqui, de todos treinadores dos grandes clubes, somente o cruzeirense Marcelo Oliveira e o são-paulino Muricy Ramalho estão há mais de um ano no emprego – registra Rodolfo Rodrigues em Futebol em Números, boa novidade na blogosfera do UOL.

Até o Palmeiras festeja a vitória corintiana

Com gols do garoto Malcom, o Corinthians quase todo reserva venceu a Portuguesa em Itaquera por 2 x 0, garantiu a própria classificação para as quartas de final do Paulistão e, por ora e graça do esdrúxulo regulamento, também a do Palmeiras.

Assim, o Corinthians ganhou uma dose extra de tranquilidade para os dois jogos que ainda tem por fazer antes de, na quarta-feira da próxima semana, receber o Danúbio num jogo que também pode decidir a sua classificação para as oitavas de final da Libertadores.