Arquivo mensal: novembro 2015

Por que o Corinthians de Tite é hexacampeão

Tite, novamente campeão com o Corinthians: permanentemente ligado

Tite, novamente campeão com o Corinthians: permanentemente ligado

Em outros tempos, quando seu time enrolava muito o jogo e mais se defendia do que atacava, ele tratava de também enrolar a linguagem nas entrevistas e mesas redondas. Falava em titês, um dialeto aparentado com o lazaronês, embora seu criador, tendo sido boleiro, jamais tenha chegado ao exagero de se dispor a galgar parâmetros, como se obrigava em outros tempos o colega Sebstião Lazaroni.

Galgou-os, no entanto. E como!

O futebol contido e a fala empolada lhe deram, em outra encarnação no Corinthians, os títulos de campeão brasileiro de 2011, campeão da Libertadores e do Mundial de Clubes em 2012.

Foi, no entanto, ao reencarnar com a camisa corintiana, depois de um ano longe do trabalho nos campos de treino e de jogo, procurando conhecer de perto o que fazem seus colegas de profissão no futebol europeu, agora cada vez mais antenado com os novos rumos da bola pelo mundo afora, que o gaúcho Adenor Leonardo Bachi se transformou em unanimidade nacional que muitos gostariam de ver no comando técnico da Seleção.

Parece outro treinador este Tite que voltou ao trabalho nesta temporada depois de assinar novo contrato com o Corinthians no finalzinho de 2014.

Continua sério, embora bem humorado, dedicado e sincero, mas parece mais leve e feliz no trato com os boleiros e os torcedores e acrescentou ao repertório do time opções ofensivas que aquele Corinthians multicampeão de 2011 e 2012 nem sonhava exercitar.

O que mudou?

A chave para entender o novo Tite talvez esteja numa entrevista que ele deu a Marcelo Rizzo, da Folha, ainda em março (para ler, clique aqui), em que conta o que mais o marcou nos cinco dias de convivência com Carlo Ancelotti, acompanhando o trabalho do colega italiano no Real Madrid:

– O que levo dele é exigir concentração alta dos atletas o tempo todo. Ele abriu seu sistema de trabalho de uma forma que, admito, eu não faria com outro profissional.

O Corinthians de 2015 é um time permanentemente ligado, dos treinos aos jogos, passando às vezes até pelos curtos períodos de folga.

O Tite de hoje, embora menos tenso, parece o Bernardinho de sempre. Não faz muito tempo, até contou que dorme com um caderno de anotações na cabeceira e, às vezes, acorda para registrar recados para ele mesmo ler no dia seguinte.

Sorte dos seus pupilos corintianos. Bernardinho dispara, no meio da noite, recados para os seus jogadores, às vezes simplesmente perguntando o que eles fizeram naquele dia para alcançar uma ótima performance no próximo jogo ou na próxima competição.

Tite é mais relax. Nem por isso está menos alerta. Mais do que o novo desenho tático, a distribuição mais equilibrada do time, a movimentação incessante dos jogadores e o alargamento do campo de ataque com a abertura dos meias em direção às laterais, o segredo do Corinthians  campeão brasileiro de 2015 é a permanente mobilização mental.

Tite conseguiu fazer Cássio, Fagner (Edílson), Felipe, Gil, Uendel (Guilherme Arana), Ralf, Elias, Renato Augusto, Jadson, Malcom (Lucca), Vagner Love (Luciano), Danilo e companhia menos assídua jogarem tudo o que podem – às vezes, quando a necessidade aperta, um pouquinho mais do que sabem.

Tite simplificou a linguagem e galgou parâmetros.

Por isso, o Corinthians é hexacampeão brasileiro – vença, empate ou perca o jogo desta quinta-feira contra o Vasco.

Noite de frustrações para Palmeiras, Goiás e Joinville

O jogo que menos valia foi o que mais emoções ofereceu: na Arena da Baixada, o Atlético Paranaense  fez 1 a 0 logo no primeiro minuto, o Palmeiras virou para 2 a 1, o Atlético revirou para 3 a 2, o Palmeiras fechou o placar em 3 a 3 aos 49 minutos do segundo tempo.

O empate deixa os dois times no meio da tabela, sem ilusões de chegar mais longe.

Os palmeirenses vão reclamar muito da arbitragem, realmente atrapalhada, mas deveriam se preocupar com o estado de nervos do time, que não tem frieza para encarar dificuldades e, mesmo nos instantes em que joga bem, pode sempre ceder a vantagem ao adversário.

