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A bola está com Corinthians, Grêmio, Palmeiras e Santos

Da tarde de sábado até a matinê deste domingo, o Internacional, o Atlético Mineiro, o São Paulo e o Flamengo fizeram o que lhes cabia para manter ao final desta 29ª rodada do Brasileirão pelo menos as posições ocupadas antes de, pela ordem, derrotarem o Sport, o Coritiba, o Atlético Paranaense e o Joinville.

Antes que role a bola em Ponte Preta x Corinthians, Santos x Fluminense, Cruzeiro x Grêmio e Chapecoense x Palmeiras, está assim a linha de frente do Brasileirão, destacados em azul os times que poderão melhorar a pontuação nos jogos da tarde e da noite deste domingo:

1º – Corinthians – 60 pontos

2º – Atlético Mineiro – 56 pontos

3º – Grêmio – 51 pontos

4º – São Paulo  – 46 pontos

5º – Palmeiras – 45 pontos

6º – Flamengo – 44 pontos

7º – Internacional – 44 pontos            1

8º – Santos – 43 pontos

Lá embaixo, o lanterninha Joinville, que perdeu por 2 a 0 para o Flamengo no Maracanã, e o vice-lanterna Vasco, que empatou por 1 a 1 com o Avaí na Ressacada, ficam onde estavam, independentemente do resultado de Goiás x Figueirense e Chapecoense x Palmeiras à tarde.

Valdívia não é Romário

Valdívia:

Valdívia: “Quando não faço o gol, eu acho que não jogo bem”

Um dos destaques na vitória por 2 a 1 sobre o Sport na noite deste sábado, como tem sido em quase todos os jogos do Internacional, Valdívia saiu do Beira-Rio discordando dos elogios recebidos com um argumento muito peculiar:

Quando não faço o gol, eu acho que não jogo bem.

O mato-grossense Wanderson Ferreira de Oliveira, que está completando 21 anos neste domingo, é um meia veloz e habilidoso, conhecido nos campos de futebol como Valdívia graças à semelhança física com o meia chileno, mas se parece mais com o brasileiro Romário ao desdenhar dos elogios à sua boa atuação na vitória que, pelo menos temporariamente, mantém o Inter com chances de ainda chegar ao G-4 no Brasileirão.

Matador preciso e refinado, com mais de mil gols contabilizados na carreira, o atacante Romário podia limitar suas andanças à grande área e cercanias para decidir jogos, fáceis ou difíceis, do seu time e da Seleção. Quando resolvia trabalhar em todo o campo de ataque, o que era raro, transformava-se em craque completo, incomparável.

Quando voltou à Seleção em 26 de fevereiro de 1997, encerrando um distanciamento de dois anos e meio após a conquista do tetra nos Estados Unidos, Romário de Souza Faria multiplicou-se por todo o extenso gramado do Serra Dourada, fez e desfez, mandou no jogo, levando o público de 49.546 pagantes ao delírio na vitória sobre a Polônia por 4 a 2, com dois gols de Giovanni e dois do fenômeno Ronaldo.

Por pura coincidência, nos encontramos depois do jogo no elevador do hotel em que estávamos hospedados. Ainda entusiasmado com a exibição do mais atrevido Baixinho de nosso futebol, comentei:

– Que partida, Romário! Você estraçalhou.

– Mas não fiz gol – lamentou-se o craque.

Alguns meses depois, numa longa conversa antes de um jogo do Torneio da França em Lion, voltei a comentar aquela noite em Goiânia e Romário logo me interrompeu:

– Benevides, põe uma coisa em sua cabeça: eu nunca entro em campo para jogar bem. Entro em campo para fazer gol.

O meia Valdívia, com cinco gols marcados neste Brasileirão, não pode se dar a esse luxo.

Atlético Mineiro sonha com vitória da Ponte

Lucas Pratto: presença nos três gols

Lucas Pratto: presença nos três gols

O Coritiba deu um pouco de trabalho nos primeiros minutos, mas logo deixou o Atlético Mineiro tomar conta do jogo e, já fim do primeiro tempo, fazer 1 a 0, com gol contra do lateral Leandro Silva ao cortar cruzamento de Lucas Pratto para Thiago Ribeiro, a quem o árbitro poderia muito bem ter atribuído o gol.

O vice-líder do Brasileirão ainda não retomou o ritmo envolvente e o futebol insinuante de boa parte do primeiro turno, mas fez no Couto Pereira o suficiente para chegar a 2 a 0 aos 20 minutos do segundo tempo, com gol de Giovanni Augusto, novamente aproveitando jogada de Lucas Pratto.

Aos 39, após ser derrubado na área, o próprio Lucas Pratto cobrou o pênalti e fechou o placar. O Atlético de 51 gols em 29 rodadas vai dormir a quatro pontos da liderança, sonhando para que neste domingo o Corinthians perca contra a Ponte Preta, em Campinas, parte da folga que vem ganhando nas últimas rodadas.

