Arquivo diário: 8 de outubro de 2015

Brasil esquece no segundo tempo o que fez no primeiro

Dunga: "o jogo foi muito parelho”

Dunga, após Chile 2 x 0 Brasil: “o jogo foi muito parelho”

É difícil entender por que o Brasil desistiu de fazer no segundo tempo a marcação mais à frente que lhe dera maior posse de bola e obrigara tantas vezes o Chile a se encolher em seu campo para procurar o ataque quase sempre em bolas esticadas para a direita nos espaços  abertos pelos avanços do lateral Marcelo.

Foi até surpreendente ver o Brasil de Dunga bem agrupado, sem espaços vazios entre as linhas de defesa e ataque, insistindo  em tocar a bola de pé em pé, só muito raramente apelando para os chutões dos zagueiros.

É verdade que por muito pouco o Chile não fez 1 a 0 num chute venenoso de Alexis Sánchez que desviou no poste direito de Jeferson, mas o Brasil atacou bastante, sempre liderado tecnicamente por Willian, e maior sucesso poderia ter alcançado se Oscar, fazendo o papel que é de Neymar, não estivesse tão acanhado em campo.

No segundo tempo, curiosamente, Oscar se soltou mais, mas o Brasil resolveu se prender na defesa e apostar nos contra-ataques. Jorge Sampaoli, ainda no primeiro tempo, tinha substituído por Mark González e o Chile passou a atacar também pelo setor de Daniel Alves.

Como tantas vezes vimos nos amistosos depois da Copa do Mundo e nos jogos da Copa América, a Seleção foi se dividindo em setores estanques e cedendo espaços entre suas linhas para a livre e insinuante movimentação do bom time chileno.

A impressão, desde que a bola voltou a rolar no Estádio Nacional, era de que o gol chileno poderia sair a qualquer momento. E saiu aos 27 minutos com um toque de primeira do esperto Vargas em bola esticada na cobrança de uma falta lá do Pacífico.

Os 2 a 0, aos 44 minutos, com assinatura de Aléxis Sanchez após uma após uma tabelinha com Vidal entre brasileiros mais ou menos atarantados à frente da área foi mera consequência do que se viu durante todo o segundo tempo.

A Seleção desistiu de jogar, achando que o 0 a 0 seria bom negócio, o Chile resolveu se impor.

Vamos torcer para que os 45 minutos iniciais do Brasil em Santiago não tenham sido ilusão passageira.

O problema é que Dunga achou que “o jogo foi muito parelho”:

– O gol mudou tudo – disse, na entrevista coletiva.

Parece que não viu o segundo tempo. O jogo mudou e, por isso, o Chile chegou ao gol – aos gols, aliás.

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Não há seleção como a brasileira na história das Copas

Vão começar daqui a pouco, com o jogo Bolívia x Uruguai, as Eliminatórias Sul-Americanas da Copa do Mundo de 2018 que muita gente considera as mais equilibradas da história.

Alguns pitacos sobre o que aconteceu nas Eliminatórias com as dez seleções sul-americanas desde 1994, quando o Brasil conquistou o tetracampeonato mundial:

♦ A Argentina é a única seleção que participou de todas as Eliminatórias. Duas vezes campeões do mundo, a última em 1986, os argentinos voltaram a disputar o título nas sete edições seguintes sem nunca mais conquistá-lo. Foram à Copa de 1994 após vencer a Austrália na repescagem.

♦ Tetracampeão, o Brasil estava garantido em 1998. Pentacampeão em 2002, teve de passar pelas Eliminatórias de 2006. Anfitrião em 2014, não precisou disputar a vaga.

♦ Duas vezes campeão do mundo, o Uruguai não conseguiu se classificar para três das últimas Copas– as 1994, 1998 e 2006 – e, nas outras três, só garantiu a vaga na repescagem – contra a Austrália em 2002, a Costa Rica em 2010, e a Jordânia em 2014.

♦ O Chile não conseguiu passar das Eliminatórias nas edições de 1994, 2002 e 2006.

♦ A Colômbia não chegou às Copas de 2002, 2006 e 2010.

♦ O Paraguai ficou fora de 1994 e 2014.

♦ O Equador não conseguiu vaga em 1994, 1998 e 2010.

♦ A Bolívia foi à Copa de 1994 e nunca mais voltou.

♦ A última Copa disputada pelo Peru foi a de 1982.

♦ A Venezuela nunca foi a uma Copa do Mundo.

Recordação histórica: dos 209 países filiados à Fifa, o Brasil é o único que participou de todas as edições da Copa do Mundo, desde quando nem havia Eliminatórias.

Será muito, muito difícil que a Seleção não vá à Rússia.

Presidente interino da Fifa também está sob suspeita

O camaronês Issa Hayatou, presidente da Confederação Africana de Futebol, é o presidente interino da Fifa até as eleições de 26 de fevereiro de 2016 – se é que escapará de alguma punição até lá.

