Arquivo diário: 4 de outubro de 2015

E Jailson fez Egídio sofrer até o fim

Egídio: cinco minutos depois de expulsão, é chamado de volta ao jogo pelo árbitro

Egídio: cinco minutos depois de expulso, é chamado de volta pelo árbitro

A comissão de arbitragem da CBF inaugurou nesta 29ª rodada do Brasileirão a arbitragem por controle remoto.

Coube ao baiano Jailson Macedo Freitas a desonra de ser o primeiro a receber ordens de fora do campo para voltar atrás em lance que ele julgara por contra própria – erradamente, reconheça-se – e, assim, chamar de volta ao gramado o palmeirense Egídio que tinha mandado para os chuveiros da Arena Condá.

Aconteceu aos 15 minutos de Chapecoense 2 x 0 Palmeiras. William Barbio, em arrancada rumo ao gol de Fernando Prass, driblou Vitor Hugo e foi desarmado em seguida por Egídio com um carrinho perfeitamente legal. Jailson marcou falta e expulsou o lateral palmeirense.

Cercado por jogadores do Palmeiras, o árbitro se rendeu às reclamações e foi conversar com o bandeirinha até que apareceu na rodinha o quarto árbitro, o gaúcho Daniel Nobre Bins, para convencê-lo de que ele tinha errado na marcação da falta e na expulsão.

Jailson mandou chamar Egídio de volta, voltou ele mesmo ao campo, anulou tudo o que fizera e recomeçou o jogo com uma bola ao chão.

Tudo certo. Cinco minutos depois de errar em dose dupla, o árbitro corrigira os erros.

Fica uma pergunta, porém: de sua mesinha ao lado do campo, como o quarto árbitro enxerga melhor do que o árbitro principal lá dentro?

A tecnologia eletrônica, cujo uso não é autorizado pelas regras do futebol e foi oficialmente negado à CBF pela Fifa  há poucos dias, talvez explique.

O jogo teve outros quiproquós produzidos pela arbitragem, que felizmente acabaram não influindo no resultado: acachapantes 5 a 1 para a Chapecoense.

Se tivesse direito de escolha, muito provavelmente Egídio teria preferido continuar no vestiário.

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O Atlético Mineiro não pode reclamar

Jádson: 12º gol pelo Corinthians no Brasileirão

Jádson abre o placar contra a Ponte Preta: 12º gol pelo Corinthians no Brasileirão

O Corinthians foi melhor no primeiro tempo, fez 1 a 0 aos 42 minutos, com o 12º gol de Jádson no Brasileirão, mas se aquietou no segundo e permitiu que a anfitriã Ponte Preta virasse o jogo em apenas três  minutos, com gols de Elton aos 15 e de Felipe Azevedo aos 18.

Aos 21, Tite trocou Elias por Rodriguinho e boa parte da torcida corintiana estrilou no Moisés Lucarelli. Aos 39, Rodriguinho empatou e Tite armou a concha nos ouvidos para escutar melhor os aplausos dos corintianos.

O 2 a 2 está aquém das pretensões do Corinthians, que queria manter a folga de sete pontos na liderança do Brasileirão, e dos desejos do Atlético Mineiro, que torcia por uma vitória da Ponte para ficar a apenas quatro pontos do líder.

Tendo vencido ontem o Coritiba por 3 a 0, o Atlético não pode reclamar da rodada, pois, além de chegar mais perto do Corinthians, ampliou a vantagem sobre o Grêmio, que apenas empatou com o Cruzeiro por 0 a 0 no Mineirão e continua em terceiro lugar, agora com 52 pontos, a quatro do vice-líder.

O Santos também se deu bem neste domingo, batendo na Vila Belmiro o Fluminense por 3 a 1, o que lhe dá o quarto lugar até que se inicie Chapecoense x Palmeiras às 18h30.

Ao Palmeiras bastará um empate na Arena Condá para voltar ao G-4.

A novela continua: um homem cheio de dúvidas

Juan Carlos Osorio ainda não sabe se fica no São Paulo, se vai imediatamente para o México ou se espera o final do Brasileirão para assumir de vez o comando técnico da seleção mexicana.