É o que ainda poderia dar alguma graça à disputa do título brasileiro de 2015. O problema do Atlético – e da Ponte – é que o Corinthians de Tite não é dado a graças.

Nada abala o ego de José Mourinho

A situação era ruim, “o pior período” de sua carreira, “os piores resultados”, mas ficou ainda mais grave há pouco: o Chelsea de José Mourinho perdeu pela quarta vez neste Campeonato Inglês ao abrir a oitava rodada contra o Southampton.

E o que tinha a dizer o treinador português após a derrota, em casa, por 3 a 1?

A resposta veio num longo monólogo diante dos jornalistas, de que vale a pena pinçar algumas frases reveladoras do estilo Mourinho:

Há jogadores que estão a jogar muito mal individualmente, e eu não posso chegar aqui e nomeá-los, não é o meu trabalho, mas me parece claro.

É claro que estamos sendo penalizados por demasiados erros individuais.

Eu assumo as minhas responsabilidades, os jogadores devem assumir as suas responsabilidades.

Os árbitros têm medo de decidir a favor do Chelsea.

Se o clube me despedir, despede o melhor treinador que teve.

José Mourinho não perdeu a lucidez, tanto que fez questão de lembrar aos jornalistas:

– Vocês sabem que eu tenho uma grande autoestima e um grande ego. Eu me considero o melhor.

Ninguém pensou em discordar.

Leia mais neste blog sobre a má fase de José Mourinho:

A grande experiência do fantástico José Mourinho

♦ José Mourinho por José Mourinho

Uma semana para Neymar esquecer

A bola não tem lhe sido fiel nos últimos dias, a Receita Federal não larga do seu pé, o Tribunal Arbitral do Esporte o tirou em definitivo dos dois primeiros jogos da Seleção pelas Eliminatórias da Copa do Mundo.

Para piorar, depois da atuação apagada nos 2 a 1 sobre o Bayer Leverkusen na terça feira, acaba de ser derrotado pelo Sevilla por 2 a 1 em seu centésimo jogo com a camisa do Barcelona.

Mesmo tendo voltado a jogar bem e marcado, em cobrança de pênalti, o gol do Barça em Sevilha, são dias para Neymar riscar de sua biografia.

Fim de semana decisivo para o quinteto que briga pelo G-4

Pode até vir a ser uma luta vã, pois o quarto colocado no campeonato só terá direito a uma vaga na Libertadores de 2016 se o campeão da Copa Sul-Americana não for um time brasileiro, Atlético Paranaense ou Chapecoense, mas cinco jogos deste fim de semana serão fundamentais para a definição do G-4 do Brasileirão:

♦ Internacional x Sport, hoje, às 18h30, no Beira-Rio

♦ São Paulo x Atlético Paranaense, hoje, às 21h, no Morumbi

♦ Flamengo x Joinville, amanhã, às 11h, no Maracanã

♦ Santos x Fluminense, amanhã, às 16h, no Maracanã

♦ Chapecoense x Palmeiras, amanhã, às 18h30, na Arena Condá

O Palmeiras, com 45 pontos, lidera o bloco dos pretendentes ao G-4, seguido pelo Santos e pelo São Paulo, ambos com 43, e, mais atrás, pelo Flamengo e pelo Internacional, que têm 41 pontos e podem sair da briga se forem derrotados nesta 29ª rodada.

Em vantagem na disputa, o trio paulista precisa vencer seus jogos antes da parada de 11 dias que lhes dará algum fôlego para, da 31ª rodada em diante, se dividirem entre o Brasileirão e as semifinais da Copa do Brasil.

De 17 de outubro a 1º de novembro, a vida será puxada para o Palmeiras, o Santos e o São Paulo, com dois jogos por semana, no mínimo. E os times que chegarem à final da Copa do Brasil ainda terão dois jogos pela frente até 8 de novembro.

Continuar na Copa do Brasil tem sua recompensa, que não é pequena – o campeão disputará a Libertadores no ano que vem.

O acúmulo de jogos, no entanto, é um grande risco para os times que precisarão garantir, pelo menos, o quarto lugar no Brasileirão e torcer para que Atlético Paranaense e Chapecoense se deem mal na Copa Sul-Americana.

Esqueça os 7 a 1, o problema é outro

De longe, tendo acompanhado a Copa do Mundo apenas pela tevê, Sir Alex Ferguson, o treinador que comandou o Manchester United por mais tempo do que Neymar tem de vida e Rogério Ceni tem de bola,  enxerga melhor o verdadeiro problema do futebol brasileiro dentro de campo do que muita gente por aqui.

Em entrevista a Alex Sabino, publicada hoje na edição impressa da Folha, Ferguson mata a charada em dois parágrafos ao falar de Alemanha 7 x 1 Brasil na semifinal de 2014:

Os alemães criaram uma escola, uma identidade de jogo, o que todas as seleções deveriam buscar e um dia foi a marca do Brasil.