Não será fácil vencer o Santos nas finais da Copa do Brasil, mas nada mais sobrou ao Palmeiras em 2015 do que tentar.

Na turma do fundão, o Coritiba se deu bem no Serra Dourada, batendo o Goiás por 3 a 1; o Figueirense conseguiu um surpreendente 1 a 0 sobre a Ponte Preta no Moisés Lucarelli; e o Avaí, em casa, afundou de vez o Joinville ao derrotá-lo por 2 a 1.

Depois dos resultados desta quarta-feira, o Vasco não tem alternativa na quinta em São Januário: se não vencer o Corinthians, vai pro beleléu em companhia do Goiás e do Joinville.

Em campo, Esperança x Desespero

Está chegando a hora de uns darem adeus à chance de ainda chegar ao G-4 e de outros se livrarem ou se afundarem de vez no Z-4 do Brasileirão. Três dos quatro jogos desta quarta-feira colocam em campo a esperança e o desespero:

– Serra Dourada, 19h30: Goiás x Coritiba

No confronto entre dois inquilinos do Z-4, vencer, dependendo de outros resultados da noite, é a chance de sair da zona de rebaixamento. Empatar não é bom para nenhum dos dois. Perder é encurtar o caminho para a Segundona.

– Ressacada, 21 horas: Avaí x Joinville

Com um ponto acima da linha de rebaixamento, o anfitrião ainda tem um mínimo de gordura para queimar. O visitante, lanterninha do campeonato, ou vence ou dá adeus, hoje mesmo, à Primeira Divisão.

– Moisés Lucarelli, 21 horas: Ponte Preta x Figueirense

A Ponte precisa da vitória para não perder de vez a pequena chance que ainda mantém de chegar ao G-4 ou, pelo menos, ao G-5. Vencendo, o Figueirense se distanciaria um pouco mais do Z-4. Se perder, pode até voltar para lá.

– Arena da Baixada, 21 horas: Atlético Paranaense x Palmeiras

É uma exceção da noite de esperanças e desespero. Fora de risco, sem maiores pretensões daqui em diante, o Atlético pode ir se preparando para quando 2016 chegar e o Palmeiras terá oportunidade de fazer um treino de bom nível para os dois jogos contra o Santos pelo título da Copa do Brasil.

Caicedo faz história nas Eliminatórias

Caicedo: artilheiro das Eliminatórias, um gol por jogo

Caicedo:  um gol em cada jogo

Artilheiro das Eliminatórias Sul-Americanas da Copa de 2018, com quatro gols em quatro rodadas, um em cada jogo, o equatoriano Felipe Caicedo igualou, nos 3 a 1 de ontem sobre a Venezuela, um feito histórico do chileno Jorge Aravena.

Foi seu quinto gol consecutivo em jogos das Eliminatórias. Justamente contra o Chile, pela última rodada das Eliminatórias de 2014, Caicedo havia marcado o gol equatoriano na derrota por 2 a 1.

O goleador, que faz bem menos gols quando veste a camisa do Espanyol, é um dos principais responsáveis pela ótima campanha do Equador nestas Eliminatórias – com aproveitamento de 100%, iniciado na surpreendente vitória sobre a Argentina em Buenos Aires logo na rodada de abertura.

Fifa mantém e pode ampliar suspensão de Blatter e Platini

Joseph Blatter e Michel Platini receberam nesta quarta-feira comunicado do Comitê de Apelação da Fifa informando que foram negados seus recursos contra a decisão do Comitê de Ética que os suspendeu por 90 dias de qualquer atividade relacionada ao futebol.

A suspensão de ambos ainda pode ser prorrogada por mais 45 dias.

O Vasco também ganhou em Salvador

Mesmo sem querer, Dunga deu uma boa mão ao velho companheiro Jorginho no jogo de amanhã contra o Corinthians em que o Vasco continuará a luta para escapar ao rebaixamento.

Depois de atuar 90 minutos nos 3 a 0 sobre o Peru, dificilmente os corintianos Gil, Elias e Renato Augusto terão condições de jogar outros 90 na quinta-feira.

É claro que o trio estará lá, até porque o Corinthians pode assegurar matematicamente o título de campeão brasileiro em São Januário, mas não devem ser escalados por Tite desde o começo do jogo.

Eliminatórias: em noite de Douglas Costa, Brasil ganha folga

Douglas Costa: arquiteto e engenheiro de Brasil 3 x 0 Peru

Douglas Costa: arquiteto e engenheiro de Brasil 3 x 0 Peru em Salvador

Não se pode reclamar do futebol que o Brasil mostrou nos 3 a 0 sobre o Peru nesta terça-feira em Salvador, mas o que deixa uma ponta de dúvida é a qualidade do adversário.

