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Pato aqui

Diretores corintianos, com a discreta torcida de alguns jogadores, estão fazendo tudo para se desfazer de Alexandre Pato antes que comece a próxima temporada.

A ideia é despachá-lo de volta para o futebol europeu em troca de um bom dinheiro.

Tite, ao contrário, torce de forma cada vez menos discreta para que Pato retorne ao convívio corintiano em 2016, tanto que já abriu o jogo:

– Se eu fosse manager, ficaria com o Pato e renovaria por dois anos, num investimento de médio e longo prazo.

Além de reforçar o time que vai disputar a Libertadores e sonha com o Mundial, Pato pode valer daqui a dois anos o bom dinheiro que hoje querem os dirigentes sem conseguir  arrancá-lo dos clubes europeus.

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Tite já tem programa para as férias

Submetido a uma série de perguntas enviadas por internautas a pedido do Estadão, Tite teve o seguinte diálogo virtual como a corintiana Lívia Karina:

– Como você vai aproveitar as férias?

– Já pedi para o pessoal da informática pegar os melhores momentos de cada jogo que a gente fez no ano. Vou ficar fazendo churrasco em casa e curtindo alguns jogos emblemáticos que a gente fez para relembrar a temporada.

Não falta muito para que Tite, ótimo meia em seus tempos de boleiro, resolva seguir como técnico o conselho que Neném Prancha dava aos goleiros:

…deve dormir com a bola. Se for casado, dorme com as duas.

Dona Rose não vai gostar.

Tite e Joel provam que o futebol brasileiro está mudando?

Tite: até o fim

Tite: do começo ao fim

Tite começou e vai terminar o Brasileirão no comando técnico do Corinthians.

É uma exceção absoluta.

Não, não. É uma exceção relativa.

O São Paulo também começou sob o comando de Milton Cruz e tudo indica que sob o comando de Milton Cruz irá até o fim. Acontece que, entre um e outro Milton, lá estiveram Juan Carlos Osorio e Doriva.

O Corinthians é mesmo uma gloriosa exceção. Todos os outros 19 times mudaram de treinador pelo menos uma vez – como o Atlético Mineiro, vice-líder, está mudando às vésperas da penúltima rodada e o Avaí, sócio do Z-4, mudou após a 34ª rodada.

O Goiás é o recordista: foi comandado por Hélio dos Anjos, Julinho Camargo, Arthur Neto e Danny Sergio.

Joel: sem chance

Joel: sem chance

Entre os treineiros, ninguém mudou tanto quanto Doriva, que começou no Vasco, foi para a Ponte Preta, mudou-se para o São Paulo e agora está desempregado.

Tantas vagas foram abertas durante a temporada, mas desta vez Joel Santana não conseguiu uma boquinha sequer!!!

Pode-se dizer que o futebol brasileiro está mudando?

Como se fosse uma decisão

No Itaquerão, após Corinthians 6 x 1 São Paulo, Ralf recebe a taça de campeão brasileiro

Após Corinthians 6 x 1 São Paulo, Ralf recebe a taça de campeão brasileiro

Enganou-se quem acreditou, como este blogueiro, que a ausência do trio Gil-Elias-Renato Augusto e o clima de festa no Itaquerão favoreceriam o São Paulo em sua luta para continuar no G-4.

O Corinthians, ainda mais reserva do que se prenunciava, não perdoa. Joga sempre como se fosse decisão. Tite não permite poupança de energia em campo. E, sem perder a vibração, o Corinthians decide as paradas com a frieza de campeão.

Não tem Elias, Jadson nem Renato Augusto?

Bruno Henrique vai lá e faz Corinthians 1 x 0 São Paulo.

Malcom e Vagner Love não estão em campo?

Romero faz 2 a 0.

O primeiro tempo está acabando, Gil também não veio?

Pouco importa: Edu Dracena faz 3 a 0.

Vamos ao segundo tempo.

Danilo, o polivalente camisa 12, no exercício mais uma vez da titularidade, como diria Tite nos velhos tempos, se dá ao luxo de fazer uma assistência, de letra, para o talismã Lucca marcar o seu: 4 a 0.

