Não existe dilema, Dunga: é vencer ou vencer

Dunga: obrigação de vencer nos EUA - Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Dunga: obrigado a vencer – Foto: Rafael Ribeiro/CBF

De maneira até surpreendente, na véspera do amistoso com os Estados Unidos que hoje encerra a fase de jogos preparatórios da Seleção para as Eliminatórias da Copa do Mundo, Dunga abriu o coração e escondeu a escalação do time que veremos à noite, a partir das 21h40, Gillette Stadium de Foxborough:

– A primeira observação vai ser depois do treinamento, de conversar com os jogadores para ver o desgaste de cada um. A segunda observação que teremos de fazer com a comissão é para jogar um time que vai para ganhar ou para treinar, para experimentar novos jogadores. A Seleção tem de ganhar. Falam em observar, ganhar, mas vão pontuar só em cima do resultado. É isso que vamos decidir.

Dunga abriu mais ainda o jogo:

– A minha ideia é aproveitar os jogadores. Alguns são convocados, e não há tempo de jogar. Isso faz com que eles não sejam observados, impede a verdade do campo, que é onde tudo se decide, onde um jogador pode mostrar se tem ou não condições de defender a Seleção. Só que isso perde a relevância à medida que existe muita pressão e cobrança por vitória. Perdeu? As mesmas pessoas que exigem experimentar jogadores, buscar alternativas, vão cair em cima com as críticas.

Dunga tem razão. Vencer é uma obsessão nacional, montar ou remontar a Seleção é consequência. Infelizmente.

Há mais de duas décadas, Paulo Roberto Falcão foi demitido do comando técnico da Seleção porque concentrou os esforços em renovar o time e perdeu a Copa América. Jogadores como Cafu, Márcio Santos e Mauro Silva, importantes na campanha do tetra nos EUA, foram levados por ele para a Seleção.

Carlos Alberto Parreira, técnico do tetra, sempre elogiou a herança que Falcão lhe deixou, mas, ao assumir o comando da Seleção em 1991, já tinha consciência clara das cobranças:

– O Brasil tem de ganhar sempre, até treino. O trabalho de montagem do time tem de ser feito simultaneamente aos bons resultados.

Duas décadas depois, Mano Menezes, também teve cortadas as pretensões de chegar à Copa do Mundo após fazer um bom trabalho de renovação da Seleção de 2010. Perdeu o posto para Luiz Felipe Scolari um ano e meio antes da Copa de 2014, pouco depois de uma derrota para a Argentina num amistoso apelidado de Superclássico das Américas.

Dunga, desde os tempos de jogador, conhece bem a história da Seleção. Sabe que o dilema levantado na entrevista coletiva antes do amistoso Estados Unidos x Brasil não existe. Ele tem de vencer. Sempre. É assim que rola a bola no futebol brasileiro.

Só os cartolas têm garantia no emprego. Infelizmente, repita-se.

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