A Seleção mandou no jogo do sexto ao 94º minuto e mereceu amplamente a vitória construída em boa parte pelo polivalente Douglas Costa, autor do primeiro gol, arquiteto e engenheiro do segundo e do terceiro, marcados por Renato Augusto e Filipe Luís.

A Seleção também tinha jogado bem contra a Venezuela, lanterna destas Eliminatórias sem ter conseguido um pontinho sequer nas quatro primeiros rodadas, e agora detonou o vice-lanterna, que tem apenas três pontos até agora.

Vamos ter de esperar pelos jogos de março, contra o Uruguai no Recife e o Paraguai em Assunção, para tirar as dúvidas sobre a qualidade do time que Dunga vai aos poucos remontando,  foi derrotado pelo Chile e sofreu para empatar com a Argentina.

De qualquer maneira, a boa atuação nos 3 a 0 desta terça-feira deixa o Brasil em posição bem menos desconfortável do que estava nas Eliminatórias, agora em terceiro lugar, com sete pontos, dois a menos do que o vice-líder Uruguai, cinco abaixo do líder Equador.

Não é o que se espera do futebol pentacampeão do mundo, mas é o suficiente para lhe dar alguma folga na corrida por uma vaga na Copa do Mundo de 2018 e um mínimo de tranquilidade nas festas de fim de ano.

Colômbia 0 x1 Argentina, Venezuela 1 x 3 Equador, Paraguai 2 x 1 Bolívia e Uruguai 3 x 0 Chile completaram a rodada e deixam assim a ordem de classificação das Eliminatórias Sul-Americanas:

 1º – Equador  – 12 pontos

 2º – Uruguai – 9 pontos

 3º – Brasil – 7 pontos

 4º – Paraguai – 7 pontos

 5º – Chile – 7 pontos

 6º – Argentina – 5 pontos

 7º – Colômbia – 4 pontos

 8º – Bolívia – 3 pontos

 9º – Peru – 3 pontos

10º – Venezuela – 0 ponto

Como se sabe, os quatro primeiros terão presença garantida na Rússia e o quinto disputará uma vaga com o campeão da Oceania.

A esta altura das Eliminatórias Sul-Americanas, a Argentina, vice campeão do mundo em 2014, estaria fora da Copa de 2018 e o Chile, campeão da Copa América, iria para a repescagem.

Hoje é dia de jogo, bebê!

Concentração do Brasil @1711@@@

Em 12 jogos que já fez desde 1969 na velha e na atual Fonte Nova, a Seleção Brasileira jamais foi derrotada. Que bom!

Contados amistosos e jogos oficiais da Copa América e da Copa das Confederações, foram sete vitórias e cinco empates. Não tão bom assim, né?

Dos empates, um foi com o Peru, por 0 a 0, na Copa América de 1989. Dunga estava em campo, como volante. Que mau!

Dunga e Taffarel, nosso goleiro no 0 a 0, bem poderiam relembrar aos seus jogadores a tristeza que foi aquele 3 de julho em que pouco mais de 13 mil torcedores foram à velha Fonte Nova e passaram boa parte da noite vaiando a Seleção.

Podem relembrar também que, em rodadas seguintes, o Brasil se recuperou e acabou sendo o campeão daquela Copa América, com direito a festa diante de mais de 100 mil torcedores no Maracanã.

Afinal, a Seleção atual também precisa se recuperar do início capenga nas Eliminatórias e se instalar logo entre os primeiros aspirantes às quatro vagas que a América do Sul tem direito assegurado na Copa do Mundo de 2018.

O Brasil está em quarto lugar, com quatro pontos, à frente do Paraguai e da Colômbia apenas no número de gols, e pode até sair desta quarta rodada como vice-líder, mas também corre o risco, embora remoto, de despencar para o nono lugar.

É cedo demais para festa, festinha e demais formas de badalação, como a animada visita dos onipresentes e deslumbrados Ivete Sangalo, Léo Santana e David Brazil à concentração do Brasil na noite desta segunda-feira.

É de concentração que a Seleção anda precisando. Afinal, está em Salvador para trabalhar. E hoje é dia de trabalho duro para que a torcida faça festa na Fonte Nova.

Neymar, Lucas Lima, Hulk e companhia precisam ouvir de Dunga como foi a noite de 3 de julho de 1989 na Fonte Nova.

(As fotos foram reproduzidas das contas de Ivete Sangalo e David Brazil no Instagram)

Uruguai x Chile ou Cavani x Jara?

