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Encantado com Corinthians, Casagrande detona Seleção

Casagrande: só Neymar se salva na Seleção

Casagrande: “Brasil é parecido com Portugal”

Aquele mesmo Walter Casagrande que em março trombeteava o Corinthians de Cassio, Fagner, Felipe, Gil, Fábio Santos, Ralf, Elias, Jadson, Renato Augusto, Emerson Sheik e Guerrero como um dos melhores times da história do futebol disse ontem, no programa Bem, Amigos!, do SporTV:

– Acredito que o Neymar vá bater todos os recordes, mas acho que não vai conseguir ser campeão do mundo pela Seleção. Acho que o Brasil é parecido com Portugal. Tem dez medianos e o Cristiano Ronaldo. É igual aqui: dez medianos e Neymar. Acho que, sem o Neymar, somos de médio para baixo.

Em campo, Casagrande disputou uma Copa do Mundo, a de 1986, tendo participado dos três jogos da primeira fase, sempre saindo do banco para substituir Muller, mudança que Telê Santana não quis fazer nas oitavas de final (4 a 0 sobre a Polônia) nem nas quartas (1 a 1 com a França, seguido da derrota nos pênaltis por 4 a 3).

O Brasil do mediano Casagrande foi ao México com estrelas como Zico, Sócrates, Falcão, Júnior e Careca e, eliminado pela França de Platini, de lá voltou com o quinto lugar.

O título ficou com a Argentina do genial Maradona e dez companheiros medianos, que o ajudaram a vencer por 3 a 2 a final com a Alemanha e se chamavam Pumpido, Ruggeri, Brown, Cuciuffo, Olarticoechea, Giusti, Enrique, Sergio Batista, Burruchaga   e Valdano.

Clodoaldo e a alegria de voltar à Seleção

Clodoaldo: foto para o pai de Fernandinho - Foto: Rafael Ribeiro / CBF

Clodoaldo: pose para o pai de Fernandinho – Foto: Rafael Ribeiro / CBF

Clodoaldo Tavares de Santana, chamado agora para atuar como seu “auxiliar pontual” da comissão técnica durante a preparação do time para a Copa América, está voltando nesta sexta-feira para Santos, feliz da vida com a experiência:

– Desde que fui chamado pelo Gilmar e pelo Dunga, passei a viver a ansiedade de me apresentar à Seleção Brasileira. Ao voltar para casa agora, depois de 12 dias de convívio, posso dizer que vivi momentos de realização e orgulho por ter feito parte desse grupo.

Humilde como sempre, o volante do tri e eterno santista, contou ao site da CBF antes de retornar:

– O Fernandinho veio me cumprimentar e contar que o pai dele era meu fã. E que o sonho dele era ver o filho um dia jogando como eu. Pediu para tirar uma foto, que ia mandar para o pai. Isso não tem preço, me deixou orgulhoso.

Tomara que Fernandinho realize o sonho do pai. Clodoaldo jogava muito.

Eles sabem como é perder uma Copa América

Quarteto Montagem 116Alex, Juninho, Belletti e Denílson: dos gramados em 2001 para os estúdios em 2015

Será curioso acompanhar na TV o trabalho de Belletti, Juninho Pernambucano, Alex e Denilson como comentaristas da Copa América.

Nos tempos em que dava trato à bola dentro do campo, o ilustre quarteto estava no time que perdeu para Honduras por 2 a 1 na Colômbia e caiu fora da Copa América de 2001 já nas quartas de final.

Foi a única derrota do Brasil diante dos hondurenhos em toda a história do futebol.

O quarteto embute uma dupla que também sabe o que é ganhar uma Copa América: Denílson foi campeão em 1997; Alex, em 1999 e em 2004.

