Um sábado inesquecível

Foi um sábado que deixará pelo menos dois registros importantes na história do esporte brasileiro, relativos ambos a eventos em campo e quadro da Europa:

  • Ao conquistar no Estádio Olímpico de Berlim o título de campeão europeu pelo Barcelona, Neymar não apenas realizou um sonho de criança, mas também consolidou a imagem de supercraque, capaz de se superar a cada temporada, batendo sucessivamente recordes pessoais. Aos 23 anos, com os títulos da Libertadores e da Liga dos Campeões da Europa, artilheiro das duas competições, tendo feito gol nas finais de ambas, é o primeiro jogador a também marcar em todos os jogos das quartas, das semifinais e da final na era moderna da competição europeia.
  • Ao vencer, em parceria com o croata Ivan Dodig, os norte-americanos Bob e Mike Bryan por dois sets a 1 (parciais de 6/7, 7/6 e 7/5), Marcelo Melo se transformou no primeiro tenista brasileiro a conquistar o título de duplas do Torneio de Roland Garros, a quadra predileta do nosso Guga em seus bons tempos. Foi a primeira vez que Marcelo Melo, de 31 anos, ganhou um Grand Slam em sua longa carreira.

Também em campos do Brasil, o 6 de junho não foi um sábado qualquer:

  • No Morumbi, Rogério Ceni saudou a estreia do treinador Juan Carlos Osorio com mais um gol, ajudando o São Paulo a vencer o Grêmio por 2 a 0, e já é o décimo artilheiro da história tricolor, com 129 gols no total.
  • Em Santa Catarina, o Corinthians voltou a sentir o gosto da vitória, batendo o Joinville por 1 a 0, e a se aproximar do pelotão de frente no Brasileirão.
  • No Estádio Independência, finalmente o Cruzeiro quebrou um tabu de 11 jogos sem vencer seu grande rival e bateu o Atlético por 3 a 1. Parece ter se afastado definitivamente da zona de rebaixamento.
  • No Maracanã, o Flamengo conseguiu a primeira vitória neste Brasileirão: 1 a 0 na Chapecoense.
  • Na Vila Belmiro, o Santos mostrou mais uma vez que não é fácil a vida sem Robinho e empatou por 2 a 2 com a Ponte Preta, que continua no G4.
  • Na Arena da Baixada, nada de novo: o Vasco perdeu como sempre, agora por 2 a 0, e o Atlético Paranaense continua firme na liderança do Brasileirão, com 15 pontos, dois a mais do que o São Paulo, que pode perder o segundo ugar neste domingo se o Sport vencer o Fluminense no Rio.

Como já cantou o poetinha Vinicius de Moraes, com a sabedoria de bom botafoguense, “há um renovar-se de esperanças porque hoje é sábado”. Menos para os vascaínos, registre-se.

Barça, o campeão que todos esperavam

Gol de Suárez 66Suárez faz 2 a 1 para o Barça aos 23 do segundo tempo e garante o título europeu

Não foi o Barcelona esfuziante dos últimos tempos e ficou até a impressão de que Messi não entrou inteiro no jogo, mas o caneco da Liga dos Campeões da Europa ficou com que mais o mereceu.

Juventus deu rápida e passageira demonstração de coragem no início do jogo, partindo para cima da defesa espanhola como se quisesse surpreender Messi e companhia, muito mais acostumados a determinar o andamento da bola do que a se trancar na defensiva.

Aos 4 minutos, porém, o volante Rakitic desfez as ilusões, mandando para as redes de Buffon a bola que lhe foi tocada por Iniesta, que recebera de Neymar e passara por Alba após o lançamento precioso e preciso de Messi.

Daí em diante, o Barça tratou de tocar a bola como nos tempos de Pep Guardiola, abdicando um pouco da contundência que lhe imprimiu Luis Enrique para aproveitar o talento e entrosamento de Messi, Neymar e Suárez.

No segundo tempo, quando a torcida do Barça já ensaiava um coro de ‘olé’, o espanhol Morata empatou o jogo aos 9 minutos e a Juve voltou a passar a sensação de que poderia reverter o placar.

De novo, era pura ilusão. Aos 23, aproveitando o rebote do goleiraço Buffon num chute forte de Messi, o uruguaio Suárez garantiu o título.

Os 2 a 1 eram pouco, talvez não pelo jogo deste sábado,  certamente por toda a obra do Barça ao longo da competição, e Neymar tratou de ampliar a vantagem dois minutos depois, mas a arbitragem anulou o gol invocando um toque de mão na bola que mais pareceu um toque da bola na mão do brasileiro.

