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Que papo é esse, Capitão?

De Carlos Alberto Torres, no programa Troca de Passes, do SporTV, sobre a Seleção Brasileira:

– Tem muita coisa errada. Tem gente que diz que sou conservador, mas vi um garoto desembarcando em São Paulo, e aquilo não é jogador de seleção, é jogador de pelada. O cara de capuz na cabeça. Na Europa, você vê Neymar e todo mundo desembarcando de terninho e gravata, respeitando a instituição. Aqui, não respeitam.

O grande capitão de 1970, um dos maiores jogadores da história do futebol, que me desculpe, mas o problema da Seleção nos últimos tempos não é o estilo jovem fora de campo, mas o estilo ultrapassado exibido lá dentro.

Neymar embarca para Berlim: final da Liga dos Camepões - Foto: Miguel Ruiz/FCB

Neymar embarca para a final da Liga dos Campeões – Foto: Miguel Ruiz/FCB

Na última viagem importante feita pelo Barcelona, o voo para a final da Liga dos Campeões em Berlim, Neymar e companheiros embarcaram vestidos informalmente em jeans. E voltaram campeões. Os jogadores da Juventus foram “de terninho e gravata, respeitando a instituição”, como quer o Capitão. E, formalmente vestidos, voltaram para a Itália sem o caneco.

A elegância que está faltando à nossa Seleção é aquela que, com a bola aos pés, Carlos Alberto Torres exibiu durante duas décadas entre os aos 1960 e 1980, e craques como Neymar e Messi exibem hoje em dia.

É o Chile de Sampaoli contra o Santo Guerrero

Sampaoli: "Não podemos perder a bola"

Sampaoli elogia ataque peruano: “Não podemos perder a bola”

Um Paolo Guerrero, mesmo ajudado por Pizarro, Farfán e Cueva, não bastará ao Peru para tirar hoje do Chile de Aránguiz, Vidal, Valdivia, Alexis Sánchez e Vargas, no Estádio Nacional de Santiago, o sonho de chegar à final da Copa América, provavelmente contra a Argentina, e vencê-la.

Chegar à final, a esta altura da Copa América, não será tão difícil assim para os chilenos, haverão de concordar até os peruanos mais sensatos. Conquistar o caneco, que o Chile jamais conquistou, é que é o xis do problema.

Pelo futebol mostrado até agora nesta edição da mais antiga competição entre seleções de futebol em todo o mundo, nenhuma equipe merece mais o título do que o Chile que Jorge Sampaoli vem cuidadosamente azeitando desde 2012.

O problema dos chilenos é que o time da Argentina lhes é tecnicamente superior e tem um tal de Lionel Messi.

O estilo ofensivo e corajoso, às vezes temerário, adotado a partir de 2007 por Marcelo Bielsa e retrabalhado nos últimos anos por seu pupilo Sampaoli, implica em riscos defensivos que os argentinos não costumam perdoar.

Basta, no entanto, de levar este papo como se peruanos, hoje, e paraguaios, amanhã, não estivessem também buscando nos campos chilenos o caneco ou, pelo menos, a participação na grande final marcada para o sábado, 4 de julho.

Uma olhada no vídeo  em que a Federação Peruana de Futebol propagandeia seu otimismo nos mostra que os chilenos enfrentarão às 20h30, em seu Estádio Nacional, 11 guerreiros dispostos a provar que favoritismo não decide jogo.

Sampaoli sabe o que vem pela frente:

– O Peru tem um quarteto ofensivo muito difícil de enfrentar, com Guerrero, Farfán, Cuevas e Pizarro, e dois volantes bastante aguerridos. Não podemos perder a bola e permitir que ela chegue aos atacantes deles.

Tradução: o Chile, como tem feito até agora, vai brigar pela bola o mais próximo possível da meta de Gallese; o Peru vai apostar nos contra-ataques, esperando que eles se encerrem nos pés do seu Santo Guerrero.

Recorde de público no Brasileirão. Onde?

O domingo teve recorde de público no Brasileirão de 2015 e não foi naquele jogo que em outros tempos era conhecido como o Clássico dos Milhões.