Dá para entender por que é tão bipolar o comportamento do São Paulo em campo.

Diminuiu bastante no Morumbi o contingente dos que acreditam na permanência do treinador colombiano.

Osorio promete o próximo capítulo da novela para quarta-feira, quando os jogadores do São Paulo voltam às gravações, perdão, aos treinos.

Nem a Globo, nos tempos em que dava grande audiência, espichava tanto suas novelas.

A bola está com Corinthians, Grêmio, Palmeiras e Santos

Da tarde de sábado até a matinê deste domingo, o Internacional, o Atlético Mineiro, o São Paulo e o Flamengo fizeram o que lhes cabia para manter ao final desta 29ª rodada do Brasileirão pelo menos as posições ocupadas antes de, pela ordem, derrotarem o Sport, o Coritiba, o Atlético Paranaense e o Joinville.

Antes que role a bola em Ponte Preta x Corinthians, Santos x Fluminense, Cruzeiro x Grêmio e Chapecoense x Palmeiras, está assim a linha de frente do Brasileirão, destacados em azul os times que poderão melhorar a pontuação nos jogos da tarde e da noite deste domingo:

1º – Corinthians – 60 pontos

2º – Atlético Mineiro – 56 pontos

3º – Grêmio – 51 pontos

4º – São Paulo  – 46 pontos

5º – Palmeiras – 45 pontos

6º – Flamengo – 44 pontos

7º – Internacional – 44 pontos            1

8º – Santos – 43 pontos

Lá embaixo, o lanterninha Joinville, que perdeu por 2 a 0 para o Flamengo no Maracanã, e o vice-lanterna Vasco, que empatou por 1 a 1 com o Avaí na Ressacada, ficam onde estavam, independentemente do resultado de Goiás x Figueirense e Chapecoense x Palmeiras à tarde.

Valdívia não é Romário

Valdívia:

Valdívia: “Quando não faço o gol, eu acho que não jogo bem”

Um dos destaques na vitória por 2 a 1 sobre o Sport na noite deste sábado, como tem sido em quase todos os jogos do Internacional, Valdívia saiu do Beira-Rio discordando dos elogios recebidos com um argumento muito peculiar:

Quando não faço o gol, eu acho que não jogo bem.

O mato-grossense Wanderson Ferreira de Oliveira, que está completando 21 anos neste domingo, é um meia veloz e habilidoso, conhecido nos campos de futebol como Valdívia graças à semelhança física com o meia chileno, mas se parece mais com o brasileiro Romário ao desdenhar dos elogios à sua boa atuação na vitória que, pelo menos temporariamente, mantém o Inter com chances de ainda chegar ao G-4 no Brasileirão.

Matador preciso e refinado, com mais de mil gols contabilizados na carreira, o atacante Romário podia limitar suas andanças à grande área e cercanias para decidir jogos, fáceis ou difíceis, do seu time e da Seleção. Quando resolvia trabalhar em todo o campo de ataque, o que era raro, transformava-se em craque completo, incomparável.

Quando voltou à Seleção em 26 de fevereiro de 1997, encerrando um distanciamento de dois anos e meio após a conquista do tetra nos Estados Unidos, Romário de Souza Faria multiplicou-se por todo o extenso gramado do Serra Dourada, fez e desfez, mandou no jogo, levando o público de 49.546 pagantes ao delírio na vitória sobre a Polônia por 4 a 2, com dois gols de Giovanni e dois do fenômeno Ronaldo.

Por pura coincidência, nos encontramos depois do jogo no elevador do hotel em que estávamos hospedados. Ainda entusiasmado com a exibição do mais atrevido Baixinho de nosso futebol, comentei:

– Que partida, Romário! Você estraçalhou.

– Mas não fiz gol – lamentou-se o craque.

Alguns meses depois, numa longa conversa antes de um jogo do Torneio da França em Lion, voltei a comentar aquela noite em Goiânia e Romário logo me interrompeu:

– Benevides, põe uma coisa em sua cabeça: eu nunca entro em campo para jogar bem. Entro em campo para fazer gol.

O meia Valdívia, com cinco gols marcados neste Brasileirão, não pode se dar a esse luxo.