Arquivo diário: 8 de setembro de 2015

Tudo muda quando Neymar entra no jogo

Neymar em EUA 1 x 4 BrasilNeymar brilha em Foxborough: dois gols em  apenas 45 minutos – Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Era um joguinho chato. O Brasil começou bem, com participação muito animada do meia Willian, mas foi se acomodando, acomodando e, como esta seleção norte-americana não incomoda ninguém, tratou apenas de fazer o tempo passar depois que Hulk fez 1 a 0 aos 9 minutos. E assim foi levando até o fim do primeiro tempo.

No segundo tempo, Dunga mudou tudo. Na verdade, precisou de apenas duas mudanças para tudo mudar desde o recomeço do jogo. Firmino entrou no lugar de Hulk, o que não influiu muito no andamento da partida, e Neymar entrou no lugar de Willian. Neymar é Neymar. Com ele em campo, o Brasil é e será sempre outro.

Foi que se viu no segundo tempo e infelizmente não se poderá ver no dia 8 de outubro, quando o Brasil estreará, em Santiago, nas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2018 enfrentando o anfitrião Chile.

No Gillette Stadium de Foxborough, logo aos 3 minutos do segundo tempo, Neymar sofreu pênalti e fez 2 a 0 para o Brasil. Aos 18, mal entrara em campo para substituir Douglas Costa, Rafinha Alcântara aproveitou uma jogada iniciada por Lucas, que substituíra Lucas Lima, e Neymar e fez 3 a 0.

Estava animado o joguinho que ficou tão chato na segunda metade do primeiro tempo.

E, animado como sempre, Neymar tratou de fazer 4 a 0 aos 21 minutos. Foi o seu 46º gol pela Seleção, dez a menos do que Romário, 20 a menos do que Zico, 21 a menos do que o fenômeno Ronaldo.

Não existe amistoso para Neymar, sabe bem o alemão Jürgen Klinsmann, goleador de outros tempos que hoje comanda competentemente a seleção norte-americana e ganhou um carinhoso abraço antes do garoto brasileiro entrar no jogo.

Neymar joga para a História.

Danny Williams ainda diminuiu o vexame norte-americano para 4 a 1, mas o gol de honra no último minuto do jogo não aliviou sequer a fisionomia fechada, quase carrancuda, do sempre afável Klinsmann desde que Neymar estragara sua noite.

Lá em Santiago do Chile, Jorge Sampaoli pode sorrir. Suspenso, por conta de problemas na Copa América, Neymar não poderá jogar contra os chilenos em outubro.

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Um gol a cada 15 anos – e não é o Vasco…

Nem o Vasco andava tão mal no ataque: desde o empate por 1 a 1 com a Letônia em abril de 2001 pelas Eliminatórias da Copa do Mundo de 2002, a seleção de São Marino não marcava um gol fora de casa.

O pesadelo acabou: hoje, em jogo disputado em Vilnius pelas Eliminatórias da Eurocopa de 2016, San Marino foi derrotado pela Lituânia por 2 a 1, mas celebrou, como se tivesse conquistado um título, o gol do atacante Matteo Vitaioli, de 25 anos.

Será que Dunga viu os meninos do Brasil em ação?

Se treinar a rapaziada cara a cara está criando dúvidas na cuca sempre segura do nosso Dunga, imagine-se a aflição do treinador ao comandar por telepatia a molecadinha que o Brasil começa a formar para tentar o ouro na Rio-16.

Com visíveis problemas de entrosamento, os meninos do Brasil, comandados em Le Mans por Rogerio Micale, foram derrotados pelos franceses por 2 a 1.

Valeu, não pelo resultado, mas pelo que o time mostrou que pode fazer no futuro – ainda mais se ganhar o reforço de Neymar e mais dois marmanjos, como permite o regulamento do torneio olímpico.

Dunga, que é oficialmente o treinador da seleção olímpica, deve ter feito suas observações. De longe.

Em face dos últimos desacontecimentos

No Fluminense, ninguém sabe quando Ronaldinho Gaúcho voltará ao time.

Tudo indica, porém, que será antes de o Corinthians vender os naming rights de seu estádio em Itaquera.