Confira a bilheteria de cada jogo:

♦ Atlético Mineiro 1 x 0 Joinville: 55.987 pagantes

♦ Palmeiras 4 x 0 São Paulo: 29.233 pagantes

♦ Inter 1 x 0 Santos: 22.475 pagantes

♦ Vasco 1 x 0 Flamengo: 14.010 pagantes

♦ Coritiba 1 x 0 Cruzeiro: 12.395 pagantes

♦ Ponte Preta 2 x 1 Atlético Paranaense: 4.858 pagantes

♦ Goiás 1 x 2 Fluminense: 2.419 pagantes

Vale uma continha: a soma dos ingressos vendidos no Beira-Rio, na Arena Pantanal, no Couto Pereira, no Moisés Lucarelli e no Serra Dourada é de 56.157, somente 157 a mais do que os 55.987 vendidos no Mineirão.

Palmeiras vira em dois e acaba em quatro

Rafael Marques 286 xRafael Marques,  artilheiro do Palmeiras no Brasileirão, festeja os 4 a 0 sobre o São Paulo

O jogo começou equilibrado, com ligeiro predomínio são-paulino. Aos 18 minutos, Pato ate acertou o poste esquerdo de Fernando Prass.

Foi só o começo.

Aos 31, Egídio começou a aparecer no jogo. Da esquerda, rolou uma bola no meio da área para Leandro Pereira fazer 1 a 0.

Aos 40, Egídio conseguiu um escanteio. Robinho cobrou e, de cabeça, Victor Ramos fez 2 a 0.

Enquanto os palmeirenses faziam gols, os são-paulinos tocavam pacientemente a bola, tentando chegar à área de Prass.

Quem dá muito atenção aos números não vai entender o placar: foram 68% de posse do São Paulo, 32% do Palmeiras.

No segundo tempo, continuou o desequilíbrio, embora em nenhum momento o São Paulo tenha desistido do jogo. Pelo contrário, continuou tocando a bola como se não houvesse sempre um palmeirense à espreita para tomá-la e disparar rumo ao gol de Rogério Ceni.

E Egídio continuou desequilibrando. Parece que nasceu para jogar sob o comando de Marcelo Oliveira.

Aos 13, cruzou rasteiro para Rafael Marques fazer 3 a 0 e se firmar como artilheiro do Palmeiras no Brasileirão, agora com quatro gols.

Aos 26, fez um lançamento longo e cruzado para Cristaldo fechar a conta: 4 a 0 para o Palmeiras.

Rafael Marques resumiu a vitória:

– Conseguimos criar, marcar, e aproveitamos as oportunidades.

O São Paulo, que seria o líder do Brasileirão se tivesse vencido, agora é o ultimo do G-4, com os mesmos 17 pontos que o Grêmio, mas com a vantagem de um gol no saldo.

O Palmeiras é o décimo colocado, pelo menos até que se encerre Internacional x Santos, um dos jogos das 18h30.

Nos outros jogos da tarde, o Atlético Paranaense foi derrotado pela Ponte Preta em Campinas por 2 a 1  e já não pode ser encontrado no G-4. E o Cruzeiro perdeu novamente, desta vez para o Coritiba, por 1 a 0, permanecendo na metade inferior da tabela de classificação.

O Brasileirão embolou de vez: entre o líder Sport e a Ponte Preta, oitava colocada, a diferença é de apenas três pontos.

Os argentinos goleiam na chegada

Quarteto argentino nas semifinais: Martino, Sampaoli, Díaz e Gareca

Quarteto argentino nas semifinais: Martino, Sampaoli, Díaz e Gareca

Era verdade que eles largaram perdendo feio, como registou o blog em 15 de junho na nota Os argentinos saem perdendo de goleada, mas o troco veio em altíssimo estilo na reta final.

São todos hermanos os treinadores que estão disputando as semifinais da Copa América: Tata Martino (Argentina), Jorge Sampaoli (Chile), Ramón Díaz (Paraguai) e Ricardo Gareca (Peru).