Antes de Everaldo, houve Oreco

Denise Helena recebe de Clodoaldo homenagem  a  Everaldo - Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Denise Helena recebe de Clodoaldo homenagem a Everaldo – Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Denise Helena, filha de Everaldo, o lateral esquerdo da Seleção que conquistou o tricampeonato mundial em 1970, recebeu ontem no gramado Beira-Riouma réplica da camisa usada naquela gloriosa campanha em campos mexicanos e uma camisa atual autografada por todos os jogadores chamados por Dunga para disputar a Copa América.

Companheiro de Everaldo naquele timaço que tinha Pelé, Carlos Alberto, Gérson, Rivellino e Tostão, Clodoaldo entregou as camisas a Denise Helena antes de Brasil 1 x 0 Honduras.

A merecida homenagem está registrada pelo site da CBF com um erro factual ao se referir ao lateral gremista como “primeiro jogador gaúcho a ser campeão do mundo”.

Na verdade, o primeiro foi Valdemar Rodrigues Martins, gaúcho de Santa Maria, conhecido no mundo da bola como Oreco, que jogou sete anos pelo Internacional e oito pelo Corinthians, campeão do mundo em 1958, como reserva do mitológico Nilton Santos.

Hoje tem Neymar no Beira-Rio. E basta.

Neymar autografa camisa do filho de D'Alessandro - Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Neymar autografa camisa do filho de D’Alessandro – Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Neymar defenderá hoje no Beira-Rio, a partir das 22 horas, uma invencibilidade de 22 jogos com a camisa da Seleção em campos brasileiros.

São 17 vitórias e cinco empates nos quais marcou 16 dos 43 gols que o colocam como o quinto maior artilheiro da Seleção em jogos reconhecidos como oficiais pela Fifa.

Neymar está, pois, a cinco gols do quarto lugar, que hoje é de Zico, com 48.

O adversário da noite, no último jogo de preparação do Brasil para a Copa América, é Honduras, 75ª colocada no ranking de seleções da Fifa.

O maior feito da seleção hondurenha é ter participado de três Copas do Mundo. Estreou na Copa de 1982, com um surpreendente empate por 1 a 1 com a anfitriã Espanha. De lá para cá, jogou outras oito vezes, não venceu nenhuma. Em 2014, no Brasil, perdeu os três jogos.

Alguém duvida de que Neymar encurtará a distância para Zico logo mais?

Nem os torcedores de outros times e seleções.

Um exemplo da admiração generalizada pelo craque brasileiro: o goleiraço Buffon, antes de perder o título de campeão europeu para o Barcelona, confessou que um de seus filhos estava torcendo por Neymar.

Outro: nestes poucos dias de concentração em Viamão, Neymar recebeu a visita do argentino D’Alessandro, ídolo do Internacional, que levou o filho Santino, vestido com a camisa 11 do Barça, para pegar seu autógrafo.

O mundo da bola torce por Neymar.

Dunga já avisou que ele não vai trabalhar em tempo integral na noite desta quarta-feira, pois precisa recompor parte da energia despendida nos últimos dias na final da Liga dos Campeões da Europa e nas comemorações pela conquista do título, mas ele não precisa de muito tempo para fazer um ou dois golzinhos em Honduras, né?

É até bom para a Seleção que Neymar guarde a fome de gols para a Copa América. O Brasil vai precisar muito deles, pois no Chile a favorita é a Argentina de Messi. Essa, porém, é uma conversa para os próximos dias.

Hoje tem Neymar no Beira-Rio. E basta.

“Felizão”, Neymar quer jogo

Neymar e Dunga: reencontro no Sul - Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Neymar e Dunga: reencontro no Sul – Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Ele já tinha até jantado quando os demais jogadores e a comissão técnica chegaram ao Hotel Vila Ventura, em Viamão. Dunga quis saber:

– Como está, guri?

– Professor, estou felizão!

Tradução: sempre fominha, como fez questão de lembrar antes de embarcar em Barcelona num jatinho com as iniciais NJR (de Neymar Junior, claro) para o reencontro com a Seleção, o craque brasileiro quer jogar amanhã contra Honduras no Beira-Rio.

Dunga garante que ainda não decidiu se vai escalar Neymar no último amistoso da Seleção antes da Copa América. Será?