Pode ser que, antes disso, Eurico Miranda esteja morando na Sibéria. Pelo menos, a passagem de ida, gentileza do humorista Bruno Mazzeo, já está à sua disposição.

Não existe dilema, Dunga: é vencer ou vencer

Dunga: obrigação de vencer nos EUA - Foto: Rafael Ribeiro/CBF

Dunga: obrigado a vencer – Foto: Rafael Ribeiro/CBF

De maneira até surpreendente, na véspera do amistoso com os Estados Unidos que hoje encerra a fase de jogos preparatórios da Seleção para as Eliminatórias da Copa do Mundo, Dunga abriu o coração e escondeu a escalação do time que veremos à noite, a partir das 21h40, Gillette Stadium de Foxborough:

– A primeira observação vai ser depois do treinamento, de conversar com os jogadores para ver o desgaste de cada um. A segunda observação que teremos de fazer com a comissão é para jogar um time que vai para ganhar ou para treinar, para experimentar novos jogadores. A Seleção tem de ganhar. Falam em observar, ganhar, mas vão pontuar só em cima do resultado. É isso que vamos decidir.

Dunga abriu mais ainda o jogo:

– A minha ideia é aproveitar os jogadores. Alguns são convocados, e não há tempo de jogar. Isso faz com que eles não sejam observados, impede a verdade do campo, que é onde tudo se decide, onde um jogador pode mostrar se tem ou não condições de defender a Seleção. Só que isso perde a relevância à medida que existe muita pressão e cobrança por vitória. Perdeu? As mesmas pessoas que exigem experimentar jogadores, buscar alternativas, vão cair em cima com as críticas.

Dunga tem razão. Vencer é uma obsessão nacional, montar ou remontar a Seleção é consequência. Infelizmente.

Há mais de duas décadas, Paulo Roberto Falcão foi demitido do comando técnico da Seleção porque concentrou os esforços em renovar o time e perdeu a Copa América. Jogadores como Cafu, Márcio Santos e Mauro Silva, importantes na campanha do tetra nos EUA, foram levados por ele para a Seleção.

Carlos Alberto Parreira, técnico do tetra, sempre elogiou a herança que Falcão lhe deixou, mas, ao assumir o comando da Seleção em 1991, já tinha consciência clara das cobranças:

– O Brasil tem de ganhar sempre, até treino. O trabalho de montagem do time tem de ser feito simultaneamente aos bons resultados.

Duas décadas depois, Mano Menezes, também teve cortadas as pretensões de chegar à Copa do Mundo após fazer um bom trabalho de renovação da Seleção de 2010. Perdeu o posto para Luiz Felipe Scolari um ano e meio antes da Copa de 2014, pouco depois de uma derrota para a Argentina num amistoso apelidado de Superclássico das Américas.

Dunga, desde os tempos de jogador, conhece bem a história da Seleção. Sabe que o dilema levantado na entrevista coletiva antes do amistoso Estados Unidos x Brasil não existe. Ele tem de vencer. Sempre. É assim que rola a bola no futebol brasileiro.

Só os cartolas têm garantia no emprego. Infelizmente, repita-se.

O empresário sugere: pergunte ao presidente

Diálogo entre o ótimo repórter Martín Fernandez e o empresário José Margulies, mais conhecido como José Lázaro, um dos indiciados pelo FBI no inquérito sobre corrupção na Fifa:

 – O senhor está sendo procurado, foi citado na investigação…
Estou citado, mas não tem nada contra mim.

– O senhor é inocente?
– Estou considerado como um facilitador, mas não tem nada contra mim.

– A prisão do Marin e dos demais o surpreendeu?
Em parte, sim.

– O senhor acreditava que não havia motivo para eles serem presos?
– Eu não sabia que estavam investigando isso.

– O senhor pode colaborar com as investigações?
Não sei. Depende, depende.

– O senhor disse que era um facilitador. Que tipo de trabalho o sr. fazia?
Não sei, tenho que ver o processo, estou esperando para ver o processo. Não tem nada contra mim.

– Marco Polo Del Nero estava envolvido?
Não sei. Pergunte para ele.

A entrevista inteira foi  publicada há pouco no GloboEsporte.com. Clique aqui   para ler.