Não adiantou. Já aos 51, Neymar decretou em 3 a 1 o placar da vitória e, assim, se tornou, em companhia de Messi e de Cristiano Ronaldo, um dos artilheiros desta Liga dos Campeões da Europa, cada um deles com 10 gols.

Será este o trio que veremos na festa da Bola de Ouro de 2015?

Mesmo que não vá à festa como um dos destaques da temporada, Neymar entrou definitivamente para a história, como o segundo jogador a conquistar os títulos da Libertadores e da Liga dos Campeões da Europa fazendo gol nas finais e o primeiro na era moderna da competição europeia a marcar em todos os jogos das quartas, das semifinais e da final.

Veja mais algumas imagens marcantes da final em Berlim

Liga dos Campeões 2015

   O jovem Pogba consola o veterano Pirlo + Os brasileiros Daniel Alves e Adriano exageram na comemoração + Messi é marcado com a severidade de sempre + Neymar se ajoeha para chorar + Piqué saboreia a glória de campeão

Antes que a gente esqueça

Corações e mentes ligados na final da Liga dos Campeões da Europa não podem esquecer que neste sábado, 6 de junho, começa também a sexta rodada do Campeonato Brasileiro, com os seguintes jogos:

  • Às 18:30: Santos x Ponte Preta, ou Lucas Lima x Renato Cajá; Flamengo x Chapecoense, o vice-lanterna contra o sétimo colocado, nesta ordem; e, como se não tivesse nenhuma importância, o clássico mineiro entre Atlético, em nítida ascensão, e o Cruzeiro, tentando retomar a aura de bicampeão.
  • Às 21 horas: Joinville x Corinthians, a chance de Tite voltar a dar uma entrevista falando sobre como é bom vencer um jogo.
  • Às 22 horas: Atlético Paranaense x Vasco, que vale a liderança para o time de Curitiba e a sobrevivência para o campeão carioca, e São Paulo x Grêmio, estreia do colombiano Juan Carlos Osorio no comando técnico são-paulino.

Mais cedo, em concorrência direta com Juventus x Barcelona, rolarão vários jogos da Série C e da Série B. Ninguém para o pujante futebol brasileiro dos nossos dias…

Pitacos de quem conhece os caminhos da bola

Alguns palpites sobre a final deste sábado de antigos campeões europeus ouvidos pelo site da Uefa: 

  • Zinédine Zidane: “Todos dizem que o Barcelona é favorito, mas nunca se deve subestimar uma equipe italiana.”
  • Marco van Basten: “Acho que se vai registar um empate por 2 a 2 após a prorrogação e depois a Juventus ganha nos pênaltis. E não digo isto apenas por me sentir meio italiano!”
  • Deco: “A Juventus não se importará de defender durante 90 minutos. O Barça precisa de ter a bola o máximo de tempo possível e estar atenta aos contra-ataques adversários. Se jogar como tem feito até agora, vai vencer por 2 a 0.”
  • Franz Beckenbauer: “Com Messi, o Barcelona tem vantagem. Prevejo um triunfo apertado do Barcelona.”
  • Cafu: “É muito difícil se aguentar na defesa, mas se pode esperar qualquer coisa por parte da Juventus. Acho que o Barcelona vai acabar por quebrar a sua resistência. O resultado vai ser 3 a 1 para o Barcelona.”

Por que vamos todos ver Juve x Barça hoje à tarde

Liga dos Campeões bola 66

O Barcelona entrará em campo hoje, no Estádio Olímpico de Berlim, com seis jogadores que disputaram a final de 2011 da Liga dos Campeões da Europa: Daniel Alves, Piqué, Iniesta, Mascherano, Busquets e Messi.

Entre os reservas, estarão Xavi e Pedro, que também jogaram aquela final.  E Adriano, que não saiu do banco em 2011, lá estará novamente.

Os outros cinco titulares são o goleiro Ter Stegen, de 23 anos, tirado do Borussia Mönchengladbach no ano passado; o lateral Alba, 26 anos, formado nas divisões de base do próprio Barça e trazido de volta em 2012 após um período no Valencia; o volante  Rakitić, 27 anos,  contratado ao Sevilla em 2014; os atacantes Neymar, cuja história a gente bem conhece, e Suárez, 28 anos, contratado ao Liverpool também no ano passado.