A Seleção precisa mostrar mais na Copa América

Brasil 2 x 0 México 76Brasil 2 x 0 México, no Allianz Parque: gols de Philippe Coutinho e Diego Tardelli

Deu pro gasto, mas o garoto Fred ficou devendo. Com Neymar, seria até covardia bater neste México fraquinho, fraquinho.

Foi uma oportunidade para Dunga conferir como se comporta o seu time sem o craque do Barça.

Viu-se no gramado bem ruinzinho do Allianz Parque um time um tanto burocrático, quase acomodado, até os 27 minutos, quando Philippe Coutinho abusou da categoria para fazer 1 a 0.

Nove minutos depois, na conclusão de uma bela jogada iniciada por Willian e burilada por Elias, Diego Tardelli fez 2 a 0.

O segundo tempo foi mais difícil de suportar, tal a lerdeza dos dois times em campo. Nada mais natural do que os 2 a 0 do primeiro fossem tenham sido o placar do jogo.

Não chegou a ser um teste para a Seleção que vai disputar a Copa América, mas foi um razoável treino diante de 34.659 pagantes, confirmação do que falou Dunga na véspera desta primeira apresentação no Brasil após o vexame nos dois últimos jogos da Copa do Mundo de 2014:

– O que aconteceu na Copa do Mundo ficará marcado para sempre. Não tem como mudar. Mas lembro que o Brasil ficou 24 anos sem ser campeão mundial,  e nem por isso a amor pela Seleção Brasileira diminuiu. O torcedor brasileiro jamais vai abandonar a Seleção.

Dunga tem razão, mas a Seleção também não pode abandonar o torcedor. Precisa mostrar mais.

Fred, surpresa de Dunga, quer surpreender a torcida

Fred: na vaga de Neymar

Fred: na vaga de Neymar

O meia Fred, de 22 anos, é a grande novidade da Seleção que enfrentará o México no primeiro amistoso de preparação para a Copa América.

Mineiro de Belo Horizonte, o canhoto Frederico Rodrigues Santos começou nas divisões de base do Atlético como lateral, mas aos 16 anos já estava no Internacional, tendo estreado entre os titulares, com 19, no Gauchão de 2012.

O garoto Fred passou pelas seleções brasileiras de base e joga desde 2013 no Shakhtar Donetsk. Foi convocado pela primeira vez para a Seleção no fim do ano passado na vaga aberta pela contusão do volante Rômulo  e vai para a Copa América na vaga do volante Luiz Gustavo, também cortado por lesão.

Neste domingo, no Allianz Parque, entra no time na vaga de Neymar, que só amanhã se apresentará à Seleção. Já sabe, portanto, que o jogo contra o México é experiência passageira, pois a Seleção atual tem escalação mais do que conhecida: Neymar e mais dez.

Fred é uma aposta de Dunga para a seleção olímpica que vai tentar a inédita conquista do ouro na Rio-16. É um jogador que alia força e habilidade e chuta bem, principalmente de canhota.

Hoje, no meio de campo, à frente de Fernandinho e Elias e ao lado de Willian, deve dar mais liberdade a Philippe Coutinho para que ele trabalhe no ataque com Diego Tardelli.

Não deixa de ser uma surpresa sua escalação entre os titulares, mas, quem sabe, Fred nos surpreenda logo mais contra os mexicanos.

Imagem do dia: vida dura antes do reencontro com a bola

Jefferson na Seleção - 1.6.2015

No domingo, dia 7, a bola vai rolar no Allianz Parque e o botafoguense Jefferson, com a camisa 1 da Seleção, recuperará a alegria de boleiro no amistoso contra o México. Até lá, os escolhidos de Dunga terão dias de sofrimento e trabalho duro na Granja Comary. Nesta segunda-feira, foram feitos os exames médicos e a avaliação fisiológica. Amanhã, terça, começam os treinos com bola e os exercícios de preparação física.  No sábado, voo para São Paulo. Na segunda-feira, 8, a alegria do reencontro com o capitão Neymar, que terá disputado a final da Liga dos Campeões dois dias antes em Berlim. E, finalmente completa, a Seleção se preparará para o segundo amistoso, com Honduras, antes de embarcar para o Chile em busca do título da Copa América.