Hayatou já foi acusado pela BBC e punido pelo Comitê Olímpico Internacional por receber recursos não muito bem explicados da empresa de marketing esportivo ISL e tem o nome frequentemente associado às negociações que levaram a Copa do Mundo de 2022 para o Catar.

Ao assumir a função que era de Joseph Blatter, prometeu:

– Comprometo-me a dedicar todos os meus esforços a trabalhar por esta entidade, por nossas associações nacionais, por nossos empregados, por nossos estimados sócios comerciais e por todos os aficionados do futebol.

Depois de dedicar um adjetivo apenas aos ‘sócios comerciais’, garantiu:

– Continuaremos colaborando sem reservas com as autoridades e realizando as investigações internas não importa aonde elas nos levem.

Novas emoções à vista em Zurique.

Quem vai fazer companhia a Neymar?

Chile x Brasil: Douglas Costa e Elias, titulares; Lucas Lima, reserva? - Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Chile x Brasil: Douglas Costa e Elias, titulares; Lucas Lima, reserva? – Foto: Rafael Ribeiro/CBF

É bem provável, embora seja difícil apostar, pois Dunga vem fazendo o que pode para esconder o jogo, que o Brasil enfrente o Chile em Santiago, na noite desta quinta, com Jefferson no gol, Daniel Alves, Miranda, David Luiz, Filipe Luís, Luiz Gustavo, Elias, Oscar, Willian, Douglas Costa e Hulk.

Os muito pessimistas e/ou debochados dirão que teremos no gramado do Estádio Nacional cinco motivos – ou sete, se Dunga escalar Fernandinho e não Elias, Marcelo e não Filipe Luís – para relembrar os 7 a 1 das semifinais da Copa do Mundo de 2014 há exatos 15 meses.

Certo é que a Seleção vai estrear nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018 sem ter ainda uma cara definida, problema que se agrava enormemente com a ausência de Neymar.

Já deveríamos estar esboçando o time que pretende lutar pelo hexa, mas nem sequer temos ainda o time que precisa lutar por uma das 31 vagas na Rússia.

Nossos adversários, incluindo o Chile e talvez excluindo a Argentina, escalarão na rodada de abertura das Eliminatórias Sul-Americanos times muito parecidos com aqueles que pretendem desembarcar em campos russos.

Nós ainda não temos certeza no gol, nas duas laterais, na zaga, no meio de campo e no ataque.

Nós não temos certeza nenhuma? Exagero, mas se parece certo que David Luiz, Luiz Gustavo, Elias, Oscar, Willian e Douglas Costa estarão na Seleção até 2018, quantos continuarão titulares até lá?

Jogadores que estão na fila (como o zagueiro Gil, o lateral Marcelo, os meias Renato Augusto e Lucas Lima), saíram da fila (como o zagueiraço Thiago Silva) ou ainda não entraram na fila (como o volante/meia Danilo e o atacante Gabriel Jesus) podem e devem sonhar com a camisa titular na Rússia, mas precisam correr desde já para ajudar o Brasil a chegar lá.

Por enquanto, o jogo que vale é o das Eliminatórias. Serão 18 chances de mostrar que o Brasil, ao contrário do que proclamam alguns, ainda é o país do futebol. O desafio começa às 20h30 desta quinta-feira, 8 de outubro.

E agora, Platini? O sonho acabou…

Eleições na Fifa: Zico se beneficia com suspensão de Platini?

Eleições na Fifa: Zico se beneficia com suspensão de Platini?

Ficou praticamente impossível para Michel Platini a manutenção da candidatura à sucessão de Joseph Blatter na presidência da Fifa.

O Comitê de Ética da Fifa anunciou, há pouco, que o antigo craque francês e atual presidente da UEFA está suspenso por 90 dias de suas atividades na Fifa, em companhia do próprio Blatter e de Jérôme Valcke, ex-secretário geral da entidade.

A suspensão ainda pode ser aumentada em mais 45 dias.

As eleições na Fifa estão marcadas para fevereiro de 2016.

O sonho do francês acabou, o pesadelo está só começando.

Nossa copeira Maria Antonieta debochou do francês quando soube da notícia: “O sonho acabou? Por que ele não pede brioche?”

E. embora vascaína, começou a apostar que o brasileiro Zico será o próximo presidente da Fifa.

De fato, a hora seria boa para a candidatura do nosso Zico se ele se mostrasse minimamente capaz de atrair apoio pelo mundo afora.

Até porque outro dos candidatos, o coreano Chung Mong Joon, ex-vice-presidente da Fifa acusado de negociar votos para a escolha das sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022, também foi punido pela Comissão de Ética e está banido do futebol por seis anos. Não pode mais nem pensar em se candidatar.

Dos que se anunciaram candidatos à sucessão de Blatter, continuam vivos Zico, o príncipe jordaniano Ali Bin Al-Hussein e  Musa Bility, presidente da federação da Libéria.

PS: Pelo menos por enquanto, não adianta procurar mais informações no site da Fifa . Não se fala disso por lá.