Valdívia não é Romário

Valdívia:

Valdívia: “Quando não faço o gol, eu acho que não jogo bem”

Um dos destaques na vitória por 2 a 1 sobre o Sport na noite deste sábado, como tem sido em quase todos os jogos do Internacional, Valdívia saiu do Beira-Rio discordando dos elogios recebidos com um argumento muito peculiar:

Quando não faço o gol, eu acho que não jogo bem.

O mato-grossense Wanderson Ferreira de Oliveira, que está completando 21 anos neste domingo, é um meia veloz e habilidoso, conhecido nos campos de futebol como Valdívia graças à semelhança física com o meia chileno, mas se parece mais com o brasileiro Romário ao desdenhar dos elogios à sua boa atuação na vitória que, pelo menos temporariamente, mantém o Inter com chances de ainda chegar ao G-4 no Brasileirão.

Matador preciso e refinado, com mais de mil gols contabilizados na carreira, o atacante Romário podia limitar suas andanças à grande área e cercanias para decidir jogos, fáceis ou difíceis, do seu time e da Seleção. Quando resolvia trabalhar em todo o campo de ataque, o que era raro, transformava-se em craque completo, incomparável.

Quando voltou à Seleção em 26 de fevereiro de 1997, encerrando um distanciamento de dois anos e meio após a conquista do tetra nos Estados Unidos, Romário de Souza Faria multiplicou-se por todo o extenso gramado do Serra Dourada, fez e desfez, mandou no jogo, levando o público de 49.546 pagantes ao delírio na vitória sobre a Polônia por 4 a 2, com dois gols de Giovanni e dois do fenômeno Ronaldo.

Por pura coincidência, nos encontramos depois do jogo no elevador do hotel em que estávamos hospedados. Ainda entusiasmado com a exibição do mais atrevido Baixinho de nosso futebol, comentei:

– Que partida, Romário! Você estraçalhou.

– Mas não fiz gol – lamentou-se o craque.

Alguns meses depois, numa longa conversa antes de um jogo do Torneio da França em Lion, voltei a comentar aquela noite em Goiânia e Romário logo me interrompeu:

– Benevides, põe uma coisa em sua cabeça: eu nunca entro em campo para jogar bem. Entro em campo para fazer gol.

O meia Valdívia, com cinco gols marcados neste Brasileirão, não pode se dar a esse luxo.

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