Por mais que a gente repita, e em parte seja verdade, o Barcelona não é somente Messi. É um time no sentido verdadeiro da palavra, provavelmente o que melhor alia em todo o mundo da bola o espírito coletivo à criatividade individual de suas fulgurantes estrelas.

Com menos brilho individual, a Juventus é igualmente um time, de sólida conformação coletiva, montado pacientemente ao longo dos últimos anos.

Buffon, o número 1, veste a camisa da Juve desde 2001. O volante Marchisio, prata da casa, vestiu a camisa de titular pela primeira vez em 2006, antes de passar uma temporada emprestado ao Empoli para retornar em 2008. O zagueiro Bonucci estreou em 2010 e seu parceiro Barzagli, em 2011, quando também entraram no time o lateral Lichtsteiner, o volante Pirlo e o meia Vidal. O meia Pogba chegou em 2012, o atacante Tévez em 2013. E, em 2014, o time se completou com a contratação do lateral Evra e do atacante Morata.

Agora, pegue a escalação do seu time aqui no Brasil e confira há quanto tempo os 11 estão juntos.

Ou relembre como o Cruzeiro desfez no começo de 2015 o time que Marcelo Oliveira pacientemente montou em 2013 e 2014. Se você é corintiano, preste atenção no desmonte que está em curso no circuito Parque São Jorge-Itaquera.

Essa é uma das principais razões por que o futebol brasileiro está tão mal e, cada vez mais, os brasileiros se interessam pelo Barcelona, pela Juventus… pelo futebol jogado em campos europeus.

De permanente por aqui só a cartolagem – enquanto o FBI não entra em campo, claro.

Oswaldo precisa rasgar a fantasia

Oswaldo: sem Robben e Ribéry...

Oswaldo: sem Robben e Ribéry…

Se o Palmeiras tem algo para comemorar nesta temporada, é a comunhão entre a torcida e o clube.

Desde que ganhou casa nova, a torcida palmeirense recobrou o sentimento de grandeza dos tempos da Academia do regente Ademir da Guia e mais recentemente das sucessivas levas de grandes times em redor de ídolos como Edmundo, Roberto Carlos, César Sampaio, Zinho, Evair, Rivaldo, Djalminha, Alex e Marcos, e lota o Allianz Parque na esperança de se reencontrar com as glórias perdidas.

Vã esperança, porém, pelo menos até agora. A comunhão entre torcida e clube não se reproduz entre torcida e time.

O time atual, ainda em formação, é muito inconstante e pouco confiável. Dá aos torcedores alegria em dose dupla, limando o Corinthians do Paulistão e depois o abatendo no Brasileirão, mas fraqueja ao decidir o título estadual com o Santos e faz um campanha medíocre na competição nacional, como bem retrata o empate em casa por 1 a 1 com um Internacional desfalcado de vários titulares.

A torcida novamente fez sua parte na noite da quinta-feira, 5 de junho: 36.199 pessoas pagaram mais de R$ 2.3 milhões na esperança de ver Robben e Ribéry estraçalhando o Inter meio reserva em ataques sucessivos pelas beirada do campo, como prometera o treinador Oswaldo de Oliveira, mas saíram frustradas com a inoperância ofensiva de Dudu e Kelvin.

Se a dupla Robben-Ribéry faz falta ao Bayern de Pep Guardiola, imagine-se ao Palmeiras de Oswaldo de Oliveira…

Oswaldo, que fez a bem humorada comparação ao anunciar a escalação para enfrentar o Inter, talvez não se dê conta de que está exacerbando os sonhos de grandeza dos palmeirenses e, não tão bem humorado depois do 1 a 1, jogou a frustração da torcida no colo dos analistas:

– Quando não conseguimos a vitória, sempre falta finalização, falta infiltração. Se tivesse terminado por 1 a 0, não faltaria nada. É por aí que se faz análise dos jogos…

O problema é que o Palmeiras não consegue vencer um jogo do Brasileirão no Allianz Parque desde o ano passado. Portanto, nunca venceu um jogo do Brasileirão no Allianz Parque.

Em 2014, fez dois jogos: ao inaugurar a nova casa, perdeu para o Sport por 2 a 0 na 35ª rodada; na rodada final do Brasileirão, empatou com o Atlético Paranaense por 1 a 1. Robben e Ribéry ainda nem tinham sido contratados.