Jara x Cavani @1711@@@Uruguai x Chile, às 21 horas (de Brasília), pode definir nesta terça-feira muita coisa na ordem de classificação das Eliminatórias Sul-Americanas, até mesmo a liderança se os chilenos vencerem em Montevidéu e, muito pouco provável, o Equador perder para a Venezuela em Ciudad Guayana.

Com sete pontos ganhos nas três primeiras rodadas, dois a menos do que o Equador, o Chile é o vice-líder da competição, à frente do Uruguai, que tem seis. Uma vitória uruguaia em casa inverterá as posições e deixaria o Brasil em condições de  igualar a pontuação dos chilenos.

É disso que deveríamos estar falando, mas o que mais chama a atenção da mídia no jogo do Centenário é o reencontro entre o uruguaio Cavani e o chileno Jara, protagonistas na Copa América de uma cena que, no dia seguinte a Chile 1 x 0 Uruguai, valeu a bem humorada manchete do jornal La República:

Meteram-nos o dedo e a mão

A capa do jornal, reproduzida acima, explica a primeira parte da manchete. A segunda se refere à atuação do árbitro brasileiro Sandro Meira Ricci. Aquele 1 a 0 tirou o Uruguai da Copa América e pavimentou o caminho do Chile rumo ao título.

Expulso naquele jogo após revidar de leve a provocação do chileno, o uruguaio Cavani garante que já esqueceu o que aconteceu:

– Está superado. Eu também já cometi erros na vida.

Jara também contemporiza:

– Talvez isso seja o assunto das pessoas antes da partida, que certamente será diferente e jogada com muito mais intensidade.

Óscar Tabárez, treinador uruguaio, não gostou de ouvir, na entrevista coletiva que concedeu após o treino de ontem, uma pergunta sobre o episódio:

– É verdade que vocês querem continuar falando sobre isso? Me nego a comentar, já ouvi bobagens demais.

Futebol faz lobby no Congresso para não pagar impostos

O Congresso Nacional decide, nesta terça-feira, se mantém ou reverte o veto da presidente Dilma Rousseff ao artigo do Profut que dá tratamento fiscal escandalosamente generoso aos clubes que se transformarem em empresas – cobrando-lhes apenas uma contribuição única de 5% sobre o faturamento mensal, abrangendo todas as receitas, inclusive financeiras.

Estes 5% saldariam IRPJ, PIS/PASEP, CSLL, COFINS et cetera, etc. e bota etc. nisso.

A pressão de cartolas e lobistas sobre deputados e senadores é enorme.

O Profut, sigla de Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro, beira a irresponsabilidade ao perdoar boa parte das dívidas acumuladas pelos clubes nos últimos anos e lhes dar 20 anos de prazo para saldar o que não foi perdoado.

Os clubes querem mais. Era só o que faltava!

Consultor de marketing e gestão esportiva, Amir Somoggi define, em entrevista recente   a Hiltor Mombach, editor de esportes  e blogueiro do Correio do Povo, o que está acontecendo no mundo da bola enquanto os cidadãos e as empresas do mundo real convivem com a expectativa de pagar mais impostos:

– O certo seria os clubes pagarem por mês ao longo de 20 anos e quitarem sua dívida como qualquer empresa. Os clubes conseguiram uma oportunidade única de pagar com regras bem vantajosas. No início, o pagamento será mais baixo; mais para frente, mais alto. É sempre bom lembrar que os clubes devem porque não recolhem impostos e contribuições sociais há décadas. Pagam salários fora da realidade e não pagam o que devem ao governo, sempre esperando ajuda. A ajuda mais uma vez chegou.

O especialista acha que o Profut pode ter resultados positivos para o futebol brasileiro se os clubes finalmente quitarem as dívidas e adotarem um projeto de reestruturação administrativa-financeira, mas critica os “muitos descontos para os maus pagadores e nenhum benefício para os que pagaram em dia” e adverte:

– Para voltar a ter equilíbrio e pagar as parcelas mensais corrigidas pela Selic, precisarão cortar custos e/ou aumentar receitas. Se não fizerem isso, podem em alguns anos entrar em desacordo com a Lei que fala em redução progressiva dos déficits e pagamento em dia das dívidas.

Ou seja: daqui a não muito tempo, podem estar pedindo uma nova lei com os velhos descontos.

Atualização

O Congresso manteve o veto da presidente Dilma Rousseff ao artigo do Profut que dava uma enorme colher de chá aos clubes que viessem a se transformar em empresa.

O futebol continua igual às outras atividades perante o Fisco. Nada mais justo.