Se me pergunta sobre o Brasil, eu acho que a preocupação deveria ser com isso, não com a derrota. Aquilo foi um acidente, um grande acidente.

Ibrahimovic, 34, conecta o futebol de hoje ao século 20

Ibrahimovic, 34 @310@Ibrahimovic: outubro é o mês dos craques Foto: Official Zlatan Ibrahimovic/Instagram

É verdade que ele mal entrou em campo na Copa do Mundo de 2002, decepcionou em 2006 e nem sequer conseguiu classificar a sua Suécia em 2010 e 2014, mas Zlatan Ibrahimovic não se abate facilmente.

Quando perdeu para a seleção portuguesa de Cristiano Ronaldo, que ele costuma tratar com superior indiferença, a chance de vir ao Brasil, que ele tanto admira, para disputar a Copa de 2014, fez questão de proclamar, mais marrento do que o rival lusitano:

– Uma coisa é certa: uma Copa do Mundo sem mim não vale a pena ser vista.

Tanto valia que ele mesmo apareceu por aqui para ver alguns jogos.

O craque boquirroto, companheiro dos brasileiros Thiago Silva, David Luiz, Marquinhos, Maxwell, Thiago Motta e Lucas Moura no Paris Saint-Germain, festeja seus 34 anos neste sábado, na véspera de defender a liderança do Campeonato Francês no Parque dos Príncipes contra o Olympique de Marselha.

Um dos mais criativos e surpreendentes atacantes do século 21, fã declarado do fenômeno Ronaldo e do futebol brasileiro, o grandalhão Ibrahimovic, filho de um bósnio mulçumano e de uma croata católica, nascido e criado num bairro pobre de Malmö, ídolo do Ajax, da Juventus, da Internazionale, do Milan, do Barcelona, como agora é do PSG, nos conecta neste sábado com o século 20 para relembrar um dos mais deliciosos mistérios do futebol: outubro é o mês dos craques.

Foi em outubro que nasceram supercraques como Pelé (dia 23), Garrincha (28) e Maradona (30) e craques como os brasileiros Didi (8), Falcão (16) e Careca (5), os uruguaios José Leandro Andrade (1º) e Darío Pereyra (20), o argentino Omar Sívori (2), o alemão Fritz Walter (31), o russo Lev Yashin (22), o inglês Bobby Charlton (11), o francês Raymond Kopa (13), o espanhol Francisco Gento (21), o holandês Marco Van Basten (31), o liberiano George Weah (1º) e o croata Zvonimir Boban (8).

E não tão craques assim, mas jogadores importantíssimos para suas seleções, também nasceram em outubro Niels Liedholm (8), compatriota de Ibrahimovic, vice-campeão do mundo, autor do primeiro gol contra o Brasil na final da Copa de 1958 e, anos mais tarde, treinador de Paulo Roberto Falcão e Toninho Cerezo na Roma; e Carlos Caetano Bledorn Verri, o nosso Dunga (31), destaque e capitão da Seleção que ganhou em 1994 o tetra mundial e a admiração do aniversariante de hoje pelo futebol brasileiro.

A grande experiência do fantástico José Mourinho

Mourinho em questão: fantástico ou fantástico?

Mourinho em questão: fantástico ou fantástico?

O Chelsea de José Mourinho é o terceiro colocado no Grupo G da Liga dos Campeões, atrás do Porto e do Dínamo de Kiev, e o 14º colocado no Campeonato Inglês, com oito pontos, duas vitórias, dois empates e três derrotas em sete rodadas,  o que levou o treinador português a uma confissão inusitada na entrevista coletiva que concedeu nesta sexta-feira, véspera do jogo contra o Southampton, que lhe é superior em um ponto e quatro posições na classificação:

– É o pior período da minha carreira. São os piores resultados. Nunca perdi tantas partidas. Isso é um fato.

Acontece que José Mourinho, aquele que proclamou há pouco ser “um técnico fantástico” quando não está vencendo e igualmente “um técnico fantástico” quando está vencendo, não se entrega com facilidade:

– É uma experiência fantástica, uma grande experiência negativa. Quero terminá-la amanhã.

Corinthians vai fazer o que o Santos faz há muito tempo

O Corinthians está construindo um centro de treinamento para as categorias de base vizinho ao dos profissionais. Vai ficar pronto daqui a um ano, mas já provoca deslumbramento no gerente Fábio Barrozo, que disse  ao repórter Marcelo Braga, do GloboEsporte.com:

– Seremos o único clube de São Paulo com um CT da base vizinho ao do profissional. Real Madrid e Barcelona possuem esse conceito.

Barrozo poderia ter economizado milhares de quilômetros na comparação. A molecada e os profissionais do Santos dividem o Centro de Treinamento Rei Pelé já faz tempo.

Curiosamente, embora pretenda manter a integração entre o futebol profissional e as categorias de base, o Santos vai construir um novo centro de treinamento para a formação de jogadores.