Foto: RAFAEL RIBEIRO/CBF

O bailarino que desmonta o tic-tac dos espanhóis

Neymar ensaia carretilha diante de Bustinza

Neymar ensaia carretilha diante de Bustinza, do Athletic Bilbao

Imagine Garrincha jogando em campos espanhóis, parando diante de laterais e zagueiros com a bola aos pés para fingir que ia sair em disparada, deixando-os correr atrás da alucinação enquanto ele, parado, os esperava de volta para, então, entortá-los com um drible desmoralizante e arrancar rumo ao gol ou à linha de fundo para o cruzamento perfeito que um companheiro finalizaria em gol.

– Não me parece nada elegante e nada esportivo – diria um Juan daqueles tempos.

– Se eu fosse jogador do time deles, teria reagido igual ou pior, mas no Brasil isso é normal – diria o treinador de sua equipe, desculpando pontapés e safanões disparados contra ele pelos adversários.

Sim, o drible, o chapéu, a carretilha, o gol de letra, a firula são normais no Brasil, berço da mais vitoriosa e invejada escola do futebol em todo o vasto mundo da bola, menos nesta Espanha que cultiva o tic-tac como se fosse a verdade única de um esporte que é o que é porque une, como nenhum outro, espírito coletivo e criatividade individual.

É verdade que o tiqui-taca, consagrado pelo Barcelona de Pep Guardiola e assumido em feição menos objetiva pela seleção de Vicente del Bosque, deu ao futebol espanhol os títulos europeus e mundiais de clubes de 2009 e 2011 e fez da Espanha a campeã do mundo em 2010.

Convém lembrar, porém: o Barça tinha e tem Messi, a seleção faturou o caneco na África do Sul com uma derrota e seis vitórias, quatro delas por 1 a 0, marcando apenas oito golzinhos em sete jogos, recorde negativo na história das Copas.

Nem todos curtem o estilo excessivamente baseado no toque de bola, mas pouco inventivo e avaro em gols. O alemão Franz Beckenbauer, um dos maiores craques do futebol em todos os tempos, campeão do mundo como jogador  em 1974 e como técnico em 1990, presidente de honra do Bayern, parece sintetizar a opinião dos críticos quando debochou da contratação de Guardiola pelo clube:

– Provavelmente, terminaremos jogando como o Barcelona e ninguém vai querer nos ver.

O Barcelona mudou muito, hoje é bem mais esfuziante, privilegia o espetáculo, goleia, goleia, goleia e brilha nos pés de Messi, Suárez e Neymar.

Os espanhóis não perdoam, porém, que o jovem craque brasileiro abuse do talento no confronto direto com seus marcadores. Até Luis Enrique, o treinador atual do Barça, reagiu criticamente à carretilha com que Neymar ensaiou um chapéu em Bustinza no final dos 3 a 1 de ontem sobre o Athletic Bilbao e apoiou a reação histérica dos adversários:

– Se eu fosse jogador do Athletic teria reagido igual ou pior ao que fez o Neymar, mas no Brasil isso é normal.

Ainda bem que o moleque de 23 anos não está nem aí para tanta ranzinzice:

– É o meu jeito de jogar. Não vou mudar o meu futebol porque alguém ficou estressado. Foi um drible como qualquer outro.

Sobre Neymar, estes espanhóis ranzinzas deveriam ler o brasileiro Sérgio Rodrigues, autor de O Drible, que escreveu certa vez:

– Neymar é a mais rara das aves na fauna do futebol: um bailarino-artilheiro, um malabarista que esbanja invenção sem jamais perder de vista que, se a arte é bem-vinda no futebol, só costuma virar obra-prima quando a rede balança.