E como o talismã estava esperando a bola cruzada por Romero, o tricolor Hudson achou melhor cortar o caminho e tocá-la logo para as redes de Denis: 5 a 0.

Será que o São Paulo não vai esboçar nenhuma reação? Não diziam por aí que Paulo Henrique Ganso e até Alexandre Pato eram os responsáveis pela apatia que tantas vezes o São Paulo de Milton Cruz, Juan Carlos Osorio e Doriva mostrou em campo? Nenhum deles está em Itaquera.

E o São Paulo reagiu muito de leve, com um gol de Carlinhos um pouco depois da metade do segundo tempo. Diminuiu o vexame: 5 a 1.

Teremos mais?

Sim, claro. O Corinthians não sossega. Pênalti de Reinaldo em Romero. Cristian bate e faz 6 a 1.

Acabou? Não. O São Paulo também tem um pênalti a seu favor. Alan Kardec cobra, Cássio defende.

Algum titular do Corinthians tinha de mostrar serviço.

Acabou a festa. É hora de o capitão Ralf receber a taça.

Definitivamente campeão

() SPO Corinthians comemora título em São Januário – Foto: Daniel Augusto Jr./Ag. Corinthians

Tite, Renato Augusto, Elias e Vágner Love: caras do Corinthians campeão

Tite, Renato Augusto, Elias e Vágner Love: caras do Corinthians campeão

Qualquer estagiário de Fisiologia sabe que as 46 horas de intervalo entre Brasil 3 x 0 Peru e o Vasco x Corinthians decisivo para ambos eram insuficientes para a completa recuperação muscular de Gil, Elias e Renato Augusto, que tinham jogado os 90 minutos em Salvador.

Esquecida a disparidade técnica entre os dois times, é quase natural que o Vasco tenha determinado o andamento do jogo em boa parte do primeiro tempo, pelo menos até os 30 minutos, com mais presença no campo ofensivo e maior número de finalizações.

Nos 15 minutos seguintes, o Corinthians se impôs, adiantou suas linhas e chegou mais perto de abrir o placar. O Vasco se desconcentrou, passou a ceder espaço no meio de campo, perdeu a força de ataque.

No segundo tempo, o Vasco retomou o ritmo inicial, com mais posse de bola e maior força no ataque.

Como se tivesse preservando as forças parcialmente gastas dois dias antes na Seleção, o Corinthians recolheu-se ao campo de defesa para apostar no contra-ataque.

Antes dos 15 minutos, Jorginho trocou Rafael Silva por Jorge Henrique e Tite resolveu substituir Renato Augusto, o mais cansado do trio que veio da Seleção, por Rodriguinho.

Em seguida, o vascaíno Rodrigo fez uma falta escandalosa em Malcom, acertando a chuteira na cabeça do corintiano quase na altura do Cristo Redentor, e foi imediatamente expulso pelo bom árbitro Anderson Daronco.

Com 11 contra 10 em campo e mais meia hora de jogo pela frente, que mais o Corinthians poderia querer na noite inesquecível desta quinta-feira?

O São Paulo ia trucidando o Atlético Mineiro no Morumbi até chegar aos 4 a 2 que dariam matematicamente o título ao Corinthians qualquer que fosse o resultado em São Januário.

E não é que, com 10 contra 11 corintianos, o Vasco fez 1 a 0, gol de Julio Cesar, quando Riasco já tinha dado lugar a Éder Luís e Elias tinha sido trocado por Lucca?

E foi o talismã Lucca, depois de perder duas vezes a chance de empatar o jogo, que desviou a bola para Vágner Love fechar o placar em 1 a 1, enlouquecer de vez a pequena parcela de corintianos em São Januário, arrancar lágrimas de Renato Augusto à beira do gramado e espocar fogos em toda São Paulo.

Como estava escrito desde antes do retorno de Charles William Miller com algumas bolas e um livro de regras para plantar por aqui as sementes do esporte que encantava os ingleses, o Corinthians é o campeão brasileiro de 2015. Hexacampeão!