Portanto, o futebol argentino poderá festejar o primeiro, o segundo, o terceiro e o quarto lugares na Copa América.

Nem por isso Tata Martino está liberado para dar passagem a um compatriota.

São Paulo visita Palmeiras pela liderança do Brasileirão

Rogério Ceni: vitória vale liderança

Rogério Ceni: vitória vale liderança

Aos poucos, estão chegando às linhas de frente do Brasileirão os principais candidatos ao título de 2015, como o Atlético Mineiro, que conseguiu um mirradinho 1 a 0 sobre o vice-lanterna Joinville na matinê do Mineirão diante de 55.987 torcedores e, com 17 pontos, instalou-se no G-4, ainda que provisoriamente, como sinaliza a tabela com os jogos marcados para as 16 horas, especialmente:

Palmeiras x São Paulo – que vale a ressurreição verde e pode levar o Tricolor à liderança isolada. Bastará a Rogério Ceni e companhia vencer o clássico.

♦ Ponte Preta x Atlético Paranaense – de todos, o confronto que reúne a dupla com a maior soma de pontos nas oito rodadas disputadas até agora e, em caso de vitória dos paranaenses, pode lhes dar a liderança se o São Paulo não vencer o clássico no Allianz Parque.

♦ Goiás x Fluminense – a chance tricolor de se manter nas cercanias do G-4 ou até mesmo, com uma favorável combinação de resultados, lá se alojar.

Tal qual Coritiba x Cruzeiro, também às 16, os jogos das 18h30, embora reúnam quatro das maiores forças históricas do nosso futebol, mexem apenas com a metade inferior da tabela de classificação do Campeonato Brasileiro:

♦ Internacional x Santos – a vitória de um ou de outro talvez valha um pulo para a parte de cima da tabela; nada mais do que o nono lugar, porém. No máximo.

♦ Vasco x Flamengo – nem a vitória, que seria a primeira neste Brasileirão, tirará os vascaínos da zona de rebaixamento; os rubro-negros, no entanto, sairão de lá se vencerem o jogo em Cuiabá.

Love faz a alegria dos corintianos

Depois de sofrer com o Brasil nos telões da Arena Corinthians, a torcida corintiana espichou o sofrimento por mais 45 minutos com o que viu em campo: um time apagado e incapaz de se impor ao Figueirense.

No segundo tempo, finalmente alegria em dose dupla para os 24.786 pagantes: Vagner Love voltou a mostrar que conhece o ofício de atacante, fez 1 a 0 aos 9 minutos e, aos 18, sofreu o pênalti cobrado por Jadson para fazer 2 a 0.

O Figueirense ainda diminuiu, com um gol de Thiago Santana dez minutos depois, mas já era tarde para pretender reagir.

Os 2 a 1 deixam o o Corinthians coladinho no G-4, pelo menos até amanhã.

Brasil quis pouco e ficou sem nada na Copa América

González: decisivo para o Paraguai

González: decisivo para a classificação do Paraguai

Não chegava a ser um domínio claro, até porque a bola ficava mais tempo em pés brasileiros, mas o Paraguai parecia mais disposto a ganhar o jogo até que, aos 14 minutos, Robinho fez 1 a 0 para o Brasil e ficou a impressão de que a maré ia mudar.

Foi um gol desenhado com as tintas que os brasileiros esperam quando a Seleção entra em campo. Robinho recebeu na intermediária paraguaia a bola passada por Felipe Luís, limpou o lance com um belo toque em torno do marcador, fez o passe para Elias, que encontrou Daniel Alves aberto na direita, de onde partiu o cruzamento na medida para Robinho fazer o gol.

É assim que se joga, mas não foi assim que o Brasil continuou jogando.

É verdade que, até o fim do primeiro tempo, o time manteve a superioridade que o 1 a 0 lhe assegurara, mas sem levar muito perigo ao gol de Villar. Mesmo assim, se tinha a impressão de que a qualquer momento o Brasil reencontraria o caminho do gol e decidiria de vez a classificação para a semifinal.