Em 2015, já com os jovens Dudu e Kelvin no elenco e antes do 1 a 1 da quinta-feira com o Internacional, havia empatado com o Atlético Mineiro por 1 a 1 na primeira rodada e perdido para o Goiás por 1 a 0 na terceira.

Este blog ousa, então, repetir o conselho que deu no título de uma nota publicada no dia 9 de maio, após o jogo da primeira rodada: Palmeiras precisa trocar fantasia por mais trabalho.

Amanhã, a Copa de todos os mundos

Suárez, craque uruguaio do Barça, leva para Berlim a cuia de mate/Foto: Miguel Ruiz-FCB

Suárez, uruguaio do Barça, leva para Berlim a cuia de mate/Foto: Miguel Ruiz-FCB

Ao começar Juve x Barça em Berlim na noite deste sábado, a partir das 15:45 no Brasil, estarão nas tribunas estrelas e ‘autoridades’ do futebol de todos os continentes, menos aquelas que estão fugindo das polícias, mas é no gramado do Estádio Olímpico que se verá o verdadeiro mundo da bola.

Nada menos do que 11 países estão representados nos elencos dos dois finalistas da Liga dos Campeões da Europa.

A Juventus, com 22 jogadores inscritos na Liga dos Campeões, tem 12 italianos, três franceses (um deles nascido no Senegal), dois espanhóis, dois argentinos, um chileno, um suíço e um brasileiro.

O Barcelona, que inscreveu 26 jogadores na competição, tem 14 espanhois, quatro brasileiros, dois argentinos, um belga, um uruguaio, um croata, um alemão, um chileno e um francês.

Em campo, quando o árbitro turco Cüneyt Çakir mandar a bola rolar, cinco italianos, um suíço, um senegalês de nacionalidade francesa, um francês, um espanhol, um chileno e um argentino estarão vestindo a camisa da Juventus para enfrentar quatro espanhóis, dois argentinos, dois brasileiros, um uruguaio, um alemão e um croata nascido na Suíça vestidos com a camisa do Barcelona.

É a copa de todos os mundos.

Parece que o Flu venceu no Maracanã

Marcos Júnior 46Marcos Júnior: gol no jogo em que só não apareceram as marcas de Fluminense e Coritiba

Não deu pra ver direito: a camisa era verde e, na frente, tinha duas vezes a marca Guaraviton, outras duas a marca Frescatto, e ainda a marca Matteviton; atrás, mais duas vezes Guaraviton e, ampliada, Guaravita.

Nem sei como cabe tanto anúncio neste outdoor ambulante e mambembe.

Será algum time de fábrica em torneio de várzea?

Pela escalação, parece que não. O time fez 1 a 0, gol de Vinícius após receber uma bola açucarada de Fred.

Parece o Fluminense contra outro time também com a camisa carregada de anúncios, embora em menor quantidade.

No segundo tempo, o time de camisa verde, que o narrador insistia em identificar como tricolor carioca, fez mais um gol, assinado por Marcos Junior.

É, deve ser mesmo o Flu.

Fui conferir na tabela do Brasileirão e lá está: no Maracanã, Fluminense 2 x 0 Coritiba.

Muita gente foi ao jogo: 28.041, no total; 23.004 pagantes.

Se o jogo foi no Maracanã e juntou tantos pagantes e penetras, com certeza é o Flu, agora quinto colocado no Brasileirão, com os mesmos dez pontos de Atlético Mineiro, o terceiro, e São Paulo, o quarto, pelo menos até o Sport x Goiás de daqui a pouco.

Os grandes estão chegando, mas o Coritiba continua lá embaixo, no Z-4, à frente apenas de Vasco, Flamengo e Joinville.

Um brasileiro na final de Roland Garros – e não é Guga

Marcelo Melo: dupla com croata Ivan Dodig

Marcelo Melo: dupla com croata

Boa notícia, vinda de Paris: o brasileiro Marcelo Melo e o croata Ivan Dodig vão fazer, no sábado, a final de duplas do Torneio de Roland Garros contra os irmãos norte-americanos Bob e Mike Bryan.

Melo e Dodig venceram, há pouco, o holandês Jean-Julien Rojer e o romeno Horia Tecau, por 2 sets a 0, com parciais de 6/3 e 7/5. Os norte-americanos venceram os italianos Simone Bolelli e Fabio Fognini, com um duplo 6/3.

É a primeira vez que um brasileiro fará a final de duplas em Roland Garros.

A má notícia é que Bob e Mike venceram todos os últimos confrontos com Melo e Dodig.