Por que o Corinthians de Tite é hexacampeão

Tite, novamente campeão com o Corinthians: permanentemente ligado

Tite, novamente campeão com o Corinthians: permanentemente ligado

Em outros tempos, quando seu time enrolava muito o jogo e mais se defendia do que atacava, ele tratava de também enrolar a linguagem nas entrevistas e mesas redondas. Falava em titês, um dialeto aparentado com o lazaronês, embora seu criador, tendo sido boleiro, jamais tenha chegado ao exagero de se dispor a galgar parâmetros, como se obrigava em outros tempos o colega Sebstião Lazaroni.

Galgou-os, no entanto. E como!

O futebol contido e a fala empolada lhe deram, em outra encarnação no Corinthians, os títulos de campeão brasileiro de 2011, campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes em 2012.

Foi, no entanto, ao reencarnar com a camisa corintiana, depois de um ano longe do trabalho nos campos de treino e de jogo, procurando conhecer de perto o que fazem seus colegas de profissão no futebol europeu, agora cada vez mais antenado com os novos rumos da bola pelo mundo afora, que o gaúcho Adenor Leonardo Bachi se transformou em unanimidade nacional que muitos gostariam de ver no comando técnico da Seleção.

Parece outro treinador este Tite que voltou ao trabalho nesta temporada depois de assinar novo contrato com o Corinthians no finalzinho de 2014.

Continua sério, embora bem humorado, dedicado e sincero, mas parece mais leve e feliz no trato com os boleiros e os torcedores e acrescentou ao repertório do time opções ofensivas que aquele Corinthians multicampeão de 2011 e 2012 nem sonhava exercitar.

O que mudou?

A chave para entender o novo Tite talvez esteja numa entrevista que ele deu a Marcelo Rizzo, da Folha, ainda em março (para ler, clique aqui), em que conta o que mais o marcou nos cinco dias de convivência com Carlo Ancelotti, acompanhando o trabalho do colega italiano no Real Madrid:

– O que levo dele é exigir concentração alta dos atletas o tempo todo. Ele abriu seu sistema de trabalho de uma forma que, admito, eu não faria com outro profissional.

O Corinthians de 2015 é um time permanentemente ligado, dos treinos aos jogos, passando às vezes até pelos curtos períodos de folga.

O Tite de hoje, embora menos tenso, parece o Bernardinho de sempre. Não faz muito tempo, até contou que dorme com um caderno de anotações na cabeceira e, às vezes, acorda para registrar recados para ele mesmo ler no dia seguinte.

Sorte dos seus pupilos corintianos. Bernardinho dispara, no meio da noite, recados para os seus jogadores, às vezes simplesmente perguntando o que eles fizeram naquele dia para alcançar uma ótima performance no próximo jogo ou na próxima competição.

Tite é mais relax. Nem por isso está menos alerta. Mais do que o novo desenho tático, a distribuição mais equilibrada do time, a movimentação incessante dos jogadores e o alargamento do campo de ataque com a abertura dos meias em direção às laterais, o segredo do Corinthians  campeão brasileiro de 2015 é a permanente mobilização mental.

Tite conseguiu fazer Cássio, Fagner (Edílson), Felipe, Gil, Uendel (Guilherme Arana), Ralf, Elias, Renato Augusto, Jadson, Malcom (Lucca), Vagner Love (Luciano), Danilo e companhia menos assídua jogarem tudo o que podem – às vezes, quando a necessidade aperta, um pouquinho mais do que sabem.

Tite simplificou a linguagem e galgou parâmetros.

Por isso, o Corinthians é hexacampeão brasileiro – vença, empate ou perca o jogo desta quinta-feira contra o Vasco.

O Vasco também ganhou em Salvador

Mesmo sem querer, Dunga deu uma boa mão ao velho companheiro Jorginho no jogo de amanhã contra o Corinthians em que o Vasco continuará a luta para escapar ao rebaixamento.

Depois de atuar 90 minutos nos 3 a 0 sobre o Peru, dificilmente os corintianos Gil, Elias e Renato Augusto terão condições de jogar outros 90 na quinta-feira.

É claro que o trio estará lá, até porque o Corinthians pode assegurar matematicamente o título de campeão brasileiro em São Januário, mas não devem ser escalados por Tite desde o começo do jogo.