O Paraguai, porém, não se entrega facilmente. Já se tinha visto tal filme nesta Copa América. Contra a Argentina e contra o Uruguai, os paraguaios saíram perdendo e foram buscar o empate.

Foi o que fizeram novamente neste sábado em Concepción.

O Brasil de Dunga voltou para o segundo tempo menos disposto a atacar. Cedeu a iniciativa do jogo, esqueceu o toque de bola e a troca de passes, apelou insistentemente para os chutões e foi abrindo espaço para as manobras ofensivos dos paraguaios.

Este Brasil se satisfaz com pouco.

Um pênalti bobo de Thiago Silva, erguendo demasiadamente o braço numa disputa de bola pelo alto, deu a González a chance de empatar o jogo e transformar em pó o pouco que já satisfazia os brasileiros.

Ainda restavam 25 minutos e até que o Brasil se reanimou um pouco, mas Robinho já não tinha o dinamismo do primeiro tempo e nem o meio de campo nem o ataque, com exceção de Philippe Coutinho, se acertavam no trato com a bola.

O jogo chegou ao fim com os paraguaios festejando o 1 a 1 que levou a decisão da vaga na semifinal para os pênaltis. Eles tinham razão. Resultado: Brasil 3 x 4 Paraguai.

Na terça, Concepción vai ver a reprise do jogo que La Serena viu na primeira rodada do Grupo B desta Copa América. Agora, Argentina x Paraguai valerá vaga na final. González fechou a série.

E por querer pouco, a Seleção perdeu muito: além de cair fora da Copa América,  não disputará a próxima Copa das Confederações nem contará com Neymar nos dois primeiros jogos das Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018.

Parece que o problema era Felipão

Dois dias antes de pedir demissão do Grêmio, tendo empatado em casa com a Ponte na estreia e perdido para o Coritiba fora, Luiz Felipe Scolari tinha analisado com  pessimismo as chances do time no Brasileirão:

– Todos nós sabemos que vai ser difícil. Os atletas sabem disso. A torcida sempre foi notificada de que nós iríamos passar dificuldades.

Ou seja: o responsáveis pela má campanha eram e seriam os jogadores.

Depois que Felipão abandonou o barco, o Grêmio fez sete jogos, venceu cinco, perdeu um e empatou outro. O interino James Freitas levou o time à primeira vitória no campeonato, 1 a 0 sobre o Figueirense, e passou o comando técnico ao jovem Roger Machado, que acaba de vencer o Avaí na Ressacada por 2 a 1 e, até agora, conquistou 13 dos 18 pontos que disputou.

Roger tem, pois, 72% de aproveitamento – índice inferior apenas aos 77.8% de Eduardo Baptista com o líder Sport, que empatou há pouco por 1 a 1 com a Chapecoense.

Assim é difícil ganhar o público no Brasileirão

Com exceção do Figueirense, instalado na fronteira com o Z-4, cinco times do Brasileirão jogam hoje, um pouco antes ou um pouco depois de Brasil x Paraguai, pelo direito de permanecer ou entrar no G-4.

Evidentemente, não é a data mais propícia para animar os torcedores envolvidos com os seguintes jogos da nona rodada:

Avaí x Grêmio, às 16 horas, na Ressacada

Chapecoense x Sport, também às 16 horas, na Arena Condá

Corinthians x Figueirense, às 21 horas, o Itaquerão

Vale lembrar que o Brasileirão de 2015 tem em média 14.373 pagantes por jogo.

Dos anfitriões dos jogos deste sábado, somente o Corinthians tem em casa um público bem maior do que a média do Brasileirão: 22.297 pagantes por jogo.

A média do Avaí é de 8.646 pagantes por jogo; a da Chapecoense, de 6.738.

O Corinthians pelo menos teve a sabedoria de abrir os portões de sua Arena às 18 horas e mostrar Brasil x Paraguai nos telões dos setores norte e sul, o que permitirá ao torcedor acompanhar a partida da Copa América.

Não é um com um calendário tão pouco inteligente que as bilheterias do Brasileirão vão melhorar.